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Manaus
"ÊXODO" NATALINO

Fim de ano faz fluxo de passageiros aumentar no Porto e na rodoviária de Manaus

Crescimento na rodoviária da capital é de até 70% nas comparação com outros meses do ano, segundo a Arsam 20/12/2018 às 21:24 - Atualizado em 21/12/2018 às 07:25
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Foto: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Já é intensa a movimentação de saída e chegada de passageiros em locais como o Terminal Rodoviário e o Porto de Manaus, dois dos mais tradicionais pontos de viajantes da cidade. Nessa quinta-feira (20) pela manhã, milhares de pessoas se concentravam nessas duas áreas, formando filas, num fluxo bem diferente de outros meses do ano: todos movidos pelo sentimento de rever os familiares.
 
Na rodoviária, por exemplo, o destino era interestadual para pessoas como a autônoma Maria Leila Ferreira da Silva, 45, que esperava na fila para entrar no ônibus e seguir rumo a Boa Vista (RR). É a primeira vez que ela se desloca de Manaus para Roraima, e por um motivo afetivo: visitar o filho, que constituiu família naquela cidade, e passar o Natal e o Ano Novo. A próxima parada será Santarém (PA).
 
“Meu filho está morando lá em Boa Vista e estou indo a passeio para visitá-lo. Para estar com os parentes, tudo é válido. Nos finais de ano eu costumo mais ir para o Pará, para Santarém, visitar meu outro irmão e minha nora. E espero que a viagem seja ótima, já que estamos em tempo de chuva, não é mesmo? No final de ano aflora mais essa questão fraterna, e é sempre bom estar com a nossa família”, comentou.

Enquanto uns vão de Manaus para o interior e fora do Estado, outros vêm, como a agricultora Adecilda Gomes Garcia, 54, que veio do município de Lábrea com os netos Karina, 10, e Leonardo, 3. Indígena Apurinã, ela saiu da sua aldeia na última terça-feira (18) e só chegou ontem na capital, enfrentando ou contratempos como os buracos na estrada, ônibus e carretas viradas e até mesmo ônibus com a porta quebrada até chegar a Manaus.
 
“Saímos de Lábrea meio-dia de terça e umas 16h chegamos em Humaitá. De lá, saímos umas 22h e de lá pra cá para Manaus. A porta (do ônibus) foi arrancada pelo atoleiro. As estradas estão muito ruins. O que me traz aqui a Manaus é passar o Natal e o Ano Novo com meus filhos, que pagam a minha passagem. Nem que seja o Natal eu passo com eles”, disse ela, que tem três filhos na capital e outros três em Lábrea.


Estimativa da Arsam é que o movimento na Rodoviária neste final de ano supere o registrado em 2017. Foto: Jair Araújo

Outro local com bastante fluxo de pessoas neste mês é o Porto de Manaus, num vai e vem tremendo de passageiros dos rios amazônicos, que são as nossas estradas. A estudante de Fisioterapia Roberta Cássia da Silva Ferreira, 23, seguiu na manhã de ontem para Tefé, no navio-motor “Comandante Severino Ferreira”. 

“Sempre faço essa viagem para passar o Natal com a família. Vou rever meus pais, que não vejo há quase um ano, e os meus irmãos. Vai ser muita alegria e emoção”, destaca ela, que está há quatro anos em Manaus.
 
O mesmo barco também conduziu a também estudante Ketlen Anne, 17, só que o destino será Coari. “Vou passar 15 dias lá na cidade e visitar minha avó e meus tios e tias. Meus pais, tias e primas vão também. Sou daqui de Manaus, e é uma alegria enorme voltar”, afirmou a jovem, que vai aproveitar as férias da escola e do curso de inglês.

Logística amazônica: viagem que vira dor de cabeça

Por vezes, as problemáticas da “logística amazônica” se impõem e transformam a viagem de quem está ansioso em rever os seus em uma experiência nada agradável, principalmente  as viagens rodoviárias.

A técnica de segurança Eliene Nascimento, 40, e a dona de casa Jorgete Vieira, que o digam. Ontem, elas estavam, desde as 12h da última quarta-feira, aguardando na fila por uma definição para embarcar na rodoviária, mas não conseguiam viajar para Porto Velho (RO) porque a estrada por onde o ônibus iria transitar estava fechada e o próprio veículo quebrado. 

A condução iria sair às 13h30 de quarta, depois passou para 17h e 22h do mesmo dia, o que não aconteceu.  Elas só conseguiram seguir para a capital rondoniense por volta das 13h30 de ontem, após mais de 24 horas de espera.
 
A técnica comentou que não esperava enfrentar esses problemas. “Se eu soubesse que seria assim não teria comprado as passagens”, disse Eliene Nascimento.
 
“A empresa não nos deu assistência nenhuma, nem jantar, nem hospedagem. Até o banheiro daqui da rodoviária, e o café, nós tivemos que pagar. Há crianças pelo chão, em cima de cadeiras, etc”, disse.

Jorgete Vieira, que aguardava embarcar para a mesma cidade junto com os netos de 5, 8 e 13 anos. “Cheguei 9h de quarta e nada. Banheiros, todas às vezes temos que pagar e nem sempre temos dinheiro. Não comemos e nem tivemos o atendimento adequado. Quem compra uma passagem deveria ter mais direitos. Nunca passei por isso. Falta respeito e consideração conosco”, reclamou ela.

Arsam espera movimento maior que de 2017

Normalmente o mês de dezembro tem um histórico de aumento do fluxo de pessoas que deixam a cidade ou que desembarcam na capital vindo de outros municípios. E, de acordo com Erick Edelman, chefe de fiscalização do transporte intermunicipal da  Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam), a expectativa até o momento é que o fluxo de pessoas supere o quantitativo do ano passado.

“Dezembro, em se tratando da rodoviária, é um mês de recesso, confraternizações e de visitas a familiares e, normalmente, o histórico é que todo mês de dezembro tenha o maior número de passageiros comparado com outros meses. Claro, sem  comparar com festas como Fecani (Festival da Canção de Itacoatiara), é um mês mais intenso já a partir do seu início, com recesso de faculdade, escolas e férias”, explicou.
 
De acordo com Erick  Edelman, até o momento se observa um aumento entre 60% a 70% comparado a um “mês comum”. E a expectativa é que neste mês supere o mesmo período do ano passado. “O que podemos garantir é que a expectativa é maior que a do ano passado, quando tivemos 8.849 veículos fiscalizados e mais de 83 mil passageiros transportados ao longo do mês de dezembro. Só na rodoviária foram 32 mil passageiros. Em face dessa expectativa superior, a Arsam busca aprimorar as ações”, disse o chefe de fiscalização.

Atualmente, a fiscalização da Arsam atua no Terminal Rodoviário, barreira da rodovia AM-010, Ponte Jornalista Phelippe Daou  e avenida das Flores, com um total de 46 colaboradores em sistema de escala.

Fiscalização nos rios

O Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), por intermédio da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), informou ontem que está intensificando a fiscalização de embarcações neste período de fim de ano. 


Movimento de ida e vinda nos barcos de recreio é intenso na orla de Manaus. Foto: Jair Araújo

A inspeção da capitania  trata da segurança do tráfego nos rios e tem como principal objetivo coibir o excesso de passageiros e cargas em embarcações, visando à segurança da navegação e a salvaguarda da vida humana.

Para denunciar irregularidades em embarcações ou informar sobre acidentes, a capitania pode ser acionada pelo WhatsApp (92) 99302-5040.

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