Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
Manaus

Funerária de Manaus oferece web velório a parentes de mortos

Em Minas Gerais e São Paulo, algumas funerárias também investiram no serviço e em Mato Grosso do Sul, um cemitério oferece a transmissão do enterro pelo valor de R$ 200



1.jpg Em dois meses, Ildemar Coutinho já transmitiu 50 velórios via Vnternet para países como Alemanha e Estados Unidos
19/08/2012 às 11:58

Você tem algum conhecido ou parente que morreu? Joga na Internet! Calma! Não se trata de sensacionalismo ou falta de sentimentalismo, mas de um serviço que é disponibilizado apenas para familiares e amigos e que vem sendo cada vez mais utilizado em Manaus. Nos últimos dois meses foram mais de 50 transmissões de velório ao vivo via web.

O serviço pioneiro na capital amazonense atualmente é oferecido apenas pela funerária Canaã, localizada no Boulevard Álvaro Maia, como ‘plus’ para quem contrata os serviços da empresa. Em nível mundial, celebridades como Whitney Houston e Michael Jackson tiveram os rituais fúnebres compartilhados na rede mundial de computadores.



Em Minas Gerais e São Paulo, algumas funerárias também investiram no serviço e em Mato Grosso do Sul, um cemitério oferece a transmissão do enterro pelo valor de R$ 200. No Rio Grande do Sul, um crematório trabalha com o serviço desde 2003.

A demanda é maior por parte daqueles que têm família em outros Estados e também em outros países. “Nesses dois meses já transmitimos o velório para Alemanha e para os Estados Unidos”, afirmou o proprietário da funerária Canaã, Antônio Ildemar Coutinho. Conforme ele, quase todo dia ele transmite um. Um código e uma senha são liberados para a família que os repassa para quem quiser. Dessa forma, segundo ele, o conteúdo fica restrito, garantindo, assim, a privacidade do ente querido.

Para o padre Anselmo Dias, da pastoral de comunicação da Arquidiocese de Manaus, qualquer iniciativa que venha a confortar o cristão nesse momento de perda e sofrimento, é válida. “É uma atitude até bonita por que saber que Deus amoroso nos consola e não nos abandona, ajuda a aliviar o sofrimento. Esse momento de rito de passagem é para isso”, disse.

Outras comodidades

Atuando há mais de 16 anos no ramo, Coutinho, como costuma ser chamado, diz que procura estar sempre à frente dos concorrentes e mesmo em se tratando de um assunto “delicado”, ele diz que não tem medo de arriscar. Prova disso, é um ônibus que ele adquiriu e adaptou para que amigos e familiares possam acompanhar o caixão do falecido até o enterro, sem preocupações com trânsito e o tradicional cortejo.

No ônibus fúnebre, o caixão vai dentro de uma redoma de vidro. O veículo aguarda apenas a aprovação do Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura (DVisa). “Um técnico de lá elogiou muito a minha ideia, disse que nunca tinha visto nada igual”, afirmou seu Antônio Coutinho.

O empresário garante que nessa hora de dor, as pessoas querem apenas se sentir confortáveis, em casa, por isso implantou uma suíte em cada um dos três salões da funerária, a fim de acomodar quem passar longas horas no local. “Também oferecemos café da manhã completo com frutas, sucos e artigos regionais”, disse. “Além disso, tenho funcionários que estão comigo há dez anos, todos aqui são treinados para saber lidar com essas situações”, completou o empresário.

Discrição para lidar com o inusitado

O treinamento constante dos funcionários do atendimento aos parentes, segundo o empresário Ildemar Coutinho, é por conta da exigência de discrição e tato para lidar com o momento que serve tanto para consolar a dor dos clientes, quanto para lidar com situações inusitadas e inesperadas diante da morte de uma pessoa. “Nós temos o serviço de floricultura agregado à nossa empresa e, certa vez, duas senhoras que estavam velando o corpo saíram para comprar uma coroa de flores. Quando voltaram eu  percebi  a assinatura: ‘De suas esposas’! No plural”, conta.

Em outro ritual, ele teve que preparar o velório em dois momentos: de 8h ao meio-dia na casa da família oficial e de meio-dia em diante na casa da família extraoficial. “Fora quando tem briga de ‘esposas’ aqui na frente e de mulheres que chegam e esbofeteiam o falecido na frente de todos”, explicou Coutinho.



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