Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
TRABALHO PESADO

Feirantes relatam dores lombares durante trabalhos em feiras de Manaus

Pesquisa sobre dores lombares dá alívio e sinal de esperança para quem trabalha nas feiras de Manaus



feira_2_73EE1629-75A6-4913-8F02-DE3810D11551.JPG Foto: Arquivo/AC
04/01/2020 às 19:55

As fortes dores que a feirante Cícera Aparecida de Assis, 51, sentia em diversas partes do corpo se tornaram tão intensas a ponto de fazê-la sentir dificuldades para comer: sete quilos perdidos em cerca de três meses. Após o exame de ressonância magnética solicitado por um ortopedista há dois anos, Cícera descobriu uma hérnia de disco, problemas na coluna cervical e na lombar, além de um bico de papagaio.

“Não posso ficar muito tempo sentada, nem de pé”, ressente-se. Os remédios, as sessões de fisioterapia e pilates tampouco melhoraram a situação. “Sentia muita dor de cabeça. Os ossos pareciam fora do lugar, como se estivessem pulsando”, lembra.



Um sinal de esperança surgiu no final do ano passado, quando ela foi convidada a participar de uma pesquisa sobre dor lombar nos trabalhadores das feiras de Manaus.

Tratava-se de um ensaio para o trabalho de mestrado do fisioterapeuta Jaisson Agne Estrázulas, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde, Sociedade e Endemias da Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Depois da triagem, em que foram verificados os pontos mais doloridos, Estrázulas aplicou procedimentos na coluna e na região lombar.


Foto: Arquivo/AC

Alívio

A intervenção trouxe certo alívio e, com as sessões semanais de quiropraxia, Cícera conseguiu obter melhoras na qualidade de vida.

Ela trabalha na feira da Panair, na Zona Sul de Manaus,  e atribui as dores à idade e aos exercícios físicos que pratica na academia há mais de dez anos.

“Começo a trabalhar às 5h e termino às 19h. Hoje, revezo com meu filho”, conta. A depender da posição na hora de dormir, Cícera utiliza travesseiros colocados na cabeça, nos pés e entre as pernas para aliviar o incômodo.

Técnicas

Estrázulas aplicou técnicas de oesteopatia, recurso de terapia manual que visa estabelecer o bom funcionamento do corpo por meio da manipulação da coluna vertebral. As técnicas focadas na coluna têm como objetivo amenizar o desconforto e as dores.

“Eles foram escolhidos devido à falta de estudos com essa população”, explicou Estrázulas, que garante melhora imediata na dor e na mobilidade da coluna lombar.

“E o feirante trabalha mais de 10h por dia, grande maioria 7 dias na semana, com carregamento de carga e na posição em pé, o que favorece o aparecimento de dor nas costas”, acrescentou o especialista.

Em adultos

A maioria dos adultos passa o dia todo andando, sentado ou de pé. A gravidade causa uma sobrecarga aos músculos, ligamentos e discos intervertebrais da região lombar. E levando a uma das causas mais comuns de dores lombares: a compressão discal.

Um dos sintomas da dor lombar é a lombalgia, que corresponde à dor no final da coluna que pode ser acompanhada ou não de dor nas pernas ou glúteos que pode durar menos ou mais de um mês. Ou seja: cuidem-se feirantes para não ter que ter problemas mais graves no futuro e continuar atendendo à população da melhor maneira possível. E com boa saúde, claro!

Grupos divididos em feiras

Os 30 participantes – recrutados nas feiras da Manaus Moderna, Panair, Japiinlândia e Betânia – foram divididos em três grupos. Em dois, Estrázulas empregou técnicas específicas, e um 3º, chamado Placebo, recebeu apenas uma simulação. Depois, verificou-se os efeitos de acordo com variáveis como mobilidade da coluna, dor lombar e outros aspectos biomecânicos, a exemplo da força da musculatura envolvida na coluna.

“A questão da dor lombar é bastante comum, com alta prevalência em pessoas que executam atividades laborais repetitivas”, diz o orientador da pesquisa, João Otacílio dos Santos, professor da faculdade de Educação Física da Ufam.

Os trabalhadores receberam recomendações quanto à variação de posição (em pé, sentado e caminhando) e foram orientados a não permanecer muito tempo na mesma posição, além de carregar a carga mais próxima do corpo ou dividir o peso. No Brasil, não têm estudos específicos com feirantes, mas a prevalência de problemas crônicos de coluna ligados a Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) foi de 18,5% entre os 60.202 indivíduos da Pesquisa Nacional de Saúde 2013.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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