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Funcionário mais antigo do Teatro Amazonas expressa sua paixão pelo ícone de Manaus

Se para um turista já é difícil resistir aos encantos do majestoso teatro, imagine para Raimundo Nonato Pereira, 80, que se dedica há 41 anos aos cuidados desse patrimônio da nossa capital. 23/10/2015 às 16:24
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Antes de ser ‘de tudo’ no Teatro Amazonas, Nonato foi pedreiro na construção do ‘Vivaldão’
Luana Carvalho Manaus (AM)

Ícone da cidade de Manaus, o  Teatro Amazonas possui, “disparado”, as maiores expressões de riqueza, cultura e história da capital. Paixão de muitos manauenses, não há como não se impressionar com a exuberância de detalhes da Belle Époque, impressos em todas as dependências do prédio histórico. E se para um turista já é difícil resistir aos encantos do majestoso teatro, imagine para Raimundo Nonato Pereira, 80, que se dedica há 41 anos aos cuidados desse patrimônio da nossa capital. 

“A minha vida neste teatro é tão bonita que até de férias venho para cá. Eu não preciso mais bater cartão, mas sempre chego de manhã bem cedo e só saio à noite, de domingo a domingo”, conta feliz, em uma das frisas do teatro. Figura respeitada em todo o Largo São Sebastião, Nonato já fez de tudo um pouco em “sua casa”, como ele costuma se referir ao local de trabalho. “Fui pedreiro, porteiro, bilheteiro, guia, indicador, assistente técnico e administrativo...”, diz.

A lista é longa, mas a história de amor com o Teatro Amazonas começou mesmo quando ele ainda era adolescente. “Desde meus 15 anos eu passava por aqui e tinha uma vontade enorme de entrar, mas tinha problema de cor e receio de pedir para conhecer”, relembra. Só mais de 30 anos depois o sonho do então pedreiro Nonato pôde ser realizado. 

“Eu tinha saído da construção do estádio Vivaldo Lima, onde passei dois anos e alguns meses. Depois trabalhei na sede da Suframa e, quando terminei, me chamaram para trabalhar na reforma do Teatro Amazonas. Minha alegria foi tão grande que, no meu primeiro dia de trabalho, o encarregado da obra, que se chamava Daniel, notou o brilho dos meus olhos e começou a mostrar o teatro inteiro para mim”. 

Uma vida inteira

Nonato começou como pedreiro, depois passou a ser encarregado, com  a função de orientar mais de 30 homens, entre carpinteiros, pedreiros e ajudantes. “Quando chegou o mármore de Portugal para o hall do teatro, o pedreiro que ia assentar ficou nervoso porque o mármore estava embrulhado em papel de seda e ele nunca tinha visto aquilo. Fui lá ajudá-lo e, quando eu peguei a primeira pedra, me apaixonei. O meu chefe viu e perguntou se eu queria assentar o piso. Foi uma alegria muito grande”.  

Mesmo pesando apenas 57 quilos, Raimundo Nonato aceitou o desafio e instalou todo o mármore do hall do Teatro Amazonas, por onde já passaram grandes atores e músicos nacionais e internacionais. Mas entre tantos que passaram pelo palco do teatro, o espetáculo que marcou a vida do pedreiro foi “Santo Inquérito”, com Regina Duarte. “Foi a primeira peça que assisti no teatro, lá por 1976, como trabalhador”. Desde então, Nonato foi incorporado ao quadro de funcionários do “T.A.”. “Foi  a melhor coisa que já me aconteceu na vida”, ressalta. 

Das passagens da vida dele, quatro homenagens recebidas no palco do teatro o marcaram, especialmente pela plateia presente. “Meu pai era servente de pedreiro e, minha mãe, lavadeira. Eu ter sido homenageado no palco do Teatro Amazonas quatro vezes foi o maior orgulho que dei a eles. Ainda tive a oportunidade de vê-los sentados nas cadeiras do público, me  assistindo ser homenageado, as lágrimas escorriam pelo rosto”, conta, emocionado.

Nonato admite que não chegou a conhecer muitos teatros pelo Brasil, mas garante que, de todos que já viu, nenhum chega aos pés do Teatro Amazonas. “Se eu disser que já vi coisa mais bonita, estarei mentindo. Não sou muito viajado, mas por onde já andei, nunca vi nada igual”.

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