Publicidade
Manaus
DEMOLIDO

Obra de construção de feira no Águas Claras é demolida e feirantes denunciam prefeitura

Segundo eles, local possuía permissões para funcionamento. Uma feirante chegou a ser algemada após tentar impedir demolições 18/01/2018 às 14:21 - Atualizado em 18/01/2018 às 15:41
Show 98
Foto: Jair Araújo
Juan Costa Manaus (AM)

Agentes da Prefeitura de Manaus demoliram no início da manhã desta quinta-feira (18) uma obra de construção de uma feira no loteamento Águas Claras, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte da capital. De acordo com  feirantes, a demolição aconteceu de forma irregular, já que o local possuía todos os documentos e permissões para funcionamento.

Com isso, um grupo de aproximadamente dez feirantes se dirigiu até a sede da prefeitura, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste, para pedir por providências. Uma dessas feirantes, Flávia Ketlen, conta que os primeiros tratores chegaram por volta das 5h30 de hoje no local. O susto e surpresa dos moradores foram grandes, pois, segundo eles, uma reunião estava marcada para falar sobre a inauguração da feira.


Local de construção da feira (Foto: Winnetou Almeida)

“Quando nos foi cedida a terra, não havia nenhum projeto para uso dela. Hoje recebemos a notícia de que ela será utilizada para a construção de uma creche, sendo que já há uma creche ao lado”, conta Ketlen.

Em nota a Prefeitura de Manaus informou que a demolição foi realizada em cumprimento de uma Ação Civil Pública de 2017, do Ministério Público Estadual (MPE), quanto à feira irregular em área destinada ao uso público e com equipamento comunitário. Os ocupantes foram notificados diversas vezes para deixarem voluntariamente o local, conforme a prefeitura.

Outro feirante que preferiu não ser identificado, contou que foram feitas diversas reuniões com os órgãos responsáveis. “Nessas reuniões nos garantiram que aquele local seria nossa feira. Quando iniciamos o projeto de construção, o Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano) foi lá e embargou a obra alegando falta de planta arquitetônica. Acatamos e com isso contratamos um engenheiro para fazer essa planta, que nos custou cerca de 20 mil reais. Mesmo após a entrega da planta o embargo não foi retirado”, relata.

Impedidos de buscar pertences

Durante a demolição, os feirantes que chegaram para tentar recuperar alguns materiais e pertences que estavam no local foram impedidos de entrar. “Imploramos para que nos fosse dado algum tempo para falar com algum representante de algum órgão, mas sem conversa. Não nos deixaram entrar e ainda partiram para a violência”, conta Ketlen. Ela afirmou que chegou a ser algemada após tentar impedir os agentes de demolirem a obra.


Flávia Ketlen, uma das feirantes (Foto: Jair Araújo)

Posição da prefeitura

A nota da prefeitura diz também que em 2015 ocorreu uma desocupação de invasão no mesmo local, com a demolição de mais de 15 barracos. Nesta quinta-feira (18), a demolição foi de construções de alvenaria, a maioria ainda sem cobertura, com distribuição de lotes para instalação de uma feira.

A desocupação foi coordenada pela Secretaria Executiva do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (SEGGIM), com demanda do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que vai cercar o espaço, evitando novas ocupações irregulares, já que não é passível de regularização para outras finalidades.

Recomendações feitas

Para evitar que a população sofra prejuízos com a compra de lotes irregulares, o Implurb recomendou sempre que antes de adquirir um lote, o interessado procure informações, junto aos órgãos públicos, como o próprio instituto, para saber se o terreno não é uma área pública, institucional, verde ou de proteção ambiental (APP), já que nessas situações não é permitido o uso para moradias ou mesmo a própria ocupação.

Publicidade
Publicidade