Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
NOVO NORMAL

Feirinha de Artesanato da Eduardo Ribeiro volta a funcionar com restrições

A equipe de A CRÍTICA acompanhou a reabertura da feirinha e constatou que, apesar do movimento considerado bom, os feirantes e a maioria dos clientes respeitaram as normas de distanciamento social e uso de máscara



winnetou_F331C933-087F-44B4-AD70-2E510EBE6CCD.JPG Foto: Winnetou Almeida
05/07/2020 às 12:58

As barraquinhas da tradicional Feirinha de Artesanato voltaram a ocupar a avenida Eduardo Ribeiro na manhã deste domingo (5) após três meses de paralisação. 
Ao menos 178 feirantes (de 280 associados) receberam o público no Centro Histórico de Manaus, de 8h às 14h, com a recomendação de seguir algumas medidas para prevenir o contágio pelo novo coronavírus, tais como disponibilizar álcool em gel aos clientes, manter as barracas distantes umas das outras e as que vendem alimentos tendo que atender somente com 50% de mesas e cadeiras. 

A equipe de A CRÍTICA esteve na avenida Eduardo Ribeiro na manhã de ontem, para acompanhar a reabertura da feirinha e constatou que, apesar do movimento considerado bom, os feirantes e a maioria dos clientes respeitaram as normas de distanciamento social e uso de máscara. Nas barraquinhas de café regional, as mesas contavam com apenas duas cadeiras, só podendo disponibilizar mais quando as mesmas eram ocupadas por uma mesma família. 

Frequentadora assídua da feirinha desde a sua fundação, a autônoma Edith Delles não escondia a alegria de poder voltar a tomar café ao ar livre depois da missa de domingo. 

“Eu gosto muito da feirinha. Acredito que, com cada um fazendo a sua parte, dá para o comércio voltar com segurança, afinal de contas, a vida tem que continuar, né?’, disse ela, que é peruana radicada em Manaus há 40 anos.

Abordada pela equipe de reportagem de A CRÍTICA enquanto saía da Feirinha de Artesanato com duas sacolas cheias de compras, a aposentada Eliete Abreu aprovou as adaptações feitas na organização da feira para a prevenção da Covid-19. 

“Gostei de ver que as barracas estavam bem distantes umas das outras e que todas estavam equipadas com frascos de álcool em gel. Eu particularmente me senti segura vindo aqui. Dá pra voltar mais vezes se continuar seguindo esse protocolo de segurança à risca”, avaliou.

Adaptações

Conforme havia adiantado o secretário municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), Fábio Albuquerque, os permissionários foram orientados a disponibilizarem álcool em gel em local visível e de fácil acesso aos clientes.

“O retorno da feirinha de artesanato é muito importante para os artesãos, para as pessoas que fazem café regional e para a população, como uma opção de lazer no Centro Histórico de Manaus que, também, vai oferecer total segurança a todos durante a pandemia”, assegurou Albuquerque.

Ganha-pão

Já o presidente da Associação da Feira Municipal de Artesanato, Trabalhos Manuais e Produtos do Amazonas, Wigson Azevêdo, destacou que a feira é o “ganha-pão” de muitos artesãos e feirantes da capital amazonense e que, em 20 anos de realização, nunca havia ficado tanto tempo sem funcionar. 

“O melhor desse retorno é os feirantes ganharem um dinheirinho e poder levar o alimento para casa. Foi difícil eles ficarem parados durante esse período, porque eles dependem dessas vendas. Os artesãos, por exemplo, quase na sua totalidade, enfrentaram muitas dificuldades financeiras nos últimos meses”, comentou.

“A expectativa, daqui pra frente, é que todo mundo se conscientize de que, nesse momento, todos devem usar máscara e passar álcool em gel nas mãos com frequência, até mesmo pra mostrar para a população que estamos preparados pra recepcionar os nossos clientes e, assim, termos êxito em nossas vendas. Permissionários com mais de 60 anos ou com comorbidade foram orientados a não retornarem e mandarem outra pessoa para tomar conta da banca”, completou.

Otimismo

Animada com o retorno das atividades da Feirinha de Artesanato da avenida Eduardo Ribeiro, a vendedora Thaís de Oliveira foi a responsável por reabrir a banca de artesanato da sua tia, a artesã Neda Sanders, que não estava presente por pertencer ao grupo de risco.

“Foram três meses longe da feirinha. Vivemos um período complicado demais do ponto de vista financeiro. Tiramos a nossa renda daqui e estamos com esperança de boas vendas”, relatou.

A dona da banca de camisas personalizadas “Debochy Manaus”, Neymara Costa, era só sorrisos ao comentar que esperava um movimento fraco no primeiro dia da feirinha após três meses de suspensão, mas o retorno superou todas as suas expectativas. 

“Nesse período de pandemia passamos a vender as nossas camisas pelas redes sociais. Sinceramente, espero que a situação financeira de todos [os feirantes] melhore daqui pra frente. Estamos cientes de que vai melhorar aos poucos, pois muitas pessoas ainda estão temerosas de voltar às ruas, até porque, embora a feirinha seja considerada um ponto turístico, é muito frequentada por amazonenses”, analisou.

Espaços abertos são mais seguros, diz especialista

Em espaços abertos, como o da Feirinha de Artesanato da avenida Eduardo Ribeiro, quando há uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social, os riscos de contágio do novo coronavírus diminuem bastante, ressaltou o médico infectologista Antonio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

“Em espaços abertos há uma possibilidade maior de dispersão de partículas virais se ela partir da fala, do espirro ou da tosse de uma pessoa que esteja infectada. O ideal, mesmo que as pessoas estejam ao ar livre, é que seja mantido o distanciamento social”, salientou Magela.

“Por uma questão de segurança coletiva, a orientação é que, pelo menos nesse atual momento, todos usem máscara e evitem aglomerações. Infelizmente, ainda vimos muitas pessoas em ambientes abertos sem máscara e, às vezes, muito próximas umas das outras. Nesse caso, mesmo que o ar seja renovado constantemente, o risco de contágio continua muito presente”, alertou.



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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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