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Flanelinhas do Centro de Manaus praticam extorsão a céu aberto

Motoristas têm que aguentar os “donos da rua”, que não aceitam mais moedas ou R$ 2. Eles exigem notas entre R$ 7 a R$ 10 para “olhar” os carros 21/12/2015 às 10:01
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FlanelinhasPara não ter o veículo danificado, a maioria dos motoristas cede à extorsão e paga para não sofrer as consequências
Náferson Cruz Manaus

Além dos engarrafamentos diários no Centro de Manaus, os motoristas enfrentam outro problema quando finalmente encontram um lugar para estacionar: os flanelinhas.

Eles não perdem tempo e, antes mesmo do motorista sair do carro, a abordagem é feita.  Nada de moedas ou uma nota de R$ 2. Eles exigem entre cinco a sete reais. Em algumas situações, até R$ 10 para dar uma simples “olhadinha” no veículo.

Para não ter o veículo danificado, a maioria dos motoristas cede à extorsão e paga para não sofrer as consequências, como ter o veículo arranhado, vidros quebrados e até objetos furtados.  Os valores cobrados, às vezes, ultrapassam R$ 5, dependendo do local em que se está estacionado.

Em alguns casos, como na rua José Clemente, nas imediações do Palácio da Justiça, os flanelinhas chegam até a se impor e cobram o pagamento por meio de um pequeno papel, entregue ao motorista, o qual informa o valor a ser pago.

Mesmo com a presença de agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), os flanelinhas não se inibem e continuam cobrando dos motoristas. A ação dos flanelinhas nas ruas do Centro  é algo que extrapola o bom senso e tira o motorista do sério.

“Me pediram  R$ 5 para estacionar, isso é um absurdo, vou resolver uma situação em frente ao local de onde estacionei na rua José Clemente e não vou passei dez minutos”, disse o empresário Rodrigo Lacerda.


Motoristas sofrem pra estacionar no Centro. Antônio Lima

Não faltam exemplos e provavelmente a maioria dos motoristas que vão ao Centro nesta época do ano já passou por situações adversas, impostas pelos flanelinhas.  “Se deixo o meu carro na rua é porque não quero pagar estacionamento ou porque não tem vaga. Porém, aparecem os ‘flanelas’ e exigem o pagamento e, se você dá uma moedinha, reclamam e xingam”, desabafa uma motorista.

Outro caso ocorreu na rua 10 de Julho, ao lado do Palácio da Justiça e da Santa Casa. “Estacionei neste local e, logo retornei em menos de uma hora. Durante o caminho até onde estava estacionado o meu carro de longe um dos flanelinhas gritou dizendo que, devido ao Natal, o estacionamento era R$ 5, mas dei R$ 2. Ele fez isso por eu ser mulher, a rua não ter nenhum policiamento próximo e estar sem movimento devido ao bloqueio da avenida Eduardo Ribeiro”, comentou a funcionária pública, que preferiu não se identificar.

Segundo ela, o flanelinha reagiu e disse que era R$ 5 e que ela, pelo menos, desse mais R$ 2. “Disse que não daria. Então o flanelinha ordenou que, da próxima vez, não era para euestacionar lá, na rua pública. E não irei mesmo, por temer por minha segurança”, lamentou.

Em locais impróprios

Ainda na rua José Clemente, agentes do Manaustrans multaram ao menos 15 veículos estacionados em local impróprio. Revoltado, o proprietário de um dos veículos disse que só estacionou no local porque um dos fanelinhas disse que não haveria problema e que, dificilmente, a fiscalização passava por ali, em razão da via que estava bloqueada por conta da reforma de parte da Eduardo Ribeiro.


Agente de trânsito em fiscalização no Centro. Antônio Lima

Outras ações irregulares foram constatadas na avenida Eduardo Ribeiro. Para garantir as vagas, cones e latas são colocados ao lado de calçadas e nos pontos de estacionamentos. “Estou há meia hora tentando estacionar, porém as vagas disponíveis estão obstruídas com cones e outros objetos”, disse Wanderley Santos, 45, autônomo.

O capitão Rayleno Pereira, comandante da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que atende a área do Centro, informou que a polícia age mediante a denúncia e, quando confirmada, as partes são encaminhadas a delegacia. Quanto à atuação dos flanelinhas, a intervenção cabe à prefeitura, alegou Pereira.

600 flanelinhas

Segundo estimativa da Associação dos Guardadores e Lavadores Autônomos de Veículos Automotores do Estado do Amazonas (Aglavam), atualmente 600 flanelinhas atuam nas ruas do Centro. A associação buscar alternativas para atuação deles.

Sistema Zona Azul

O sistema de estacionamento rotativo “Zona Azul”, que será implantado no Centro de Manaus, foi assunto debatido entre representantes da prefeitura e da Aglavam. Os guardadores querem garantir que sejam cadastrados os verdadeiros “flanelinhas” como colaboradores do sistema.

Projeto sob análise

O Projeto de Lei nº 131/2014, que proíbe o serviço de guardadores de veículos (flanelinhas) em ruas e avenidas e logradouros públicos, foi aprovado pela Câmara Municipal de Manaus (CMM). A proposta está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

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