Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Manaus

‘Foi só mídia. Era ano de eleição’, lamenta amazonense afetada pela cheia

Ao verem o volume do igarapé do Quarenta aumentar, moradores dizem que contam com a “ajuda dos céus” para não sofrer outra vez



1.gif Água do igarapé do Quarenta, na rua Daniel Servalho, na Raiz, avança pela via. Ano passado as casas foram inundadas
02/05/2013 às 11:12

A casa de número 19 na rua Ipiranga, bairro Raiz, Zona Sul, foi uma das mais afetadas pela cheia recorde no ano de 2012. A camelô Meire Jane Marreiros, 46, lembra que, em virtude da calamidade, ela e os vizinhos receberam a visita de uma comitiva de políticos, entre eles, o governador Omar Aziz (PSD), vereadores, deputados estaduais e federais. Os moradores ouviram muitas promessas de mudança na área para evitar que, novamente, sofás, camas e eletrodomésticos fossem levados pelas águas. Passado exatamente um ano, nada mudou. “Foi só mídia. Era ano de eleição”, resume Meire Jane.

Ao verem o volume do igarapé do Quarenta aumentar, com bem menos força que em 2012, os moradores dizem que contam com a “ajuda dos céus” para não sofrer outra vez as consequências da enchente no Amazonas. “Fiquei mais de um mês fora de casa. Perdi estante, sala de jantar, mesa, armário”, diz Meire Jane, ao listar as perdas que teve na cheia de 2012.  “Gastei quase R$ 5 mil depois para tentar reformar a casa. Tudo que tivemos foi só promessa dos políticos que passaram por aqui. A única ajuda que recebi foi saco de lixo, vassoura e detergente. Estamos na esperança de que a cheia não seja igual à do ano passado”, comenta.


Na rua Daniel Servalho, também no bairro Raiz, por onde a comitiva de políticos passou, a água do igarapé novamente começa a invadir a pista. Quem mora na área sabe que a enchente será menor que no ano passado, porque no mesmo período, em 2012, a água já estava dentro das casas. Mas a expectativa de que o rio continue a subir pelos próximos 45 dias, como estima o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), preocupa os moradores. “Há sete anos esperamos que o Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) passe por aqui. Fizemos diversos cadastros, mas, até agora, foi só promessa”, registra o autônomo Antenor Júnior, 18, que reside na rua Daniel Servalho.

Vizinho dele, Raimundo Carvalho, 57, reforma a frustração com as promessas. “Cadastro a gente já fez muitos. De novo, a água começa a subir e o sufoco vai ser o mesmo”, comenta Carvalho, que vive no local faz 34 anos. O sucateiro Mariano Sena Lucas Filho, 60, que mora no local há cinco anos, já espera que a água invada de novo sua casa.

A assessoria de imprensa do Prosamim foi procurada, nessa quarta-feira (01), para informar quando o programa vai passar pelo bairro Raiz, mas não foi localizada. Em 2013, o Estado iniciou a terceira etapa do projeto, com a retirada de famílias da Bacia do São Raimundo.

Segundo o governo, até o dia 3 de abril deste ano, 1.400 famílias que moravam na área foram reassentadas. A obra do Prosamim III vai custar US$ 400 milhões, sendo US$ 280 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e US$ 120 milhões do Estado. O Prosamim já consumiu, ao todo, mais de R$ 1 bilhão.

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