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Manaus
SAÚDE PÚBLICA

FHemoam vai inaugurar primeiro banco de células-tronco do AM na próxima semana

Material coletado na unidade amazonense fará parte de um banco nacional de células-tronco e poderá ser usado no tratamento de pessoas com câncer de todos os estados do País 12/12/2017 às 05:35
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Centro funcionará em um prédio anexo à sede da FHemoam. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

O Amazonas vai inaugurar, no próximo dia 19, seu primeiro Centro de Processamento Celular, localizado em um prédio anexo da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam). Inicialmente serão coletadas células de cordão umbilical de mulheres que tiveram gravidez sem complicações. Esse material fará parte de um banco nacional de células-tronco e poderá ser usado no tratamento de pessoas com câncer de todos os estados do País. 

Com investimentos de R$ 7 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o centro de processamento  começará a funcionar na próxima terça-feira (19), e o Instituto da Mulher Dona Lindú será a primeiro parceiro. O diretor-presidente da FHemoam, Nelson Fraiji, explicou que serão coletadas, e depois adequadamente armazenadas, células de cordões umbilicais, que são ricos em células tronco. 

“Nós vamos coletar placenta com cordão umbilical, vamos retirar o sangue, vamos processar as células e separar as células importantes, que são chamadas células-tronco. Vamos guardar em congelamento a menos 70 graus (Celsius). Essas células são identificadas de acordo com seu perfil antigênico e essas informações serão disponibilizadas num banco nacional para fins de transplante de medula, ou seja, hora do cordão ou das pessoas”, disse.

O diretor-presidente da FHemoam também destacou a importância da estrutura para armazenar células pensando no perfil genético da população brasileira.

“Essa estrutura faz parte de uma rede e toda vez que se quer armazenar células a gente penso no perfil genético da população. O Brasil tem um perfil genético muito variado porque é uma população miscigenada. Então, se a gente quer construir um banco de células capaz de atender a população, é muito importante que essas células sejam coletadas de populações distintas do País”, disse.

Inicialmente apenas quatro funcionários, entre farmacêuticos, bioquímico e enfermeiros, vão trabalhar no centro e vão coletar material de cordão umbilical de mulheres do Instituto da Mulher Dona Lindú, no Adrianópolis, Zona Centro-Sul. O gestor destacou que a formação e o treinamento para se trabalhar no centro é importante e diferenciada, mas será ampliada após o aumento da demanda nas maternidades do Estado.

Definição

Células-tronco são aquelas  que ao se multiplicarem têm a capacidade de dar origem a vários tipos de células que formam os diferentes tecidos do corpo humano. Por isso, essas células são capazes de regenerar órgãos e tecidos. Existem várias fontes de células-tronco, como o cordão umbilical, a medula óssea, o tecido adiposo e a polpa do dente de leite.

Vantagens da extração umbilical

Inicialmente as células serão coletadas apenas de cordão umbilical, mas a previsão é que se futuramente também se colete células tronco de medula óssea, sem a necessidade do doador se deslocar para outro estado ou para fora do País.

Uma das vantagens de se armazenar células-tronco do sangue do cordão umbilical é a ausência de qualquer tipo de risco para o doador porque o método de coleta é considerado invasivo e são células jovens. Quanto mais jovens forem as células, maior é a capacidade de proliferação. Células imaturas são incapazes de reconhecer um novo organismo como estranho, dessa forma produzem mínima reação quando usadas para transplantes.

Entre as doenças já tratadas com células-tronco estão as leucemias, reuroblastoma, talassemias (anemias hereditárias), imunideficiências primárias, doenças metabólicas. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca),  cerca de 12 mil crianças são atingidas por ano no Brasil por essas doenças.

Hospital do Sangue com obras paradas

Com trabalhos parados há mais de um ano e apenas 30% da obra concluída, o Hospital do Sangue do Amazonas, localizado no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste da cidade, continua sem prazos para retomada dos trabalhos e conclusão do prédio.


Obras da nova unidade estão paradas há mais de um ano e apenas 30% foi concluída. Foto: Antônio Lima

A obra foi iniciada em 2014 com a previsão de conclusão para o ano passado.  O diretor-presidente da FHemoam, Nelson Fraiji, disse que há uma nova licitação em curso.  “Estamos realizando uma nova licitação porque houve um distrato com a primeira empresa. Estamos aguardando o estudo que está sendo realizado na comissão geral de licitação para uma  nova licitação desses 70% do hospital”, disse ele.

Nelson Fraiji destacou ainda que as obras da nova unidade foram interrompidas em virtude da crise econômica. Sobre o início e conclusão das obras, o diretor não soube informar. “Quem define isso é o Governo do Estado. Nós não temos controle sobre isso”, disse. A nova licitação só poderá ser feita mediante o pagamento da contrapartida do Governo do Estado no valor aproximado de R$ 13 milhões.

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