Sábado, 25 de Maio de 2019
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Fiscalização da Receita Federal em Manaus frustra o tráfico de drogas via Correios

De panela de pressão a casacos esportivos: traficantes usam métodos sofisticados para tentar enviar as drogas, principalmente para a Europa



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Não era feijão: panela estava ‘recheada’ de maconha do tipo skunk. Fotos: Junio Matos/freelancer
14/05/2019 às 07:00

Todos os dias, materiais ilícitos camuflados no interior de remessas postais nacionais e internacionais que são declarados apenas como sendo objetos, como roupas, cosméticos, peças artesanais e decorativas, circulam no sistema brasileiro de correios. Se não fosse a experiência e dedicação da fiscalização alfandegária da Receita Federal, muitos desses materiais - principalmente drogas - chegariam aos destinatários.

Os fiscais identificam e avaliam a suspeita da existência de conteúdo de importação ou exportação proibido. Essas encomendas são descobertas no meio da viagem e durante o trabalho de rotina dos fiscais da Alfândega, em portos aeroportos e agências dos Correios.

Entre os materiais apreendidos recentemente em Manaus estão porções de maconha skunk escondidas em panela de pressão, drogas sintéticas (LSD), anabolizantes e até agasalhos de times brasilerios de futebol e apostilas de manuais técnicos de arquitetura impregnados com cocaína.

Chama a atenção dos auditores destino dos objetos e a forma como eles são dissimulados para passarem despercebidos das autoridades de fiscalização.

De acordo com o auditor Paulo Galdino, os casacos, por exemplo, estavam indo pelos Correios para a República Tcheca, o que gerou desconfiança dos auditores. “Ninguém vai mandar casacos de frio para um país onde clima frio prevalece”, disse Galdino, ao receber a equipe de A CRÍTICA no início da semana passada, no Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas (CTCE) dos Correios, localizado na Zona Centro-Oeste de Manaus.

Segundo ele, a encomenda foi aberta e, na caixa de papelão, estavam pelo menos sete casacos. Ao aplicar o “narcoteste”, o resultado foi positivo para a presença de cloridrato de cocaína.

Da mesma forma chamou a atenção o envio de uma panela de pressão para Salvador, na Bahia. Ao ser aberta, constatou-se que ela estava “recheada” de maconha. Já as apostilas impregnadas de droga tinham como destino a Espanha.

Conforme o auditor, a maioria das encomendas ilícitas tem como destino os países da Europa.

Nos aeroportos, é comum a prisão de pessoas tentando embarcar levando droga no corpo. Na maioria das vezes, ao passar pelo raio-x, a droga é identificada. Esse tipo de transporte de entorpecentes é muito utilizado por traficantes interestaduais.

Paulo Galdino conta que, além das drogas, as ações dos auditores também apreendem mercadorias de contrabando, que são as que têm a entrada proibida no território brasileiro, e as descaminho, que constitui crime contra a ordem tributária.

A Alfândega da Receita Federal atua permanente nos CTCE dos Correios em Manaus, por onde passam todas as encomendas e cartas que entram e saem da capital.

Não há um dado exato da quantidade de drogas apreendias em Manaus. Conforme o último levantamento da Receita Federal, só em 2018 foram apreendidas 31,5 toneladas de cocaína e 7,9 toneladas de maconha pelo trabalho dos auditores do órgão.

Cigarros e remédios

O cigarro é um dos produtos que tem entrada proibida no Brasil. A entrada deste produto é classificada como contrabando. É também comum a apreensão, pelos fiscais da Receita, de medicamentos que não tem a autorização legal para ser comercializado no Brasil.

Cão ‘Odin’ é peça essencial do trabalho

Paulo Galdino disse que, toda semana, são encontradas encomendas com materiais ilícitos. Estes produtos irregulares são apreendidos e encaminhados à Polícia Federal ou a Polícia Civil. “Nós somos fiscais e não fazemos repressão. Quando, durante o nosso trabalho, encontramos algo ilegal fazemos a retenção”, explicou.

O cão Odin

De acordo com o auditor, a Alfândega atua em portos alfandegados e aeroportos e, na maioria das vezes, os ilícitos são descobertos com a colaboração do agente canino “Odin”, um cão treinado para identificar principalmente narcóticos e que tem conseguido identificar várias encomendas de drogas.

Embora as encomendas muitas vezes estejam muito bem embaladas, envoltas em papel alumínio e papel carbono, o cão “Odin” acaba descobrindo. Elas são identificadas também pelo raio-x ou scanner.

Repórter de A Crítica

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