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Manaus
ESTUPRO

Funcionário de escola em Manaus é acusado de estuprar oito alunas entre 8 e 9 anos

Em todo o Amazonas, menores de idade são principais vítimas e, entre os abusadores, os próprios pais entre 35 a 64 anos de idade 01/10/2017 às 05:00
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Foto: Márcio Silva
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Delegacia Especializa em proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) instaurou um inquérito policial para apurar uma denúncia de que oito meninas com idade entre 8 e 9 anos de idade estavam sendo vítimas do crime de estupro de vulnerável presumido. Elas são alunas de uma escola municipal da Zona Oeste de Manaus e o suspeito é um funcionário da instituição de ensino.

A investigação teve início na última quinta-feira (28). No dia seguinte, as meninas foram ao Instituto Médico Legal (IML) passar por exame de corpo de delito e de conjunção carnal. O resultado deve sair nesta semana.

De acordo com a denúncia, o suspeito era contratado como serviços gerais e auxiliava em algumas atividades da escola. Ele acompanhava as crianças na saída da sala de aula até a quadra de esporte.  A denúncia afirma que o homem separava as meninas dos meninos e, no momento que as conduzia para a quadra, aproveitava para passar a mão nas partes íntimas das garotas.

Para garantir que elas não o denunciariam, o homem ameaçava maltratá-las e castigá-las. Algumas meninas chegaram a apresentar problemas, como ter dificuldades para dormir.

A delegada titular da Depca, Juliana Tuma, explicou que ainda não é possível dar mais informações sobre o caso devido às investigações estarem começando. A primeira medida tomada por ela foi encaminhá-las ao IML.

Por volta de 11h da última sexta (29), as meninas chegaram ao IML acompanhadas por mães, avós, tias e a diretora da escola, que não quis falar sobre o caso e ainda orientou as familiares a ficarem caladas. Elas não escondiam a revolta e pediam pela prisão do suspeito.

Meninas entre 8 e 9 anos

Menores de idade são principais vítimas de estupro no Amazonas. No ano passado, em Manaus, a polícia registrou 783 casos, uma média de mais de dois por dia. Nesse ano, de janeiro a julho, já foram registrados 341 casos. A idade preferida dos criminosos vai de 0 a 11 anos, conforme registros da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

A psicóloga Amélia Rocha, que atua no IML e conversou com as crianças do inquérito, disse para A CRÍTICA que a maioria das vítimas desse tipo de crime é menina, com idade de 0 a 12 anos de idade.  Ela disse que os estupros acontecem, na maioria das vezes, em casa, à tarde, quando as crianças voltam da escola e ficam em casa na companhia de familiares, como os  pais, avôs, tios e padrastos, que aparecem como o principais suspeitos e autores.

De acordo com Amélia Rocha, quanto às mulher mais maduras, o número de vítimas é bem menor porque elas oferecem maior resistência.  “Essas geralmente são atacadas quando estão voltando para casa. Já as crianças os seus agressores são as pessoas mais próximas delas, geralmente o padrasto”, disse.

Entre os casos, pais abusadores

Casos de estupro praticados por pais ou padrastos são os que mais chamam a atenção.  No fim de agosto, um casal de peruanos foi preso, em Manaus, acusado de estuprar um bebê do sexo feminino de sete meses de idade. Eles foram presos em um motel para onde levaram a criança e o pai praticou o abuso.

No dia 4 de setembro, quatro crianças de quatro anos que estudam no Centro Municipal de Educação Especial (CMEI) Eva Gomes do Nascimento, localizada no bairro Novo Israel, Zona Norte, foram abusadas pelo motorista de transporte particular que as levava até a escola. O motorista foi preso.

No dia 23, um pai de 36 anos foi indiciado por estupro de vulnerável contra a filha de 15 anos. A jovem revelou o crime para a avó de 59 anos, que acionou a polícia. O crime ocorria na residência dela, no conjunto Castanheiras, Zona Leste. O abuso só foi descoberto porque a vítima negou fazer sexo anal com o pai.

Números do AM preocupam

No Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, o Amazonas aparece como o estado brasileiro com maior ocorrência de estupros. Ao que parece nada mudou de lá pra cá. A maioria das vítimas são crianças e adolescentes.

Em 2016, 690 vítimas de estupro eram do sexo feminino e 93 masculino. Os autores a maioria, 381, não foram identificados e 62 eram os pais das vítimas, número que chama a atenção das autoridades, já que são pessoas que deveriam dar segurança a elas.

Segunda-feira foi o dia da semana do ano de 2016 que aconteceram mais estupros, ao todo 103. E os agressores, a maioria, foram homens com idade entre 35 a 64 anos de idade.

Em 2017 a situação não foi diferente. Nos sete primeiros meses 341 pessoas foram vítimas de estupro, 206 com idade de 12 a 17 anos, e 105 de 0 a 11. Destes, 206 casos aconteceram na residência das vítimas, na maioria das vezes à tarde.

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