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Manaus
ABANDONO E DESCASO

Feira na Zona Leste tem condições precárias para trabalhadores e clientes

Em condições estruturais precárias, espaços públicos oferecem riscos à saúde de quem vende e de quem compra mercadorias na cidade de Manaus 26/10/2017 às 07:07
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Animais domésticos como cães e gatos dividem espaço com a comida. Foto: Jair Araújo
Isabelle Valois Manaus (AM)

Há 15 anos o feirante Francisco Gomes Batista, 57, trabalha na Feira Municipal da Conquista, localizada no bairro Grande Vitória, Zona Leste, e , ao longo desse período, ele acompanhou a degradação do espaço, que apesar de ter sido inaugurado em 2000, nunca passou por reformas. O resultado de tantos anos de descaso não poderia ser outro: condições precárias de estrutura, segurança e higiene submetem quem vende a condições degradantes de trabalho e, quem compra, a riscos à saúde, uma vez que, além da sujeira, cães, gatos, baratas e até ratos dividem espaço com frutas, verduras, carnes e peixes. 

 “Os peixes e carnes ficam expostos nas bancadas que, para limpar, os feirantes jogam só uma água. Esta água cai no chão, sem nenhuma estrutura para correr até o bueiro. Isso colabora para a presença de moscas e principalmente mucuras, que correm por toda a feira”, contou o feirante, ressaltando que boxes não contam com água encanada. O líquido é mantido em camburões.

Sem freezer ou câmaras frigoríficas, peixes e carnes ficam expostos nos balcões ou mesas de madeira, completamente tomados por moscas. Em alguns casos, as bancadas de madeira estão cobertas por lodo. Onde há freezer para armazenar os alimentos, eles estão encobertos por ferrugem e sujeira. 

Frequentador da feira,  o empresário Ronaldo Montalvão, 46, diz que o descaso e o abandono virou algo rotineiro, não só na feira da Conquista como na maioria dos espaços públicos da cidade. “Sempre procuro as feiras para comprar frutas e verduras e toda vez me deparo com esses problemas de falta de higiene e infraestrutura. Falta  fiscalização dos órgãos competentes”.

Precisando de reforma

Mas nem só da falta de higiene dos boxes é feita a feira da Conquista. Os feirantes reclamam da falta de reparos no local, principalmente no banheiro da feira, que foi construído ao lado da lixeira. Segundo o feirante Francisco Batista, o banheiro está em péssimas condições e o mau cheiro exala por toda a feira, espantando clientes.  A lixeira, que passa semanas sem ser esvaziada, também é outra fonte de mau cheiro.  

“Esse acúmulo de lixo atrai os insetos e os ratos. Sem contar que os lixeiros esquecem de passar por aqui para recolher e mistura com os problemas do banheiro, que também não passa por uma manutenção e nem limpeza há anos. O descaso só piora e nos expõe a doenças, sem contar o risco de contaminação dos produtos que são vendidos aqui”, disse.

E os problemas não param aí, segundo o também feirante Manoel Pereira da Silva, 37. Ele denunciou que as fiações elétricas estão com problema e oferecem risco a permissionários e frequentadores. “Sem contar que a estrutura do telhado está comprometida, pois a madeira que aguenta as telhas está velha”.

Situação semelhante no São José 2

Os mesmos problemas se repetem na feira do São José 2, localizado no bairro do mesmo nome, também na Zona Leste.   Conforme o feirante Romildo Lima, 44, a feira existe há 30 anos e nunca passou por uma grande reforma. 

Por conta disto, quando chove, o bueiro transborda e a feira fica intransitável. Como este bueiro é o mesmo desde a inauguração da feira, ele está entupido e a água suja não consegue descer, ficando empoçada na feira.

“Muitas vezes temos que desentupir o bueiro, caso contrário a água passa dias sem descer e atrai mais insetos. Sempre nos preocupamos com os produtos que vendemos, mas as moscas são inevitáveis”, disse.

A dona de casa Maria Sousa Freitas, 40, contou que sempre que vai à feira procurar ir na banca onde há menos insetos. “Os peixes sempre são tomados por moscas, não sei se existe um meio de evitar esses insetos, mas esta feira precisa de uma manutenção”, comentou.

Blog: Antonio Magela, Infectologista

"Se as feiras estão deste jeito é preciso que os órgãos competentes fiscalizem, pois a contaminação desses alimentos é anunciada. Sem contar que quem ingerir esses alimentos se põe em risco, pois há uma grande probabilidade de intoxicação alimentar aguda que, se não for tratada adequadamente, pode até levar à morte. Os sintomas sempre são parecidos com os de outras doenças, como febre e diarreia aguda. Os alimentos precisam ser bem cuidados e bem armazenados. Agora, se há a presença de insetos, animais e roedores,  é aconselhável não consumir esses alimentos”.

Fiscalização cabe ao DVisa​

O Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa)  da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)  é o responsável por realizar fiscalizações nessas feiras. O A CRÍTICA entrou em contato com a pasta para saber quais as medidas que seriam adotadas e como são feitas as fiscalizações nesses ambientes, mas até o fechamento desta edição eles não haviam se posicionado sobre o assunto.

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