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Manaus
MANIFESTAÇÃO

Flanelinhas vão a CMM repudiar projeto de lei que proíbe a atividade em vias públicas

O projeto de lei contestado pelos flanelinhas, de número 131/2014, é assinado pelo vereador Ednailson Rozenha (PSDB), que categoriza a atividade dos guardadores e lavadores como “coação e extorsão” 21/11/2016 às 17:31 - Atualizado em 21/11/2016 às 19:28
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Cerca de 70 flanelinhas participaram do ato, que terminou com os vereadores se comprometendo a marcar uma audiência pública para debater o tema (Foto: Lucas Jardim)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Cerca de 70 guardadores e lavadores de veículos, os chamados flanelinhas, compareceram nesta segunda-feira (21) à sessão da Câmara Municipal de Manaus (CMM) para protestar contra um projeto de lei que veta o exercício da atividade nas vias públicas da cidade.

Impondo-se em meio aos trabalhos legislativos com gritos e cartazes, a categoria conseguiu mobilizar os vereadores a debater mais amplamente o tema. Ao final da sessão, Hiram Nicolau (PSD), presidente em exercício da Casa, informou que uma moção será apresentada hoje no plenário, marcando uma audiência pública envolvendo a classe e outros setores da sociedade.

O projeto de lei contestado pelos flanelinhas, de número 131/2014, é assinado pelo vereador Ednailson Rozenha (PSDB), que categoriza a atividade dos guardadores e lavadores como “coação e extorsão”.

“A sociedade não aguenta mais conviver com isso. [Os flanelinhas] são uma classe que precisava dar valor a seu trabalho e não deu, porque se eles tinham uma associação que geria [a atividade], ela deveria ter visto que havia cinco vezes mais flanelinhas do que os cadastrados e estavam praticando vilipêndio pela cidade de Manaus”, disse o vereador.

O proposta de Rozenha altera a lei 094/2003, que regulamentava a atividade de flanelinha na cidade, limitando o exercício dessas atividades a áreas privadas, mediante autorização expressa do proprietário dessas áreas.

“[Quando aprovamos a lei 094/2003], não imaginávamos que isso iria virar o problema social que virou. Flanelinha em Manaus é um problema social, e se foi aqui [na CMM] que foi feito esse equívoco, é aqui que ele será resolvido”, explicou.

Ele disse que a prática “particulariza o público”. “Eu não posso estacionar [na rua] e ser obrigado a pagar pra estacionar e se proteger do próprio guardador. [...] Será possível que os flanelinhas [aqui] viraram uma milícia, como no Rio de Janeiro?”, questionou, reiterando sua afirmação prévia de que “90% deles são marginais”.

Maioria é honesta

Henrique dos Santos, presidente da Associação dos Guardadores e Lavadores de Veículos do Amazonas (Aglavam), uma das entidades de classe presente no ato, informou que há mais de 1.200 flanelinhas em toda a cidade, e que a grande maioria deles é honesta e  não crê que uma medida que tire o trabalho da categoria é a solução para o problema.

Em relação à parcela da população que não aprova o trabalho dos associados, ele responde que a associação buscou alternativas, incluindo apoiando o projeto Zona Azul, anunciado pela Prefeitura de Manaus, mas ainda não implementado.

“Nós aceitamos o programa, chegamos a selecionar os trabalhadores, vimos toda a documentação, fizemos senhas para encaminhá-los ao Sine para que fossem qualificados, e o programa não aconteceu. Isso fez a gente perder credibilidade com os intrusos”, declarou.

Para o líder do Governo na Casa, Elias Emanuel (PSDB), o Zona Azul ainda está nos planos. “A Prefeitura tem o compromisso da implantação do programa, que oferece uma oportunidade para vários daqueles que hoje já exercem a função [de flanelinha]. Nós esperamos que, no ano que vem, ele já seja uma realidade”, concluiu.

Blog: Henrique dos Santos, presidente da Aglavam

“Nós viemos mostrar que nós não somos marginais da forma  como [Ednailson] falou. Desse povo que está aqui, se ele quiser escolher três, quatro, para tirar antecedente criminal, ele vai ver que todo mundo aqui é pai de família, trabalhador. Viemos para conversar. Eu acredito que tirar o trabalho dessas pessoas não vai resolver [o problema]. Na crise em que estamos, com essa falta de emprego, só vai piorar. Se os vereadores conversarem com a gente e a gente falar a mesma língua, eu acredito que vai dar certo. Nosso trabalho é importante, porque a gente, estando na rua, intimida qualquer ato de assalto, de extorsão, de furto. Sem a gente, acho que vai ficar pior”, declarou.

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