Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
TRÂNSITO

Sinalização inadequada gera embaraços na vida de motoristas e pedestres

No que diz respeito às placas com os nomes de ruas, o Manaustrans disse que essa é uma competência do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb)



1102005.jpg No bairro Praça 14, é impossível se guiar pela sinalização que dá nome às ruas do bairro. (Clóvis Miranda)
03/07/2016 às 00:30

Se depender da sinalização instalada na pista de testes de direção do Detran/AM, onde novos motoristas são formados diariamente, os candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) serão reprovados. A Avenida Arquiteto José Henriques, no bairro Santa Etelvina, que faz parte da área de exame e treinamento de direção veicular, mantém placas que servem apenas para confundir os condutores. Como as que indicam a existência de quebra-molas na pista. As ‘lombadas’ desapareceram há mais de um ano, após reforma na via. As placas, porém, continuam lá.  



Na mesma avenida, que deveria ser exemplo no quesito sinalização, já que é usada para ensinar e testar novos motoristas, há várias placas de sinalização que indicam: “não estacione na faixa amarela”. As faixas, entretanto, não existem. Em outros trechos da mesma avenida há quebra-molas instalados, mas sem qualquer sinalização vertical e horizontal, o que aumenta os riscos de acidentes, especialmente à noite, já que os obstáculos que obrigam a redução da velocidade não tem pintura diferenciada, e são da mesma cor do asfalto. 

A sinalização atrapalhada em Manaus não é uma exclusividade apenas de uma via. Os exemplos estão espalhados em toda a cidade. Instaladas em ladeiras e curvas em diversas ruas, ao invés de diminuir, faixas de pedestres vem aumentando o risco de morte. Uma dessas, por exemplo, está afixada no meio de uma curva, no viaduto que dá acesso à pista do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na Avenida Torquato Tapajós. É praticamente impossível para os motoristas enxergarem a faixa de pedestre antes de atravessá-la, já que não há sinalização de alerta.  

Desafio

No bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus, o desafio de turistas e de quem não mora na região é conseguir localizar endereços usando como referência as placas que contêm os nomes das ruas. Na esquina da rua Emílio Moreira com a avenida Japurá, por exemplo, o difícil é saber qual o nome das vias, já que as placas de sinalização ficam no mesmo sentido. Em outras ruas do bairro sequer há placas com os nomes das ruas. Problemas como esse, no entanto, estão espalhados pela cidade. 

Queixas

“Em muitas áreas de Manaus os nomes das ruas só existem nos Apps. Os estabelecimentos comerciais viraram as únicas referências para podermos encontrar endereços”, diz a fisioterapeuta Gisele Monteiro, 32, que se deu conta do problema há três anos, quando começou a dirigir. “Descobri que as placas só existem nos livros que estudei na autoescola”, afirma. 

Ela ainda se queixa dos critérios adotados para a fixação de faixas de pedestres na cidade e também da falta de sinalização dos quebra-molas. “Por falta de sinalização, nas ruas, nos  tornamos os ‘caçadores de quebra- molas”, ironiza. “Muitas faixas pioram o trânsito e ainda colocam a vida do pedestre em risco”, opina a fisioterapeuta. 

O funcionário público Daniel Nascimento, 33, concorda. “Há lugares em que a faixa de pedestre é tão mal instalada que ela é a própria razão dos acidentes naquele ponto”, afirma 
Nascimento.

Em crise, prioridade são outras

O Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) informou que toda a sinalizacão implantada na cidade é resultado de estudos e baseados em análise do volume de tráfego. 

De acordo com o órgão, as placas, faixas de pedestre e demais sinalizações “seguem as normas estabelecidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e tem a finalidade de ordenar a circulação e garantir a segurança dos veículos e pedestres que utilizam as vias”.

O  Manaustrans ressaltou que, em caso de reclamações a respeito de qualquer sinalização, “equipes serão enviadas ao local para verificar a procedência e tomar as medidas cabíveis”.

No que diz respeito às placas com os nomes de ruas, o Manaustrans disse que essa é uma competência do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). 

“No momento, a PMM não tem dotação orçamentária para colocação de placas em logradouros públicos. As prioridades do Município são outras, estando mais concentradas em áreas como saúde, educação entre outras”, disse o Implurb.


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