Sábado, 07 de Dezembro de 2019
DIA MUNDIAL DA SAÚDE

Fiscalização aponta que situação da rede pública de saúde do Amazonas é alarmante

Conselho Regional de Medicina e Defensoria Pública estiveram em unidades para apurar denúncias dos usuários



Capturarfsdfsdf.JPG Falta de leitos é um dos principais problemas apontados pela fiscalização (Foto: Arquivo/AC)
04/08/2017 às 22:25

Após inúmeras  denúncias das péssimas condições do serviço de saúde do Amazonas, o Conselho Regional de Medicina (CRM) e a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) realizaram na sexta-feira (4) e no sábado (5) uma fiscalização nas unidades de saúde de Manaus para apurar as reclamações dos usuários. A ação faz parte da programação alusiva do Dia Nacional da Saúde comemorado no último  sábado.

Para o presidente do CRM, José Bernardes Sobrinho, a data,  infelizmente, não é de comemoração para o Estado do Amazonas. Segundo o presidente, o estado nunca esteve tão precário no quesito  saúde pública como vive no atual  momento. Além de atuar na frente do CRM, Bernardes atua nas unidades hospitalares do João Lúcio e no Platão Araújo, ambos na Zona Leste e, por conta disso, conhece de perto a realidade e atual situação do serviço de urgência da capital no dia a dia. 



Bernardes afirmou que as unidades hospitalares passam por problemas sérios com a falta de leitos e, por conta disso, dentro dos hospitais há pacientes internados em cadeiras. A preocupação dele é que a situação venha a piorar e ocorra o mesmo problema que tem ocorrido em Rondônia, onde os pacientes precisam comprar folhas de papelão para consiguirem  serem internados nos chãos dos hospitais públicos. 

“Não estamos longe disso e isso nos preocupa. Quando estou em plantão em uma das unidades hospitalares da capital, se não tiver leito, não deixo que os pacientes sejam retirados das macas das ambulâncias, a pessoa está passando mal e deve pelo menos ter um leito digno, com um colchão e lençol e não ser deixado em uma cadeira de ferro como tem ocorrido nas unidades locais”, comentou o presidente do CRM. 

Além dos problemas dos leitos, o presidente também relatou a falta de materiais básicos para o atendimento e realização de cirurgias, como roupas cirúrgicas, luvas e até soro. “Trabalho há 40 anos no sistema de saúde do Amazonas, fui professor universitário do curso de medicina tanto da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) como também da UEA (Universidade Estadual do Amazonas) e nunca tinha presenciado uma situação como essa ocorrida na saúde pública do Amazonas nestes últimos meses, falta de tudo e isso é um absurdo”, detalhou.

Conforme o presidente do CRM, há oito anos o serviço de urgência do Amazonas era visto entre os melhores serviço do Brasil, mas hoje é possível que esteja entre os piores. Para que a DPE conheça de perto a realidade da saúde pública do Estado, o conselho sugeriu a fiscalização dos serviços. Mas Bernades reforçou que a saúde não só envolve o serviço de atendimento, mas também educação segurança e outros ramos que também passam por decadências nesses últimos anos.

Durante o mês passado,  José Bernardes Sobrinho, participou de uma reunião com o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, e relatou todos os problemas que a saúde do Amazonas tem passado, e pediu providências para o descaso.

Mais de 18 mil leitos fechados

Conforme o presidente do CRM, José Bernardes Sobrinho, os problemas de saúde se agravam em todo o País. Ele informou que durante os últimos 10 anos, mais de 18 mil leitos foram fechados em todo o Brasil, resultado do desvio de verbas direcionada para a saúde. 

“Se o governo federal destina R$ 10 para o serviço de saúde, como exemplo, R$ 4 chegavam ao serviço e R$ 6 sumia. Até hoje ninguém sabe onde esses R$ 6 foram parar. A situação é bem complicada não só no Amazonas, outros estados estão passando por problemas semelhantes ou até mesmo piores”, disse.

Outro problema apontado por ele, que afeta a área de saúde, é o aumento de pessoas desempregadas. Conforme Bernardes, até o momento são mais de 26 milhões de pessoas que deixaram de ser assistida pelo serviço privado de saúde e recorrem ao serviço público. Como a oferta é menor que a demanda o sistema não consegue atender a todos.

Desvio de verba e sobrecarga

Para Renato de Oliveira, um dos coordenadores da regional norte da Ordem dos Médicos do Brasil, a saúde da população amazonense está completamente largada e desassistida. Ele relacionou o fato com os problemas sérios de desvio de verba e agora com os atrasos contínuos do pagamento dos salários dos médicos.

Conforme Oliveira, que também faz parte da direção do Sindicato dos Médicos do Amazonas, o que se observa que quem cuida da população amazonense hoje está precisando de cuidados, pois os médicos tem trabalhado com sobrecarga tanto de trabalho como psicologicamente.

Ele também reforçou a importância do cumprimento de medidas para ser realizado concursos públicos para o interior do estado. Ele reforça que o interior precisa ser assistido pelos profissionais de saúde.

Susam

O secretário estadual de Saúde (Susam), Vander Alves, reconheceu que a  situação da saúde do Amazonas não é boa. "'Mas o problema não ocorre só no nosso estado, é uma realidade do Brasil, principalmente por conta da crise", disse.

"A saúde no Amazonas tem muitos problemas tanto na capital como também no interior, mas estamos buscando soluções imediatas, e estamos trabalhando para melhorar nossas urgências que são principais, depois disso estamos focando durante esses 90 dias na diminuição das filas e suprir o nossos estoques de materiais. Não tem como resolver tudo nesse pouco tempo, mas estamos trabalhando para melhorar", prometeu.


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