Domingo, 15 de Setembro de 2019
Manaus

Formação de cartel: sindicato e ex-dirigentes são multados em R$ 6,6 milhões

Os dirigentes do Amazonpetro, no ano de 1999, Valdir Duarte Alecrim e Abdala Fraxe (PTN), este último atualmente deputado estadual, foram multados em R$ 800 mil, cada um. A decisão é terminativa e, portanto, não cabe recurso



1.gif Sindicato é condenado por formação de cartel
06/03/2013 às 20:16

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou, na noite desta quarta-feira (06/03), por formação de cartel de combustível na capital Manaus, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Amazonas (Amazonpetro) ao pagamento de multa de R$ 5 milhões.  Seus dirigentes, no ano de 1999, Valdir Duarte Alecrim e Abdala Fraxe (PTN), este último atualmente deputado estadual, foram multados em R$ 800 mil, cada um. A decisão é terminativa e, portanto, não cabe recurso, informou a assessoria do conselho.

A multa foi calculada em UFIR (Unidade Fiscal de Referência), hoje estabelecida em R$ 1. A ação é fruto de denúncia encaminhada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 1999 de formação de cartel na capital. Os seis conselheiros acompanharam o voto do relator, conselheiro Marcos Paulo Veríssimo, que seguiu o parecer do MPF pela condenação dos envolvidos no processo. O cartel ocorreu, segundo o relator, entre os anos de 1999 e 2005.

O relator entendeu que a forma econômica indicou uniformidade de preço à época. Na leitura do voto, ele explicou que, conforme depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de Manaus (CMM), proprietários de distribuidoras confirmaram que havia reuniões no sindicato para tratar dos preços nos postos da cidade. Inclusive, um dos distribuidores confirmou que sofreu pressão para aderir ao valor “combinado” pelo Sindicato e, ao se recusar, no dia seguinte, Abdala Fraxe, que era vice-presidente da Amazonpetro, divulgou nota alegando que o produto comercializado pelo empresário era adulterado.

“Luiz Mariano Cabral Rebelo, proprietário da distribuidora Petroamazon, disse em depoimento (à CPI) que foi convidado pelo sindicato Amazonpetro a ir à reunião e lá foi colocado que os postos deveriam praticar o valor igual. Houve pressão de Abdala Fraxe Junior, vice-presidente da Amazonpetro, que sugeriu que ele aumentasse o preço do combustível e se não atendesse ao pedido, ‘a coisa ia feder’”, lembrou o relator em leitura do parecer do MPF.

O depoimento foi primordial para caracterizar a materialidade da conduta, ou seja, a formação do cartel. O relator ressaltou, ainda, que a CPI dos Combustíveis apontou que 95% dos postos da cidade praticavam preço igual na venda do combustível e, inclusive, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) apresentou levantamento apontando número parecido: 89% das revendedoras praticavam o mesmo preço, com variações mínimas.

A equipe de acritica.com tentou contato com o deputado Abdala Fraxe pelos telefones 9337-XX19 e 8112-XX83, mas não obteve sucesso. Representantes do Amazonpetro também foram procurados pelo telefone 35843700, mas ninguém atendeu as ligações às 20h, meia hora após o término do julgamento no Cade. Valdir Duarte Alecrim não foi localizado para falar sobre o assunto.

Memória

O deputado estadual Abdala Fraxe (PTN) foi condenado, em 2010, a seis anos e meio de prisão, em regime semi-aberto, para cumprimento de penas pelos crimes de formação de quadrilha e crime contra ordem tributária, econômica e relações de consumo. A decisão foi assinada, à época, pelo juiz José Airton de Aguiar Portela da 4ª Vara Federal.

Antes de assumir o mandato, em 2011, Fraxe atuava apenas como empresário. Contudo, como deputado estadual, ele possuía imunidade parlamentar e só poderia ser preso em flagrante durante prática do delito. A condenação foi o resultado da ação penal 2003.32.00.001896-0, proposta pelo MPF, decorrente da “Operação Carvão” deflagrada pela Polícia Federal, que desarticulou uma quadrilha formada por 15 donos de postos de combustíveis.

Eles foram denunciados por criação de um cartel para unificar o preço de venda de combustíveis e derivados de petróleo, em Manaus. 



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