Sábado, 16 de Janeiro de 2021
RECOMEÇO

Fim de ano é esperança de recomeço para empresários de Manaus afetados pela pandemia

Donos de pequenos negócios tiveram que até mesmo fechar as portas durante o auge da pandemia e agora buscam no aumento de vendas uma chance de cobrir o prejuízo



jugleson_2_0F11CAA9-3446-4A3E-BA2F-127E61943312.JPG Foto: Iago Albuquerque
30/11/2020 às 13:34

Após ter a sua barbearia fechada em maio, devido à crise gerada pela pandemia de Covid-19, Juglelson Dutra, de 35 anos, vê no aumento da movimentação de fim de ano a chance de recuperar parte do prejuízo. A realidade de Juglelson é a mesma de outros comerciantes de Manaus que viram o seu ‘ganha pão’ sendo afetado ao ponto de alguns terem que fechar as portas e que, agora, vivem a esperança do recomeço.

Há mais de 20 anos no ramo da barbearia, Juglelson precisou passar três meses em casa, em cumprimento ao decreto governamental que proibiu o funcionamento de diversas modalidades de estabelecimentos comerciais no estado, durante o auge do número de mortes pela Covid-19 na capital amazonense, entre eles a sua barbearia, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus.



"Devido a pandemia, os comércios tiveram que ser fechados para evitar aglomerações, então passei três meses fechado, sem poder trabalhar, mas eu estava indo à domicílio, marcava na casa dos clientes o dia e horário”, conta, explicando que tinha um cuidado especial com a biossegurança: “Eu ia com todo material higienizado, sempre com álcool em gel, luvas, máscara, protetor facial, todo protocolo que o Ministério da Saúde nos requisitou”.

Ainda segundo ele, quando no período da retomada da economia, a necessidade de se reinventar o trouxe uma nova ideia. Ele decidiu montar uma barbearia na garagem da casa de seus pais, no bairro São José, Zona Leste, o que traria a vantagem da economia com o aluguel, além de maior segurança, já que o local é aberto e arejado, podendo ter maior controle no número de atendimentos diários.


Novo local de trabalho de Juglelson foi resultado de readaptação pós pandemia. Foto: Iago Albuquerque.

“Antes eu trabalhava em um ambiente fechado e climatizado. Tinha meus clientes, no bairro, onde consegui atender por vários anos, mas vi na abertura da unidade na garagem de meus pais uma boa oportunidade readaptação. Hoje atendo desde vizinhos e amigos a antigos clientes, sempre com a segurança e protocolos necessários. Mesmo que o cliente tire a máscara para o barbear, eu mantenho a minha o tempo todo, sempre me higienizando com álcool, lavando as mãos com água e sabão, entre outros”, comentou Juglelson.

Sem clientes

O caso de Juglelson é parecido com o da comerciante Francimeire Sá Meneses, de 48 anos. Ela e o marido são donos de um pequeno mercadinho no bairro Petrópolis, Zona Sul da cidade. A empresária conta que no pior período se viu sem ter como pagar os funcionários.

"A fase mais difícil foi quando vi que não teria como manter os funcionários e pagar as contas. Tivemos que dispensar funcionários e pensei em fechar e tentar negociar as dívidas. A gente não tinha venda, não tinha um cliente sequer. Às vezes passava um dia inteiro sem que ninguém entrasse. Então, pensamos de forma estratégica, reabilitamos a padaria do mercadinho, que estava fechada, pois o pão atrai os clientes. Tivemos bons resultados, mas esperamos ainda dias melhores. Temos esperanças, mas até agora muita gente está trabalhando como informal”, contou.

Oportunidade na crise

Apesar das dificuldades da pandemia, alguns comerciantes conseguira, ainda em meio à crise, buscar uma forma de dar a volta por cima.  Com estratégias de mercado como a entrega à domicilio, a comerciante Letícia Freire, de 27 anos, teve uma experiência diferenciada durante a pandemia no segmento de supermercado. Ela afirma que conseguiu manter o faturamento e após a adoção do serviço de "delivery" durante o pico da pandemia, obteve um aumento de 50% nas vendas. "Como as pessoas não queriam sair de casa e elas estavam praticamente só comprando alimentos e artigos de supermercado, isso fez com que nós vendêssemos bastante", afirmou.


Letícia conseguiu na pandemia uma forma de aumentar o rendimento. Foto: Arquivo Pessoal

A comerciante afirma que mesmo após o período mais crítico da pandemia, e tendo o serviço de entrega diminuído depois da flexibilização das medidas de segurança, ainda assim, o crescimento de vendas tem sido contínuo. "Agora no fim de ano, nós temos uma perspectiva ainda maior de vendas, já que estamos passando por uma reforma e acreditamos que isso trará muito mais visibilidade ao nosso estabelecimento aqui no bairro", disse.

Pandemia de fechamentos

Os exemplos dos comerciantes citados são uma fração da grande quantidade de estabelecimentos que tiveram que fechar as suas portas em Manaus e nas cidades do interior do estado. Dados da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) indica que, durante o auge da pandemia, entre os meses de janeiro a junho, 1.345 empresas fecharam as portas no Amazonas. Nos meses de abril a junho, período de maior isolamento social no estado, foram 495 fechamentos. Junho chegou a registrar 217 encerramentos.

Os números estaduais ‘casam’ com a pesquisa “Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou que na região Norte de 26,3 mil empresas que fecharam as portas, temporária ou definitivamente, na primeira quinzena de junho, 11 mil encerraram por causa da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa mostrou, ainda, que para cinco em cada dez empresas, a pandemia implicou na diminuição das vendas ou serviços prestados ao consumidor nesse período.


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