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Manaus
‘AZULZINHO’

Fusca ‘Azulzinho’ fabricado em 1970 é a paixão da aposentada Marly Souza

No Dia Mundial do Fusca, A CRÍTICA conta a história do fusquinha que tem chamado a atenção pelas ruas de Manaus 25/06/2017 às 05:00
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Foto: Gilson Mello
Isabelle Valois Manaus (AM)

“Azulzinho” é o amor da vida da aposentada Marly da Costa Souza, de 77 anos. Fabricado no ano de 1970, o fusquinha tem chamado a atenção pelas ruas de Manaus pelo detalhe da cor e por ser um carro “moderno” e festivo, pois é enfeitado conforme as festividades de cada época.

São pelo menos 46 anos de existência, mas 31 desses anos ao lado de Marly que cuida do automóvel como se fosse um dos seus bens mais preciosos e certamente será exibido neste domingo (25), em Manaus, no Dia Mundial do Fusca.

Marly é a terceira e última dona do Azulzinho, como ela se identifica e já excluindo a possibilidade de vendê-lo. “Depois de passar esses anos comigo, daqui ele só sai se for para um museu de fuscas”, comenta animada a aposentada ao detalhar a história do veículo que faz parte da vida dela desde 1985, quando o adquiriu de uma amiga.

A aposentada trabalhava na antiga Telamazon e nem sabia dirigir quando resolveu que iria comprar o fusca. Ela chegou a pedir a opinião dos familiares. Um dos irmãos de Marly foi totalmente contra, pois como ela não sabia dirigir, ficou com medo de Marly se envolver em acidentes e vir a morrer.  O irmão dela era pintor de carro e para evitar qualquer desconfiança da compra do automóvel, a aposentada pediu para antiga dona ir deixar o veículo na casa de Marly para que este fosse polido. “Meu irmão nem desconfiou, e durante um dia após ser polido, o azulzinho ficou na garagem. Até que ele veio me perguntar quando a Elizabeth (antiga dona) iria vir buscá-lo. Depois de enrolá-lo umas duas vezes, confessei a posse do veículo e a história de acidentes veio tudo de novo. Mas, não demorou muito tempo, pois tinha uma moça, no qual era chefe que ela era dona da autoescola Nery, e foi com eles que resolvi aprender a dirigir”, lembrou.

Marly não demorou muito para conseguir a habilitação, mas por um bom tempo teve medo de dirigir. Ela chegou a contratar terceiros para deixá-las nos lugares no qual ela precisava ir. Em um certo dia, Marly precisou realizar a entrega de umas encomendas e chovia muito na cidade. Sem motorista e com o dever a cumprir, ela não pensou duas vezes, chamou a cunhada para acompanhá-la e seguiu no azulzinho. Foi neste dia que ela perdeu o medo e começou a ser livre com o fusquinha pelas ruas de Manaus.

Religião

Marly é muito religiosa. Por conta disso, o porta luva do Fusca foi transformado em um oratório. Na retrovisor do lado esquerdo, ela tem buquê de rosas, que segundo a aposentada representa um carinho e respeito para os demais amigos motoristas. Nas janelas, ela mandou colocar a idade do azulzinho e para os apressados a seguinte frase: “Fusca não corre, desfila! Obedeça o trânsito e respeite a vida”. Por dentro do veículo, os bancos são todos forrados e combinam com o azulzinho. Além disso, ela destaca uma bandeira do Flamengo, a bandeira Vitória-Régia (escola de samba no qual ela torce), uma bandeira da Alemanha (onde nasceu o fusca) e a bandeira do Brasil.

O azulzinho tem feito muito sucesso. Por onde ele para as pessoas querem tirar fotos e conhecer um pouco da história do veículo. Marly contou que quando ela vai pelo largo São Sebastião, Centro, às vezes passa horas esperando os turistas terminarem a sessão de fotos com o azulzinho para poder seguir viagem. “Acho graça e não vou cortar a oportunidade desse povo de fora em tirar foto com ele. Sei que ele é diferente e isso chama atenção, não gosto de ser mal educada, então prefiro esperar”, disse.

Aniversário é ritual

Como azulzinho é de 1970, Marly escolheu uma data para que ela pudesse comemorar o aniversário do querido “possante”.  “Me simpatizei pelo dia 17 de novembro e desde então, todos os anos comemoro o aniversário dele neste dia. É a maior festa”, revela. Conforme a aposentada, bolos, salgadinhos e docinhos não podem faltar. Neste dia ela vai ao  ao borracheiro, lanterneiro, eletricista, pintor e até a loja onde compra peças para comemorar com os profissionais.

“Levo o bolo e salgadinhos para esses que cuidam do meu azulzinho e eles cantam comigo os parabéns e fazemos a festa. Não tem um ano que seja diferente. Enfeito o azulzinho com vários balões, ele fica lindo só para comemorar mais um ano que ele completa de existência. Essas são as pessoas que fazem com que meu carro esteja tão perfeito como ele tem estado durante esses 46 anos. Então, os mecânicos Zé, Jean e Rainer, o lanterneiro Marney, o Carlos Roberto que é o pintor do azulzinho, Jair o eletricista, fora a turma do posto de gasolina como também da loja de auto peças onde encomendo as peças do azulzinho, todos fazem parte anualmente da festa ”, comentou.

Exposição no largo

Para comemorar o Dia Mundial do Fusca, hoje (25) haverá uma exposição de carros antigos no Largo São Sebastião, Centro, a partir das 8h até as 12h. A coordenação do evento solicita que os visitantes levem 1 quilo de alimento não perecível.

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