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Manaus
PODER DE FOGO

Fuzis e metralhadoras das Farc entram no Amazonas e aumentam poder de facções

Desde o ano passado, as polícias Civil, Militar e Federal vêm apreendendo uma quantidade maior de armas de grosso calibre em poder de traficantes 28/10/2017 às 08:20
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Fuzil e drogas apreendidos no fim do ano passado em Manaus. Foto: Aguilar Abecassis - 27/dezem
Joana Queiroz Manaus (AM)

Fuzis e metralhadoras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc-EP) estão desembarcando no Amazonas e aumentando o poder de fogo das organizações criminosas especializadas em tráfico de drogas que atuam na região.  A informação é do delegado titular do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Paulo Mavignier.

Autoridades de segurança do Estado afirmam que as armas usadas pelos guerrilheiros – que deveriam ser entregues ao governo colombiano, conforme ao  acordo de paz firmado entre as partes – estão sendo vendidas aos  traficantes para serem utilizadas na segurança armada do transporte fluvial de drogas da tríplice fronteira para Manaus.

“Ao invés de entregarem as suas armas, conforme foi acordado, os guerrilheiros preferem vendê-las na fronteira e ganhar um dinheiro, já que a maioria está sem trabalho. Alguns deles se deixam ser recrutados pelos traficantes para fazer a segurança das remessas de droga que saem da Colômbia e do Peru e que entram no Brasil por Tabatinga com destino a Manaus.”, disse o delegado.

Desde o ano passado, as polícias Civil, Militar e Federal vêm apreendendo uma quantidade maior de armas de grosso calibre em poder de traficantes. De acordo com o delegado federal Caio Avanço, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE), Caio Avanço, só neste ano, foram 10 armas apreendidas pela unidade.

Uma média de uma a cada mês, só pela DRE. Entre elas estão cinco fuzis, entre 565 e 762. Com traficantes, também foram apreendidas escopetas calibre 12 e pistolas.

No ano passado, além de armas de fogo a Polícia Federal apreendeu granadas que estavam em poder de traficantes que faziam transporte de remessas de droga.

Crise agrava questão

A crise na Venezuela também preocupa as autoridades do Estado.  A situação tem levado cidadãos colombianos com porte a venderem as suas  armas para comprar alimentos.

De acordo com o delegado Paulo Mavigner, a fronteira hoje está aberta  para quem quiser entrar ou sair livremente. E é pela região Norte por onde entram muitos imigrantes ilegais, criminosos e pessoas que exploram recursos naturais.

Para Paulo Mavignier, o maior problema dessas entradas ilegais de pessoas é com elas também entram armas no País, que abastecem o crime organizado no Brasil. “Não adianta tomar medidas paliativas. Os recursos do crime vêm de drogas e armas. É preciso acabar com a entrada ilegal destes produtos”, disse o delegado.

‘Seguranças’ com treino militar

O diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Guilherme Torres,  disse que o DRCO já apreendeu metralhadoras com capacidade de disparar até 750 tiros por minutos.  Entre outras armas apreendidas estão Fuzis Automáticos Leves (FAL) calibres 765, das marcas Imbel (brasileira), Colt,  de fabricação norteamericana, e Galil, de fabricação israelense (no destaque).

Os narcotraficantes estão usando homens treinados e fortemente armados para fazer a segurança da droga, contra os piratas, na descida do Solimões. Conforme Torres,  em dezembro do ano passado, no confronto armado entre policiais e traficantes  que resultou no desaparecimento do delegado da Thyago Garcez,  um dos colombianos que foi morto usava uma mochila do Exército Colombiano. “Tudo indica que são homens com treinamento militar”, disse.

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