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Filas, superlotação e outros transtornos fazem parte do cotidiano de passageiros

Coletivos  já saem do terminal lotado, tornando embarque impossível no trajeto; rotina provoca estresse e confusões 11/11/2013 às 08:50
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A porta do ônibus mal fecha e nem todos conseguem embarcar na linha 320
Mônica Prestes Manaus, AM

Meia hora antes do ônibus da linha 320 sair do terminal, no início da avenida Ayrton Senna, no bairro União da Vitória, Zona Norte, em direção ao Centro, às 6h20, dezenas de passageiros já esperam pelo transporte, em pé, debaixo de sol ou chuva, em uma fila.

Alguns caminharam quase 30 minutos, atravessando o bairro todo e passando por diversos pontos de ônibus para estarem ali. Tudo para garantir uma vaga dentro do veículo e, com sorte, um assento para a viagem até o Centro, que chega a durar aproximadamente duas horas.

Essa é a rotina da auxiliar de disciplina Regina Machado, de 53 anos, que é moradora do bairro e, diariamente, depende do transporte público para ir ao trabalho. “Os ônibus já saem daqui do terminal lotados, então pra garantir vaga, muita gente caminha até aqui. Quem deixa pra pegar o ônibus nas paradas encontra ele (sic) sempre lotado. E depois que o ônibus sai do bairro, entrar vira uma missão quase impossível. Tem dias que a gente não consegue nem colocar o pé”, relatou.

Para conseguir uma vaga no ônibus que sai às 6h20, ela acorda antes das 5h para chegar ao terminal, pelo menos, de 30 a 40 minutos antes do horário. “Não precisa de cálculo nenhum pra perceber que está faltando ônibus. É só usar o transporte público que isso fica evidente”, disse.

Durante a caminhada de aproximadamente 20 minutos da casa dela até o terminal, a coperia Cilene Falcão passa por diversas paradas de ônibus. “Se quiser garantir lugar, não dá pra esperar o ônibus chegar na parada perto da minha casa”, justificou.

Quando o ônibus sai do terminal, ele já está com todos os assentos ocupados e muitos passageiros estão em pé. Ao longo da avenida Ayrton Senna, a principal do bairro, o motorista para em todos os pontos e os passageiros vão se apertando para que todos possam seguir viagem.

Mas, quando sai via da principal do bairro, o ônibus, que ainda vai percorrer toda a extensão das avenidas Torquato Tapajós e Constantino Nery até o Centro, já está superlotado. As portas mal fecham, mas o motorista para no primeiro ponto de ônibus da Torquato Tapajós para quem quiser tentar entrar no veículo. A usuária Carla Lidiane, resolveu “encarar” a lotação e se espremer entre os demais passageiros. “Já caminho até aqui para pegar o ônibus nessa primeira parada da Torquato porque nas seguintes é ainda mais difícil. Todo dia é essa loteria, a gente nunca sabe se vai ter vaga no ônibus. Aí a gente apela pro jeitinho”.

Prefeitura vai organizar linhas
A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que já foram adotadas medidas para identificar problemas nas linhas de ônibus, como superlotação e itinerários, e que a partir deste mês os reflexos começarão ser sentidos.

De acordo com a SMTU, as frotas estão sendo analisadas, assim como linhas que possuem itinerário parecido, para otimizar o sistema. A partir deste mês começarão os ajustes.

Além disso, a Prefeitura adotou o Acordo Operacional (Acop) para melhorar o serviço e corrigir o desequilíbrio econômico-financeiro entre as dez empresas que atuam no sistema, que passou a vigorar em 1º de outubro.

Antes do Acop, também chamado de consórcio operacional, cada empresa era responsável por um grupo de linhas. Com o consórcio, a SMTU faz o planejamento das linhas e determina a quantidade de viagens e frequência e a Acop fica responsável pela execução, ou seja, as linhas poderão ser operadas por qualquer empresa. Se uma empresa não cumprir com a meta, outra passará a ser responsável por ela. E cada viagem não realizada diminui o faturamento das empresas.

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