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Fuga em massa durante rebelião do Ipat nesta terça-feira (9)

De acordo com informações de agentes penitenciários, 12 pessoas foram feitas reféns. Restrições durante as visitas – entre elas a diminuição da quantidade de comida que os familiares poderiam levar aos presos – e procedimentos durante as revistas no Ipat são apontados como motivos. Presos exigem o fim do bloqueador de celular na prisão e que o Ipat tenha somente internos do Primeiro Comando da Capital (PCC). 10/07/2013 às 16:08
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Policiais recapturaram detento que fugiu por buraco na grade durante a rebelião
Bruno Strahm Manaus (AM)

Internos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no quilômetro 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista) começaram uma rebelião no fim da tarde desta terça-feira (9), quando colchões foram queimados. Pelo menos 11 agentes penitenciários foram feitos reféns e houve fuga em massa.

Segundo informações do coronel da polícia militar Aroldo Ribeiro, do Comando de Policiamento Especial (CPE), as negociações para a entrega dos presos deve se estender até as primeiras horas de quarta-feira (10). Dois dos reféns foram soltos pelos rebelados. Ambulâncias e o Corpo de Bombeiros, além de um forte efetivo da polícia militar estava de prontidão no local.

Os motivos apontados pelos parentes dos internos para a rebelião seriam as restrições durante as visitas – entre elas a diminuição da quantidade de alimentos levada por familiares – e procedimentos dos policiais durante as revistas nas celas.

O secretário de Justiça do Amazonas, Wesley Aguiar, confirmou a fuga de presos. Nesta manhã, a Polícia Militar informou que 172 detentos conseguiram fugir durante a rebelião. Destes, cinquenta e cinco foram recuperados durante a madrugada.

Segundo informações de parentes de detentos que acompanhavam a rebelião do lado de fora do Ipat, próximo a uma barreira montada por policiais, eles já haviam anunciado há alguns dias durante as visitas a possibilidade da rebelião acontecer.  

Eles contaram à reportagem de A Crítica que recentemente foram implantadas novas regras na cadeia. As regras, entre outras coisas, restringem a quantidade de alimentos que os parentes podem levar para a penitenciária. Mas, o estopim que teria motivado a rebelião seria as ações dos policiais durante as revistas periódicas. Os familiares dos detentos contam que, segundo os internos, durante as revistas nas celas os objetos de uso pessoal dos presos são quebrados. Fato que causa revolta entre eles.

Início

De acordo com informações de um agente carcerário que não quis se identificar, por volta de 17h, durante a volta dos presos para as celas no bloco C, os agentes que faziam a averiguação, a chamada ‘escolta’, foram rendidos e o bloco foi tomado.

“O procedimento padrão é que os presos entram nas celas e são os próprios responsáveis por trancar a grade com um cadeado, enquanto a escolta passa depois somente para averiguar uma a uma se realmente estão trancadas. Desta vez eles fingiram que trancaram e a escolta foi surpreendida”, comentou o agente carcerário.


Com posse do molho de chaves, os detentos abriram as celas de todos os blocos do Ipat e teve acesso a todas as partes do presídio.

Há grande preocupação da polícia militar era de que além dos reféns, os presos possam matar pessoas juradas de morte, que estavam isoladas do convívio de outros detentos, é o caso de Rodrigo Moraes Alves. O detendo é réu confesso de ter participação no assassinato de três pessoas conhecido como ‘Caso Belota’. Rodrigo estava cumprindo pena na enfermaria da prisão desde que sofreu uma tentativa de assassinato por estrangulamento. Ele é jurado de morte na prisão desde que sua execução foi pedida por um dos xerifes do Ipat, conhecido como ‘Nanico’, segundo informações de um dos agentes carcerários.

O coronel Bonates, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Justiça (Sejus), acredita que pode ter havido descuido por parte dos carcereiros durante o procedimento.

“Todos os envolvidos nesta rebelião irão sofrer sanções disciplinares, como isolamento e impossibilidade de visita. Além do aumento em suas penas”, comentou Bonates.


Negociações 

Uma comissão dos detentos exigiu a presença da impressa e começou a negociar com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Epitácio da Silva, Coronel Aroldo e Divanilson Cavalcanti do Desipe, por volta das 19h30.  A reportagem da TV, jornal e Portal A Crítica acompanhou as negociações de dentro do Ipat.

Os internos exigiram o relaxamento nos procedimentos de alimentação da prisão, o fim do bloqueador de sinal de aparelhos celulares e a presença de apenas membros da facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC) na unidade.

Policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) foram acionados e começaram a realizar buscas nas áreas de mata próximas ao Ipat. Informações extra-oficiais dão conta que alguns detentos fugiram em direção ao município de Presidente Figueiredo em um carro modelo Gol e cor branca, a placa não foi identificada.

Por volta de 20h30, enquanto havia a fuga de presos, que fizeram um buraco na grade de proteção, os detentos que estavam em cima da laje da prisão, negociando com Divanilson Cavalcanti, coronel Aroldo Ribeiro e Epitácio Almeida se exaltaram com a entrada e subida de policiais militares da Rocam e do Choque, que foram ao local impedir a fuga de mais presos. Os detentos ameaçaram cortar a cabeça do agente carcerário identificado como Daniel Assis com estoques e facas. O trio de negociadores teve bastante trabalho mas conseguiu impedir a morte do refém.

Presos

Entre os presos recapturados nas imediações do Ipat está Alan Cartimário, conhecido como ‘Nanico’, que é apontado como um dos integrantes da facção criminosa denominada Família do Norte (FDN), especializada em tráfico e pistolagem.

Após saírem pelo buraco feito na grade de proteção, diversos presos fugiram para o matagal que cerca o Ipat. Policiais militares da Rocam e do policiamento especial da prisão realizaram um cordão de isolamento na área do Ipat para evitar novas fugas.

*Colaboraram Joana Queiroz e Evandro Seixas.

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