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Camelôdromos

Galerias do Centro de Manaus são abandonadas pelos clientes e pelos camelôs

Permissionários reclamam de concorrência com os ambulantes irregulares que vendem produtos em áreas do Centro 22/10/2016 às 14:49 - Atualizado em 22/10/2016 às 14:50
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Além da falta de clientes, no camelódromo provisório da Floriano Peixoto, parte da cobertura está danificada há mais de um ano. Foto: Clóvis Miranda
Náferson Cruz Manaus (AM)

Os camelôs, que hoje atuam nas galerias populares Espírito Santo e nos camelódromos provisórios da Epaminondas e Floriano Peixoto, no Centro, reclamam de prejuízo nas vendas ao concorrerem com os ambulantes irregulares que, sem as bancas nas ruas para concorrer com eles, vendem os produtos em diversas áreas do Centro, “tirando” a clientela das galerias populares.

Para o permissionário Franklin Nogueira, 48, que atua na galeria da Epaminondas, até mesmo a localização das galerias provisórias é prejudicial às vendas.  “Nos colocaram numa área onde dificilmente as pessoas passam, agora imagine a venda? Estamos há mais de dois anos aqui e não tem nem previsão de quando irão nos colocar no Shopping T4, só promessa”, comentou Nogueira.

Segundo o camelô Marialvo Lins, caso a situação não melhore, eles voltam às ruas. Os comerciantes reclamam, ainda, da Bolsa Auxílio, no valor de R$ 1 mil, oferecida pela prefeitura. Para eles, o valor não atende às necessidades de quem tem família. A queda nas vendas é visível. Na galeria da avenida Epaminondas, a movimentação foi pequena, na tarde de sexta-feira (21).

O problema se repete  na galeria Espírito Santo,  localizada na rua Joaquim Sarmento, esquina com a rua 24 de Maio. Poucos clientes aparecem para fazer compras no local. Lá, são pouco mais de 300 ambulantes, entretanto, mais da metade dos pontos de vendas estão fechados. “É lamentável a nossa situação, estamos ficando doentes de tanto esperar pelos clientes, na última terça-feira (18), não vendi nada, fiz foi gastar do meu bolso o dinheiro do transporte. Estamos há meses nesse sofrimento”, disse Eude Maria, 52, que atuou 33 anos como camelô e dois como permissionária na galeria Espírito Santo.

O desapontamento dos ex-camelôs vem desde o início do ano passado. À época, ex-presidente do Sindicato dos Camelôs, Raimundo Sena, disse em entrevista a um site, que o projeto das galerias “é bonito”, mas, infelizmente, foi colocado nas mãos de pessoas sem competência e sem capacidade para administrar qualquer tipo de projeto.

Retorno às ruas

 O resultado da combinação - falta de movimento e falta de dinheiro - está resultando na volta gradativa e silenciosa dos camelôs para as calçadas do Centro. Não mais para a avenida Eduardo Ribeiro, de onde saíram, mas para todas as ruas onde conseguem vender os seus produtos.

“Parte dos ex-camelôs estão mantendo o compromisso com a prefeitura, mas existem centenas de outros que não. É uma banca no camelódromo e duas nas ruas do Centro”, disse um camelô que preferiu não se identificar.

Galerias estão 80% falidas

De acordo com o ex-presidente do Sindicato dos Camelôs, Raimundo Sena, os camelôs não têm mais pra quem vender os seus produtos.  As galerias estão 80% falidas, não estão vendendo 20% do que vendia na rua. “As vendas estão péssimas e os camelôs tem que se virar de qualquer jeito, tem que sobreviver e é por isso que estão voltando para as calçadas”, garantiu.

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