Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Manaus

Fila do desemprego ‘assombra’ manauara em tempos de crise

Até 500 trabalhadores se aglomeram todos os dias nas portas de empresas de RH em busca de uma vaga de emprego 



1.jpg A Desafio RH é uma das empresas a aglomerar candidatos em sua porta em busca de uma vaga nas empresas do PIM
13/05/2015 às 09:14

Uma cena que há anos não era vista em Manaus voltou a fazer parte do cotidiano da capital amazonense. Filas de trabalhadores desempregados em busca de uma vaga de emprego ocupam as frentes de empresas de Recursos Humanos da cidade. As aglomerações de até 500 pessoas começam ainda na madrugada e se estendem por todo o dia. Na porta dos estabelecimentos, avisos informam que não há mais vagas de empregos.

“Quem tiver seu emprego, que segure, porque a situação para quem está fora do mercado de trabalho está muito difícil”, conta Leide Mesquita, 23, que dormiu na porta da Desafio RH, no bairro Cachoeirinha, zona Sul de Manaus, na última segunda-feira em busca de uma vaga.

Ela conta que foi ao local após saber pelas redes sociais que uma amiga que havia “pernoitado” entre domingo e segunda-feira na porta do estabelecimento, tinha conseguido um emprego. “Estou há três meses desempregrada e não encontro vaga em lugar nenhum. Como ela (a amiga) conseguiu, eu fui também, mas no dia seguinte (ontem) quando o RH abriu, a funcionária avisou que não havia mais vaga”, lamentou.

Pela parte da tarde, no mesmo local, mais pessoas faziam fila na porta da empresa. Do lado de fora, o ex-estoquista da Philco, Aldeney Rodrigues, 32, queixou-se da falta de oportunidades no mercado de trabalho local, em especial no setor industrial. “Antes era um problema específico do setor de duas rodas. Agora todos estão demitindo e poucos voltam a contratar. Até mesmo no setor eletroeletrônico, a situação está complicada. A CCE (Lenovo), demitiu mais de duzentas pessoas só ontem”, disse Rodrigues.

Mais Demissões

Além das filas de desempregados que se espalham pela cidade, o número de trabalhadores demitidos não para de crescer, agravando o cenário da geração de emprego na cidade.

Ontem, no setor de homologação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), o operador de máquinas, Deybis de Souyza Reis,30, e outros trabalhadores da Tecnocawa da Amazônia, homologavam suas demissões, após fazer um acordo de pagamento parcelado dos direitos trabalhistas. “A empresa já estava demitindo desde novembro. Algumas linhas não funcionavam e já tivemos duas férias coletivas. Como a fábrica é de bens intermediários do setor de duas rodas, sabíamos que ela estava sendo afetada pela crise que atinge o setor. Mas este ano, tudo piorou. Nós já esperávamos pela demissão”, ressaltou.

Até abril, mais de oito mil demissões

A indústria local - em especial os segmentos de duas rodas e eletroeletrônicos - é o setor mais impactado em relação ao nível de emprego. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), entre janeiro e abril deste ano, 8.870 demissões já foram homologadas, sendo 2.538 delas, apenas no último mês.

Embora, os números não considerem o índice de contratações do Polo industrial de Manaus (PIM), o volume de homologações já é 61,01% superior na comparação com os desligamentos de janeiro a abril de 2014 (5.509).

Segundo o Sindmetal-AM, a fabricante sul-coreana, Samsung, foi a empresa que mais demitiu até o momento (563 demissões), seguida da LG (-458 vagas), da Whirlpool (-386 vagas), da Moto Honda (-375 vagas) e da Cal-Comp (-286 vagas). A Microsoft também registrou demissões expressivas, com 270 postos a menos.

Alto índice de demissões preocupa entidades

O volume e a velocidade com que estão sendo processadas as demissões no PIM são alarmantes e afetam não apenas as empresas ligadas ao setor metalúrgico. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústria de Material Plástico de Manaus (Sindiplast), Francisco Brito.

De acordo com ele, fora os desligamentos realizados pelo Sindmetal (em torno de oito mil homologações), o segmento plástico já demitiu quase dois mil trabalhadores nos primeiros quatro meses do ano, considerando as vagas temporárias.

“Estamos preocupados porque muitas empresas deram férias coletivas e há o risco de que nesse retorno mais demissões ocorram. Não queremos causar pânico, mas não há demanda e as empresas plásticas trabalham fornecendo componentes para as fábricas de bens finais. Se elas não estão bem, nós também não”, alertou.

Situação temporáriaEm contrapartida, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santa, disse acreditar que a situação é atípica e temporária.

“Vivenciamos, além da situação delicada do setor de duas rodas, redução do segmento de condicionadores de ar e alguns casos isolados como o da Le Novo que transferiu sua unidade de informática para São Paulo, ocasionando quase mil demissões”, justificou.

Entretanto, conforme defendeu Santana, o cenário deve melhorar a partir de julho. “Os números são representativos mas o quadro deve ficar melhor em julho. O setor que emprega 126 mil pessoas, não vai demitir em massa do dia para a noite. Em breve, esses números devem recuar”, apostou.


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