Domingo, 17 de Janeiro de 2021
URGENTE

Fiocruz confirma nova linhagem do coronavírus no AM; veja a nota técnica

Nova variante tem o nome provisório de B.1.1.28 e pode ter sido uma precursora da cepa detectada em viajantes japoneses que tinham passado pela região amazônica



gcg_AA9CD227-4BD0-4911-B5E5-7EFD5027D05E.jpg Foto: Reprodução/Internet
12/01/2021 às 17:00

Uma nova variante do Sars-CoV-2  foi encontrada no Amazonas. A informação foi confirmada ao A CRÍTICA, pelo pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, na tarde desta terça-feira (12). O estudo liderado pelo pesquisador sugere ainda que as as cepas detectadas em viajantes japoneses que tinham passado pela região amazônica evoluíram de uma linhagem viral no Brasil, que circula no Amazonas. A nova variante foi designada provisoriamente de B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y).

“A variante que foi encontrada pelos pesquisadores japoneses a partir de pessoas que estiveram no Estado do Amazonas tem uma série de mutações que ainda não tinham sido encontradas. Algumas delas envolvem mutações na proteína Spike, que é a proteína que faz a interação inicial com a célula humana. Essa variante descoberta no Japão chama muita atenção assim como a variante inglesa e a variante africana porque elas acumularam muitas mutações em pouco tempo, acima do que a gente estava vendo até o momento”, relatou o pesquisador.



Os achados apontam ainda que a mutação detectada na variante B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y) é um fenômeno recente, provavelmente ocorrido entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Ainda conforme Naveca, a mutação não pode ser considera como único fator que causou o aumento de casos no Amazonas neste período.

“Ainda não temos certeza de quando ela surgiu exatamente, mas estamos conduzindo estudos nesse momento para isso. Eu não considero que ela seja única responsável. Primeiro, porque não temos certeza se ela está circulando no Amazonas em grande quantidade. Precisamos aumentar o número de amostras analisadas para ter certeza disso. Mas eu sempre considero que essa situação é multifatorial. Temos o início da temporada de vírus respiratórios no Amazonas que acontece durante o inverno amazônico, onde outros vírus respiratórios também aumentam. Em contrapartida, foi registrado também a diminuição do distanciamento social”, pontuou Naveca.

O pesquisador destacou que a variante identificada nos viajantes japoneses não evoluiu da variante detectada no Rio de Janeiro e demais estados brasileiros.

“Nossa análise também confirma que o novo clado putativo B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y) detectado em viajantes japoneses não evoluiu do clado B.1.1.28 (E484K) detectado recentemente no Rio de Janeiro e em outros estados brasileiros, mas ambas as variantes surgiram independentemente durante a evolução da linhagem B.1.1.28”, descreveu Naveca.

Protocolos permanecem

Mesmo com a confirmação desta nova variante presente no Amazonas, o pesquisador ressalta que os protocolos de saúde devem permanecer os mesmos adotados para as demais variantes.

“Um recado importante é que o vírus mutante, ou vírus original, não atravessam a máscara, eles não resistem a lavagem das mãos com água e sabão ou álcool gel. A transmissão também é evitada com o distanciamento social. Então estamos fazendo um apelo a toda população. Precisamos que todos ajudem nesse momento tão difícil que estamos vivendo novamente no Amazonas e vários estados brasileiros. Precisamos frear a evolução desse vírus. E a gente só faz isso, diminuindo a transmissão e reduzindo o contato com o vírus, seja ele original, ou seja, ele mutante", ressaltou o pesquisador.

Estudos em andamento

O pesquisador informou ainda que está sendo conduzindo um levantamento genômico de indivíduos recentemente infectados com SARS-CoV-2 no Amazonas, com o objetivo de detectar a  circulação dessa linhagem no Estado. O levantamento é realizado em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) e o com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM)
 
Os estudos realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Clique aqui para conferir na íntegra a Nota Técnica publicada pelo pesquisador.

 


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