Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Manaus

Fiscais ignoram comércio ilegal no Centro de Manaus e camelôs perdem clientes

Os ex-camelôs, que hoje atuam nas galerias populares Espírito Santo e dos Remédios, reclamam de prejuízo nas vendas ao concorrerem com os ambulantes irregulares



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Em plena avenida Eduardo Ribeiro, a mais movimentada do Centro de Manaus, vendedores ambulantes irregulares comercializam produtos na calçada, bem na frente de fiscal da prefeitura, que nada fez
07/01/2016 às 19:37

Produtos falsificados, contrabandeados e piratas são, a cada dia, mais fáceis de serem encontrados nas ruas do Centro, onde a atividade ambulante não é permitida pela Prefeitura de Manaus, mas vendedores que ocupam as calçadas, segurando pequenos expositores com todo tipo de produto, não se sentem intimidados  pelos fiscais da Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab), que parecem impotentes diante do comércio clandestino.

As mercadorias ficam em cima de pedaços de papelão, em carrinhos de mão e dentro de mochilas e sacolas grandes, de onde são tirados produtos diversos, como roupas, bolsas, perfumes, brinquedos, massageadores, chips, carregadores de celular, fones de ouvido, entre outros. Muitos vendedores ambulantes improvisam ainda a venda de CDs e DVDs piratas em cima de tabuleiros de madeira. Outros comercializam aparelhos eletrônicos, como celulares, sem a comprovação de origem.

Esse tipo de comércio ilegal é encontrado, sem timidez nenhuma, nas ruas Marechal Deodoro, Quintino Bocaiúva, Guilherme Moreira, Marcílio Dias, Doutor Moreira, José Paranaguá, Henrique Martins e nas avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, todas no Centro.

Prejuízo

Os ex-camelôs, que hoje atuam nas galerias populares Espírito Santo e dos Remédios, reclamam de prejuízo nas vendas ao concorrerem com os ambulantes irregulares que, sem as bancas nas ruas para concorrer com eles, vendem os produtos em diversas áreas do Centro, “tirando” a clientela das galerias populares.

Boa parte da população também é contra essa atividade, uma vez que os ambulantes atrapalham os pedestres por espalharem os produtos nas calçadas. “A prefeitura fez de tudo para tirar os camelôs das ruas, que inicialmente ficaram livres para os pedestres, mas agora as calçadas estão cheias de vendedores ambulantes. Eles ficam oferecendo seus produtos a todo mundo que passa e ainda agem de forma importuna”, afirmou a professora Tânia Medeiros, 38.

Denúncia

Camelôs que ainda não foram retirados de alguns pontos do Centro denunciaram que os fiscais que combatem o comércio irregular naquela área recebem propina para não apreender mercadorias dos vendedores ambulantes. A prova, de acordo com eles, está no fato de os ambulantes comercializarem os produtos na frente dos fiscais. “Eles vendem ao lado dos fiscais e eles não fazem nada. Só andam pra lá e pra cá, sem ao menos abordar esses vendedores”, disse um camelô, que não quis se identificar.

Outros camelôs da área, que trabalham de forma legalizada junto ao órgão responsável, se manifestaram com a mesma opinião, porém nenhum quis se identificar por temerem represálias.

Equipe de 32 fiscais no Centro

A Subsempab informou que a atuação dos fiscais é constante no Centro para inibir a comercialização de vendedores ambulantes. A pasta informou ainda que, atualmente, 32 fiscais trabalham diariamente em dois turnos na área central, divididos em equipes de dois a três fiscais.

Quanto à apreensão dos produtos de ambulantes irregulares, a Subsempab informou que ela ocorre a partir do momento em que os vendedores não acatam o pedido dos fiscais para se retirarem do local. O órgão relatou que há uma equipe de base, que trabalha especificamente com apreensões, e que atua constantemente no Centro, em horários alternados.

Em relação às denúncias sobre vendedores ou fiscais, a população pode oficializá-las por meio do disk denúncia da Subsempab, que atende no número 3663-8488. Caso seja comprovado qualquer desvio de conduta, o fiscal responderá processo administrativo, podendo ser até exonerado, ao final do processo.

Operação

Entre os dias 17 e 31 de dezembro, as subsecretarias municipais do Centro Histórico (Subsemch) e de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab), com apoio da da Guarda Municipal, realizaram uma ação de fiscalização para coibir a prática do comércio irregular nas áreas que foram desocupadas pelos camelôs para a reorganização do Centro Histórico.

 Apreensão

Diversos itens foram confiscados durante a operação, entre eles: dez carrinhos de mão adaptados para a venda de mingau; quatro carrinhos de churrasco; 14 churrasqueiras; sete caixas térmicas usadas na venda de salada de fruta; três motores/geradores de carrinho de “rala-rala”; 15 facas de vários tamanhos; 12 máquinas de suco de laranja; três carrinhos de mão com frutas como tucumã, castanha, banana, manga e  dois carrinhos de mãos com perfumes falsificados.

Diversos

Também foram apreendidos durante a ação de fiscalização, em dezembro, várias caixas de isopor, de diferentes tamanhos, usados pelos vendedores de água, refrigerantes e cervejas; e diversas miudezas, como meias e acessórios para celular, entre outros objetos que eram vendidos irregularmente.


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