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Manaus
FUCAPI

Alunos e funcionários pedem intervenção na Fucapi após ‘novo’ mantenedor ser preso

Empresário indicado como novo mantenedor da instituição de ensino foi denunciado de liderar quadrilha de fraudes de diplomas 31/03/2018 às 14:32 - Atualizado em 31/03/2018 às 16:25
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Foto: Reprodução
acritica.com Manaus (AM)

Funcionários e estudantes da Fundação Centro de Análises, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) pretendem fazer uma manifestação em frente à sede do Ministério Público do Estado (MP-AM), na Zona Oeste de Manaus, na manhã da próxima segunda-feira (2), para pedir a intervenção da instituição de ensino.

A decisão pelo pedido de intervenção ocorreu após a gestão atual da Fucapi trocar o mantenedor da fundação. O nome indicado para administrar a Fucapi foi o empresário José Caitano Neto, que foi preso na última quarta-feira (28), em São Paulo, acusado de chefiar uma quadrilha que falsificava e vendia diplomas de ensino técnico e superior por até R$ 97 mil, segundo a polícia.

Inicialmente, segundo o professor da Fucapi Francisco Januário, estava acordado que um grupo internacional assumiria a administração da fundação. A mudança do primeiro grupo empresarial para o de José Caitano Neto pegou os docentes da instituição de surpresa.

“Contávamos que o grupo (internacional) iria assumir e, na sexta-feira (23 de março), receberíamos nossos salários, incluindo os atrasados. Simplesmente, a direção da Fucapi declinou do acordo do primeiro. Esse fato fez com que fizéssemos uma mobilização para obter 600 assinaturas e na última terça-feira (27 de março) protocolamos o documento no MP, solicitando a intervenção do órgão para que a negociação fosse finalizada de forma justa e imparcial”, disse o professor Francisco Januário.


Professores e alunos fazendo abaixo assinado para pedir a intervenção da Fucapi (Foto: Divulgação)

Caitano foi apresentado no dia 23 de março aos funcionários pela diretora-presidente da Fucapi, Isa Asseff dos Santos, como sendo o novo mantenedor da entidade. O nome dele seria anunciado nesta segunda (2), às 10h, pela promotora de justiça Kátia Maria de Araújo, conforme convite enviado à imprensa na última quarta-feira (28).

Segundo Assef, desde novembro do ano passado, o grupo internacional promete pagar o valor da entrada para assumir o comando da Fucapi e não o efetua. Isso teria motivado a troca de mantenedores, conforme a diretora-presidente. “Como é que você pode ter mais credibilidade em um negócio desse?”, questionou Isa Asseff, em entrevista à reportagem do Portal A Crítica. Ela lembrou ainda que a última data afirmada pelo grupo seria 18 de março.

Prisão de Caitano foi um ‘choque’

Diante do imbróglio, a diretora-presidente da Fucapi afirmou que a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) continuam sendo os mantenedores da Fundação. “Ninguém pode continuar trabalhando com bandido. Para mim foi um choque, mas Deus nos livrou de mais um bandido”, afirmou Assef se referindo a José Caitano.

A diretora também declarou que o grupo internacional ainda pode assumir a administração da Fucapi, mas questiona as condições financeiras do negociante para assegurar o investimento na fundação. “A gente fez também uma análise e o cara (do grupo internacional) não tem patrimônio, tem uma empresa com cem mil reais de capital. Quem tem cem mil de capital não pode receber um investimento de cinquenta milhões de reais”, disse.


A atual presidente da Fucapi, Isa Asseff. apresentando José Caitano como mantenador (Foto: Reprodução)

Análise das propostas

O professor da Fucapi Francisco Januário, que está acompanhando a transição da gestão da entidade, avalia a proposta que foi feita por José Caitano como “incabível”. Segundo ele, o empresário pretendia parcelar os salários atrasados há sete meses em pelo menos dez vezes, enquanto o grupo internacional queria pagar os salários de uma só vez. Segundo Januário, o grupo tem assumido perante os funcionários e estudantes a melhor intenção em ajudar a resgatar a Fucapi.

O estudante da Fucapi, Adrielson Pinheiro, afirmou que desde a apresentação da primeira proposta de José Caitano, os alunos e colaboradores ficaram receosos. “Soubemos que a diretora Isa (Asseff) estava apoiando o senhor Caitano mesmo com os professores e alunos sendo contrários. A verdade é que esse empresário não tinha uma proposta sólida quanto às soluções e problemas da instituição. O pior é que tínhamos conhecimento que o nome dele já havia sido aprovado pela atual administração da Fucapi”, disse o estudante.

Adrielson afirmou que ele e outros estudantes devem estar na segunda-feira (2) para reforçar o pedido de intervenção da Fucapi e a definição da nova gestão. “Estaremos lá para defender nossos direitos e ajudar a defender o direito dos nossos mestres que estão prejudicados há meses com essa situação”, concluiu.

O empresário José Caitano Neto

O empresário José Caitano foi preso com mais dez pessoas em São Miguel Paulista, na Zona Leste da cidade de São Paulo, após uma longa investigação da Polícia Civil. A quadrilha, segundo a polícia, era liderada pelo empresário e entrava em contato com as instituições de ensino de vários estados e do exterior para oferecer diplomas de nível superior, pós-graduação e cursos semipresenciais sem a autorização do Ministério da Educação (MEC). Os preços variavam conforme o curso: um diploma de Direito era vendido por R$ 35 mil; o de Medicina Veterinária, R$ 70 mil e o de Medicina era negociado por R$ 97 mil.

Em uma matéria do Jornal Correio Brasiliense, o empresário é acusado de assumir, em 2010, como mantenedor da Faculdade da Terra de Brasília (FTB) e não ter pago nenhum dos funcionários.

José Caitano também responde a 104 processos na Justiça brasileira, sendo 103 processos no Distrito Federal e 1 em Tocantins. Desses processos, crimes relacionados à Ética em Consultoria Empresarial e Gerenciamento de Imóveis S/A foram os que mais apareceram.

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