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Manaus
Transversalidade na escola

Feira de Biologia conscientiza estudantes sobre os riscos da contaminação por HIV

Escola Estadual Castelo Branco mobiliza alunos e professores para realização de uma mostra cultural que aproxima os assuntos de Biologia tratados em sala de aula dos problemas enfrentados pelos estudantes no dia a dia 26/09/2016 às 19:20 - Atualizado em 26/09/2016 às 20:17
Show feira biologia 2
Alunos do 2º ano do Ensino Médio abordaram a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis com enfase na contaminação pelos virus HIV e a reprodução humana
Aristide Furtado Manaus

A escola pública pode e deve ser usada para empoderar os adolescentes acerca de questões que os afligem diariamente. Com essa ideia, o professor de Biologia Ederson Gonçalves mobilizou a comunidade da Escola Estadual Castelo Branco, Zona Oeste, para uma viagem cultural por temas que extrapolam a decoreba de sala de aula e se mostram em problemas, como o elevado índice de contaminação por HIV de parcela significativa de jovens do Estado do Amazonas.

Na manhã desta segunda-feira (26), alunos, professores e o corpo administrativo da unidade escolar juntaram esforços para realizar uma feira de Biologia com os assuntos discutidos durante o ano letivo. “Trabalhamos o aspecto prático do conhecimento que adquiriram, seja no aspecto da saúde, do meio ambiente, da biotecnologia. A preocupação central foi trabalhar aquilo que o aluno vivencia. As doenças que ele adquiri ou presencia. Seja os problema ambientais da cidade. Ou as questões genéticas ou de biotecnologia, tudo o que ele tem curiosidade da questão prática da biologia. Esse é o intuito da feira”, explicou o educador.

Duas das oito salas da amostra cultural foram dedicas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e reprodução humana. Para Ederson Gonçalves, essa abordagem lúdica abre possibilidades ao debate de um tema ainda considerado tabu em nossa sociedade. “Faz toda a diferença. O assunto sob  educação sexual é muito limitado dentro das escolas. Às vezes, o  jovem não tem a liberdade de conversar com os pais sobre essa questão. Vem para escola com o intuito de se informar e as vezes a escola não atende essa necessidade do jeito que era para atender. Então a preocupação também é conscientizar esses alunos e alunas a respeito das doenças sexualmente transmissíveis, da iniciação da vida sexual, preocupações que ele tem que ter no uso de preservativos”, disse o professor.

A preocupação do educador se fundamenta em dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) que colocam o Amazonas como segundo no ranking nacional de casos de HIV por dois anos consecutivos. Em abril deste ano, uma matéria publicada em A CRÍTICA mostrou que a contaminação vem crescendo signficativamente entre os jovens de 15 a 24 anos, no Estado. Em  2015, comparado a 2014, houve crescimento de 70% de resultados de HIV detectados, na faixa etária de 15 a 25 anos. De acordo com o Boletim Epidemiológico do MS, o Amazonas ocupa o terceiro lugar na taxa de óbitos da região Norte. Em relação às capitais brasileiras, Manaus é a terceira em morte por AIDs.

Na avaliação do professor Ederson Gonçalves, que coordena um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeam) sobre a vulnerabilidade do adolescente na contaminação do virus HIV, a doença se tornou invisível à população, principalmente  a mais jovem por conta da falta de políticas públicas de divulgação e da falsa ideia de que ela não mais existe devido ao tratamento que "aparentemente" não deixa sequelas. “Hoje a gente tem o tratamento do vírus e as pessoas perderam essa preocupação,  esse medo de contrair o HIV. Assim trazer essa discussão de novo é importante porque o índice de contaminação tem aumentado principalmente entre os adolescentes”, afirmou.

Uma das responsáveis por um stand que trata de doenças sexualmente transmissíveis, a estudante Kely Cristina Carvalho, 16 anos, fez uma alerta, que parece redudante, mas chega em hora adequada face ao comportamento sexual de grande parte dos jovens. “A AIDS não tem cura.  Apenas é feito tratamento com medicamentos antirretrovirais que são fornecidos gratuitamente pelo SUS. Não combatem a AIDS. Fortalecem o sistema imunológico da pessoa infectada. Outra coisa. Não dá pra ver se o parceiro tem ou não AIDS. Melhor se prevenir e ao manter relações sexuais usar camisinha do que depois se arrepender pelo resto da vida por não ter feito”, declarou a estudante.

Gravidez precoce
Outra consequência da relação sexual sem proteção, a gravidez na adolescência também fez parte do acervo da feira de Biologia. “É um problema porque além de não conseguir acabar nem o ensino médio, como vai sustentar uma criança se ainda esta estudando e não consegue cuidar nem de si mesma. Tenho duas amigas que estão grávidas. Elas têm 15 anos. E outra colega  aqui da sala. E elas não conseguem acabar o ensino médio. A minha prima tem 15 anos. Ela parou de estudar porque não consegue ir à escola e cuidar da filha ao mesmo tempo”, ressaltou a estudante do 2º ano 5, Diana Torres, 16. Ela ressaltou que a troca de informações é importante para que os rapazes também tomem consciência de que a responsabilidade de uma gravidez indesejada é compartilhada. “O homem também tem que ter a noção de que é responsável. Tem que se cuidar assim como a parceira”, disse a aluna.

Para o estudante Richard da Costa Nascimento, vale a máxima de que  “conhecimento é poder”. “Com o conhecimento que adquirimos aqui podemos melhorar o mundo e desenvolver coisas que podem nos ajudar no dia a dia. Podemos ensinar as pessoas a ficarem alerta sobre esses acontecimentos. A informação sobre a reprodução humana pode nos ajudar a prevenir uma gravidez indesejada. É um alerta. Tem que virar normal no dia a dia. Prevenir, evitar certas doenças e a gravidez na adolescência. Temos duas colegas uma estão grávidas, no sétimo mês. E outra que já teve no ano passado. Interfere no estudo. Geralmente não tem com quem deixar o filho para ir a escola”, lembrou.

Na avaliação da gestora Elineze Carvalho, atividades práticas como a feira de Biologia são estratégicas no processo ensino aprendizagem. “Eu percebo que essa atividade contribui muito para o aprendizado dos alunos. Dessa forma lúdica, como eles estão fazendo se envolvendo, contribuiu muito. Eles estão envolvidos. Sabem falar sobre os assuntos de cada sala. A gente esta vendo que houve aprendizagem. Isso é um muito importante para nós.  As aulas deveriam ser assim. Bastante movimentadas, interativas, com atividades diferenciadas, onde eles estão, penso eu, construindo o conhecimento”, afirmou a diretora.

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