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FVS descarta surto de meningite após óbitos em Manaus

A ocorrência de dois casos recentes de meningite no mesmo bairro assustou a população manauara. Porém, de acordo com o médico, a ocorrência dos óbitos pela doença, ainda que na mesma região, não caracteriza situação de surto. Ele aponta que é necessário manter o monitoramento para que se possa fazer processos de intervenção na doença, alegando que, nos dois casos de óbito em Manaus, foi realizado o processo de investigação nos contatos próximos aos infectados 20/06/2013 às 16:42
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Diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque
Laynna Feitoza Manaus, AM

Os dois óbitos por meningite meningocócica ocorridos na última semana no bairro Glória, localizado na Zona Oeste de Manaus, não representam um surto da doença na cidade, de acordo com o diretor-presidente da Fundação Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o médico infectologista Bernardino Albuquerque.

A ocorrência de dois casos recentes de meningite no mesmo bairro assustou a população manauara. Porém, de acordo com o médico, a ocorrência dos óbitos pela doença, ainda que na mesma região, não caracteriza situação de surto. O diretor-presidente da FVS ressaltou ainda que a meningite possui maior concentração de casos no primeiro semestre do ano em Manaus, e explicou o porquê.

“A bactéria da meningite meningocócica, chamada de meningococo, tem uma sobrevivência maior em temperaturas mais baixas, que é exatamente o que acomete o nosso primeiro semestre em Manaus. Então há uma probabilidade maior da ocorrência de casos. Em relação ao ano passado, percebemos inclusive uma diminuição nos casos”, pontuou Albuquerque.

Em números

De acordo com dados confirmados de meningite no Amazonas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan- NET), do Ministério da Saúde, neste ano 84 casos foram confirmados no estado, sendo que 10 deles geraram óbito. A cidade com o maior número dos óbitos pela doença no estado é Manaus, com oito óbitos neste ano. Os municípios de Humaitá e São Gabriel da Cachoeira abrigam um óbito cada.

Ainda segundo o médico, houve uma terceira suspeita do caso na cidade que não se confirmou. Para isso, ele aponta que é necessário manter o monitoramento para que se possa fazer processos de intervenção na doença, alegando que, nos dois casos de óbito em Manaus, foi realizado o processo de investigação nos contatos próximos aos infectados.

“Nos dois casos de óbito foi feita a busca de contatos. Como a bactéria da meningite meningocócica é transmitida de pessoa para pessoa, é necessário buscar quais são os contatos da pessoa infectada. Nesse processo de busca, utilizamos o método de quimioprofilaxia, que tem como objetivo eliminar as bactérias de possíveis infectados, por meio da aplicação de antibióticos nas pessoas que conviveram com as pessoas infectadas”, destacou Bernardino.

Infecção no cérebro

A meningite - popularmente falando - é uma infecção no cérebro, conforme Bernardino. Existe duas formas de apresentação da doença, segundo o médico. A primeira delas é a meningococcemia. “Essa forma não chega a atingir o cérebro. Atinge mais a corrente sanguínea, que a gente chama de septicemia. A outra forma seria a localização da doença nas membranas que envolvem o cérebro, que são as meninges”, acrescentou.

Ainda segundo ele, um dos quadros da doença envolve febre, podendo também ocasionar vômito. Entre os sintomas, há também o comprometimento de meníngeo, que consiste na rigidez na nuca, conforme o médico. “Quando há este sintoma, não conseguimos realizar ações como movimentar o pescoço e juntar o queixo no peito. A meningococcemia tem um quadro febril e outra característica dela são o surgimento de pintas vermelhas no corpo”, complementou.

Prevenção

O método de prevenção da doença trabalha com a vacina contra a meningite meningocócica, que deve ser aplicada logo na infância. Conforme Albuquerque, no calendário vacinal das crianças, ela está inserida em seu primeiro ano de vida. “Há também um reforço posterior, que é vacinar outras faixas etárias na ocorrência de surtos epidêmicos”, completou o médico.

Segundo a diretora do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde do Amazonas (SEMSA), a enfermeira Angélica Tavares, a investigação corresponde a um procedimento padrão em casos de doenças infecciosas como a meningite, que é feita in loco. “Fazemos uma busca ativa de outras pessoas que podem apresentar os mesmos sintomas, e dentro dessa investigação nós procuramos conhecer quem são as pessoas que tiveram contato direto com esse suspeito de meningite, onde ele mora ou frequenta”, assegurou Tavares.

Mapeamento

Ainda de acordo com a diretora, neste processo de investigação, é feito o mapeamento dos locais por onde o suspeito está ou esteve para que possam ser conhecidos os contatos. A partir da investigação, se dá andamento na ação de quimioprofilaxia. “A ação envolve, além do tratamento das pessoas que tiveram um contato próximo com os infectados, consiste também em orientar a população, com informações sobre onde os sintomas e onde elas devem se dirigir se caso houver manifestação de algo similar à doença”, lembrou Angélica.

A meningite é transmitida somente por vias respiratórias, alertou Angélica. “Há pelo menos quatro tipos: a viral, a bacteriana, a meningocócica e a meningite não especificada”, pontuou. “A meningite é a inflamação da meninge, que é uma membrana que reveste o sistema nervoso. E a infecção dessa membrana por algum microorganismo é que vai causar a meningite”, complementou a enfermeira.

Investigação dos óbitos em Manaus concluída

Segundo ela, o processo de investigação nos dois casos de óbito por meningite em Manaus já foi concluído. Ações como orientação em unidades de educação do bairro também foram realizadas.

“Os contatos identificados já foram medicados e já receberam todas as informações de saúde. O tratamento dura quatro dias e as pessoas próximas aos infectados já fazem o uso de medicação. Estivemos na escola do bairro da Glória e conversamos com a direção sobre o alerta e passando orientações de saúde e nos colocando à disposição para qualquer esclarecimento. Todas as providências para quebrar a cadeia de transmissão da doença naquela área foram tomadas. O importante agora é manter a vigilância na presença de algum sintoma”, levantou a diretora.

A rapidez da evolução da doença é impressionante. Conforme ela, segundo informações da equipe de investigação obtidas por relatos da família das duas pessoas que foram à óbito no bairro Glória, as vítimas tiveram de 48 e 72 horas entre o período de adoecimento - momento do aparecimento dos sintomas -  até a morte.

Pequenos hábitos saudáveis como fortificadores das defesas do organismo

A doença meningocócica é a patologia que possui maior letalidade entre as meningites, de acordo com Angélica. Porém, o contágio pela bactéria depende muito das condições de saúde de cada indivíduo, lembrando que o grande foco da unidades de vigilância é informar a população e que pequenos hábitos saudáveis do dia a dia são cruciais na redução das probabilidades de contágio pela doença e por qualquer outra.

“Pessoas com o sistema de defesa do organismo mais fragilizado têm um risco muito maior de adoecer por meningite do que aquelas pessoas que têm um sistema de defesa do organismo alto. O melhor a fazer é se alimentar bem, praticar exercícios físicos, dormir bem e manter o ambiente sempre ventilado e com a entrada de raios solares para reduzir a possibilidade de contágio”, concluiu a enfermeira.

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