Publicidade
Manaus
Protesto

Funcionários terceirizados da Prefeitura e do Governo realizam protestos em Manaus

Merendeiras de escolas municipais e funcionários de hospitais do Estado protestaram por conta dos atrasos de salários 20/10/2016 às 12:42 - Atualizado em 20/10/2016 às 14:23
Show 65
Funcionários da Saúde foram até a ALE-AM cobrar soluções contra os salários atrasados (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza e Vinicius Leal

Funcionários de empresas que prestam serviços para a Prefeitura de Manaus e para o Governo do Estado fizeram protestos na manhã desta quinta-feira (20) em Manaus. Merendeiras de escolas municipais e funcionários de hospitais do Estado manifestaram contra atrasos de salários.

Funcionários da Saúde

Após fecharem avenidas da cidade durante a manhã, servidores terceirizados da Saúde do Amazonas foram à sede da Assembleia Legislativa do Estado pedir ajuda e cobrar uma solução contra salários atrasados e falta de estrutura nos hospitais da capital. Técnicos de enfermagem, enfermeiros, condutores de ambulância e de serviços gerais, pagos pelas empresas Total Saúde e Salvare, envolvidas no esquema da Maus Caminhos, lotaram a galeria da ALE-AM durante a sessão extraordinária para discutir o tema.

"Além do atraso salarial, estamos denunciando o abandono e o assédio moral que já vem correndo. Mas principalmente o abandono total por parte de Governo do Estado. Todas as empresas contratadas estão envolvidas na Operação Maus Caminhos. Simplesmente o dono e a presidente da empresa estão presos e deixaram duas pessoas como representantes, uma enfermeira e um chefe de transporte que não tem por escrito e vêm simplesmente dando desculpa a todo tempo. A gente sabe que o governo tem a responsabilidade de cumprir as obrigações com essas famílias estão sendo destruídas pelas empresas", disse Manoel Araújo Lima, 48, presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Amazonas.

Vários deputados foram à tribuna cobrar uma resposta do governo, como a deputada Alessandra Campelo (PMDB).  "Essa corrupção na saúde acontece desde que se instalou uma quadrilha no dentro do Instituto Novos Caminhos, mas ela não começou agora. A Polícia Federal só investigou um ano e meio. Essas pessoas estão há anos sendo exploradas, com salários irrisórios, que não compensam o trabalho que elas têm, e que ainda atrasam. Quero mandar um recado para enfermeira da Salvare, a dona Adila. Pare de ameaçar os funcionários porque senão a senhora vai se ver é comigo. A dona Ádila fica ameaçando as pessoas, dizendo que quem viesse para cá seria demitido, perseguido e não receberia direito. Quem quer falar com a senhora dona Ádila é a Polícia Federal", disse. Os parlamentares pediram ainda esclarecimentos do secretário da Susam e soluções sobre os atrasos nos salários.

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Amazonas, Manoel Araújo Lima, 48, as ambulâncias de responsabilidade da Salvare podem ser retiradas pela empresa a qualquer momento e deixar a população desassistida. "As ambulâncias estão sendo recolhidas pela Salvare, que é detentora. Nossa preocupação é que a empresa esteja recolhendo porque tem contratos em outros estados, e que na calada da noite possam sair daqui com esses veículos, que são os únicos patrimônios palpáveis para garantir o pagamento de ações trabalhistas. Além da falta de insumo, de luvas e outros materiais para trabalhar", disse.

A sessão na ALE foi conduzida pelo presidente da Casa Legislativa, deputado Berlamino Lins (PMDB), e continuou com discursos de representantes dos funcionários e outros parlamentares. Alguns deputados propuseram convocar o secretário estadual da Saúde, Pedro Elias, para prestar esclarecimentos, além de formular um acordo entre os trabalhadores, o Governo do Estado e a Justiça do Trabalho para indenizar os funcionários dessas empresas e que também o Estado assumisse o pagamento regular desses servidores de forma emergencial.

Merendeiras da Prefeitura

Merendeiras e serviços gerais que prestam serviços em escolas municipais de Manaus promoveram uma manifestação na frente da sede da prefeitura. Elas cobravam o pagamento do salário que estava atrasado há mais de dois meses. Na ocasião, houve até confusão e bate-boca entre manifestantes e a dona da empresa RCA Conservação e Limpeza, que ameaçou de demissão algumas das funcionárias que cobravam o pagamento salarial. A merendeira Maria Raimunda, 38, estava inconformada com a situação. "Nós estamos sem receber há quase três meses. Viemos aqui exigir o pagamento porque temos esse direito. Mas quando chegamos para reivindicar somos ameaçados", afirmou.

A também merendeira Suzi Souza, 32, disse que não é a primeira vez que a empresa RCA atrasa o pagamentos dos funcionários. "É sempre assim. Paga os meses atrasados e depois atrasa de novo. Teve um tempo que ficamos quatro meses sem receber salário", contou.

A proprietária da RCA apareceu ao local da manifestação logo que foi informado sobre o ato. Ela não quis ter o nome divulgado, mas garantiu que o pagamento está sendo feito hoje. "Eu recebi ontem da Prefeitura e hoje já estou fazendo o pagamentos de todos os funcionários", garantiu. Ela culpou a crise pelo atraso no pagamento do salário dos colaboradores. Mas disse que está se esforçando para honrar com os compromissos. Quanto a ameaça de demitir os funcionários mais exaltados que participaram da manifestação, ela disse que ainda não tinha certeza.

Publicidade
Publicidade