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Manaus
RISCO

Feirantes continuam trabalhando em ponte com risco de desabamento no Novo Aleixo

Subsempab informou que vendedores têm espaço em uma rua paralela até a realocação para um espaço definitivo, mas a maioria não quer mudar de endereço 18/05/2018 às 21:46 - Atualizado em 19/05/2018 às 08:22
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O trecho está em obras de recuperação, mas feirantes permanecem no local. Foto: Euzivaldo Queiroz
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Retroescavadeiras, tratores, valas enormes e risco iminente de desabamento. Nada disso mudou a rotina dos comerciantes informais da rua Itaité, no bairro Novo Aleixo, antigo Mutirão, onde fica uma ponte que se sustenta apenas por uma coluna corroída. Curiosamente, quanto mais risco, mais atração. A rua foi tomada por feirantes e só sobra espaço para transitarem motos. Embora a Prefeitura de Manaus tenha indenizado os moradores e comerciantes, oferecido espaço e condições de trabalho em outra localidade para os feirantes, ninguém quer abandonar o local.

A Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou nessa sexta-feira (18) que vendedores têm espaço em uma rua paralela, até a realocação para um espaço definitivo. Mas, a maioria não quer mudar de endereço.

Mesmo sem ninguém querer deixar a área, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) já iniciou os trabalhos de recuperação da ponte e da drenagem do igarapé.

A prefeitura esteve no local e retirou algumas barracas, principalmente na área da ponte, que corre o risco de desabar. A ação causou revolta entre os vendedores ambulantes. Eles se dividem entre mudar para outro local e permanecer no mesmo. “Não somos contra a demolição e construção de outra ponte. Só queremos saber para onde vamos”, disse Sony Nery, de 36 anos, que trabalha em uma barraca de roupas.

No dia em que iniciaram os trabalhos, muitos dos ambulantes que atuam na área começaram a invadir o local após a via ser interdita para que os trabalhos na ponte não fossem realizados. E após invadirem o trecho central da rua, começou um clima de guerra entre motoqueiros e ambulantes.

O engenheiro superintendente da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Orlando Holanda, explicou que a obra é necessária, pois as pessoas que transitam pelo local correm risco. “É uma obra demorada, impossível de ser rápida, mas não queremos prejudicar esses comerciantes, queremos evitar pânico. Mas essa é uma obra que não podemos mais protelar”, disse. Em nota, a Seminf informou que devido a situação envolver também permissionários a análise está sendo feita com muita cautela.

Queda em vendas e indefinição

A comerciária Isabel de Souza, embora trabalhe na mesma rua e um pouco afastada da zona de risco, sentiu as consequências do problema.  “As vendas caíram bastante. Antes as pessoas passavam de carro, tinham onde estacionar. Agora, só as motos passam e não são todas porque o espaço ficou pequeno”, afirmou Isabel.

Antônia da Silva Castro, 48, não acha justo que a prefeitura retire os feirantes do local sem avisar o próximo destino, depois de 26 anos vendendo pescado na feira. “Ainda não marcaram prazo, mas sabemos que vão retirar a gente daqui. Como disseram que todos nós vamos sair, deveriam dizer quando e para onde vamos. É daqui que eu tiro meu sustento”, disse.

“Todas as noites tem assaltos e mortes aqui. Seis horas da tarde a gente já está fechando porque é a hora que começam os assaltos e até tiroteios”, denunciou um comerciante que não quis ter o nome revelado.

Em risco há mais de um ano

A ponte está com a estrutura comprometida há mais de um ano. Pelo menos uma dezena de feirantes, segundo dados do sindicato dos ambulantes, está trabalhando em área de risco, visto que o piso está rachado e parte do pilar de sustentação desmoronou. Até agora o lugar não foi interditado e alguns feirantes não querem ser removidos porque alegam que o trecho é um bom ponto comercial, mesmo com risco.

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