Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
ALERTA

Fogos de artifício: especialistas orientam sobre riscos e como agir em acidentes

Nessa temporada de festas de fim de ano é preciso redobrar os cuidados para evitar acidentes com os artefatos, pois muitos dos danos causados podem ser irreversíveis



soltando-fogos-artificio_297E3078-9C73-4964-BE45-F763639C0A36.JPG Foto: Winnetou Almeida/Arquivo
25/12/2018 às 08:05

Os fogos de artifício são bonitos quando estão no céu, mas podem ser um perigo quando ainda estão no chão. Nessa temporada de festas de fim de ano é preciso redobrar os cuidados para evitar acidentes com os artefatos, pois muitos dos danos causados podem ser irreversíveis – e vão das queimaduras, acidentes mais comuns, a amputações de membros, e até mesmo perda auditiva. Todo cuidado é pouco para não transformar essa época de confraternização e alegria em dor e sofrimento.

Os riscos com o mau uso de fogos de artifício não são apenas de queimaduras, mas também de mutilação dos dedos, mãos e rosto, alerta o cirurgião plástico Carlos Medeiros, coordenador do Centro de Tratamento de Queimaduras do Hospital (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, referência na região Norte neste tipo de atendimento. “É preciso manusear os fogos de artifício com responsabilidade, principalmente se tiver crianças por perto, porque os acidentes com estes artefatos podem causar queimaduras de até terceiro grau. É necessário ficar de olho nas crianças, principalmente as pequenas, que não têm a noção do perigo que os foguetes representam”, adverte.

Com a experiência de quem lida com casos de queimaduras há mais de 30 anos, Medeiros conta que nos últimos anos houve uma diminuição desse tipo de acidente em Manaus, principalmente por conta da propagação dos esclarecimentos a respeito do uso correto e seguro dos artefatos. “No fim do ano passado tivemos apenas dois casos graves”, diz, frisando que o perfil dos acidentados com foguetes que dão entrada no hospital são mais adultos e que pelo menos 15% destes estão sob efeito do álcool.

Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), de 2014 a 2017, o número de internações causadas por acidentes com rojões se mantém estável na capital, oscilando de sete a oito por ano. Se ampliarmos as causas (além dos fogos) de queimaduras, leves e graves, ocorridas em outros períodos do ano, como a Copa do Mundo e as festas juninas, no total, de janeiro a novembro de 2018, o CTQ do Pronto-Socorro 28 de Agosto atendeu 638 pacientes.

Compra segura

O cuidado, aliás, já deve começar no ato da compra dos fogos de artifício. “Ao comprar, verifique as condições da embalagem, geralmente elas são lacradas, não podem apresentar umidade e nem amassados. Essas características são fundamentais para ter uma ideia de como os fogos são estocados”, orienta o sargento Dênis Ferreira, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).  Além disso, é fundamental comprar os fogos em estabelecimentos inspecionados, já que nesses lugares os atendentes são orientados a não venderem para menores de idade, bem como passar as orientações quanto ao uso correto dos fogos de acordo com a classe de cada um deles.

Bombeiros orientam população

O bom senso deve prevalecer nos festejos de fim de ano sempre.Antes de acender os rojões para celebrar a chegada do Ano Novo, é preciso estar em um local aberto, longe de pessoas e de materiais inflamáveis

“Jamais use isqueiros para acender fogos de artifício. Utilize palitos de fósforo longos e de boa qualidade. E nunca reutilize um fogo de artifício que tenha falhado’’, ensina o sargento Dênis Ferreira.

É recomendável também soltar foguetes longe de janelas, portas e residências onde tenham bebês, pessoas idosas e animais domésticos, os que mais sofrem com os estampidos, que também podem causar danos, como alerta o médico otorrinolaringologista Álvaro Siqueira.

“Em casos mais graves os estampidos podem lesar as células do ouvido responsáveis pela transmissão dos sons, o que pode trazer uma perda definitiva da audição. Inclusive a pessoa que vai manusear os fogos deveria usar um protetor auricular. E quem vai assistir à queima dos fogos deve estar a uma distância mínima de 20 a 40 metros”, orienta.

Como agir em casos de acidentes

Em caso de queimaduras causadas por fogos de artifício que apresentem apenas vermelhidão, a orientação é fazer uma compressa de água fria no local afetado para esfriar a região e, em seguida, cobrir com um pano limpo.

Já em casos de lesões mais graves, que apresentem bolhas, inchaço e secreção, ou lesões causadas por explosão próxima ao rosto ou que tenha provocado “esmagamento” da mão, a orientação é procurar socorro médico. Em todos os casos é preciso deixar de lado as “receitas caseiras” como passar pomadas, manteiga, pó de café ou creme dental, pois estes produtos só aumentam as chances de infecção no local afetado.

Socorro

Em caso de acidentes com fogos de artifício procure assistência ligando para o 193 (Corpo de Bombeiros) e o 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

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