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Garotas de programa trabalham durante o dia para tentar fugir da violência

É o que relataram as profissionais do sexo que atuam em pontos espalhados pelas avenidas de Manaus. As poucas que ainda continuam trabalhando durante a madrugada redobram a atenção e vivem com medo 22/05/2013 às 11:48
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Por toda a cidade, as profissionais do sexo que ainda insistem em trabalhar durante as noites e madrugadas reclamam da falta de segurança e relatam que o medo de sofrer violência por parte de clientes ou bandidos é uma constante
Náferson Cruz ---

As garotas de programa estão trocando a atividade, tradicionalmente exercida durante a noite, por uma jornada de trabalho diurna, em uma tentativa de fugir da violência nas ruas. As poucas que ainda continuam trabalhando durante a madrugada redobram a atenção e vivem com medo.

É o que relataram as profissionais do sexo que atuam em pontos espalhados pelas avenidas André Araújo, no Aleixo, Zona Centro-Sul, Brasil, na Compensa, e Coronel Teixeira, na Ponta Negra, Zona Oeste, e nas avenidas Autaz Mirim e Grande Circular, na Zona Leste, além do Centro e Distrito Industrial, na Zona Sul, reforçando a sensação de medo e insegurança nas ruas da capital.

As garotas de programa entrevistadas por A CRÍTICA relatam que, há aproximadamente dois anos, alguns pontos da cidade que eram marcados pela presença de pontos de prostituição também eram dominados por traficantes e usuários de drogas, além de muitos moradores de rua, o que as deixava em perigo. “Há muitos casos de clientes que não querem pagar pelo programa, que contratam um tipo de serviço e, quando a gente chega no local, querem nos obrigar a fazer o que não foi acordado. É uma luta diária. A prostituta acaba dialogando com seu parceiro, tentando resolver tudo na conversa, mas quando isso não acontece, eles partem para a violência”, disse Amanda Lohan (nome de “guerra”), de 21 anos, que tem como ponto a esquina do motel Tenda Pousada, na avenida Grande Circular.

A coordenadora da Associação das Prostitutas e ex-Prostitutas do Amazonas, Sebastiana dos Santos Barata, também conhecida como “Ana”, conta que devido à tamanha violência que as garotas de programa têm sofrido no período da noite, a atividade tem migrado para o dia. Muitas iniciam às 6h. “É um sacrifício, concordo com essa mudança, mas não sou a favor de elas estarem atuando em cada esquina, sou a favor de ter um local apropriado para a atividade, o que facilita gerar mais renda e segurança”, destacou.

Conforme relatos de garotas de programas, o receio da violência fez com que muitas migrassem para bordéis e boates, onde há segurança do estabelecimento. “No último mês, eu quase morri. Um cliente se negou a pagar pelo programa e ainda me ameaçou. Foi preciso chamar as minhas colegas para interferir na situação e obrigar o cara a pagar. Não teve polícia”, disse uma profissional, que não quis se identificar. Ela, que antes atuava na avenida Brasil,  passou a trabalhar numa boate, no Centro.

Outra parte das jovens prefere marcar os programas por telefone ou pelas redes sociais. “É muito melhor do que você ficar esperando um cliente na rua. Agora temos como ter uma identificação do cliente pela placa do carro e pelo aparelho celular”, comentou Isla Sueny, 19, que mora no bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste.

Uma escolha de riscos e preconceito

Já faz 15 anos que Michelly Brasil, 35, tomou uma decisão que mudou o rumo da própria vida. Ela tinha 20 anos quando decidiu ingressar na prostituição, após ser influenciada pelas amigas, que já faziam programas sexuais.

A possibilidade de ganhar dinheiro rápido, sem precisar cursar uma faculdade ou enfrentar longas jornadas de trabalho chamou a atenção da jovem, na época.

Com um jeito despojado e roupas sensuais, ela começou a ajudar no sustento da casa com o lucro dos programas que realizava, mas se deparou com uma realidade de sacrifícios e perigos, impostos pelo preconceito e pela discriminação. “Não temos apoio de ninguém, sem contar que estamos sujeitas à violência”, comentou.

Michelly costuma trabalhar próximo a um posto de combustível, na avenida André Araújo, no bairro Aleixo. Ela e outras garotas ficam esperando por clientes. Quando eles chegam, elas são levadas a motéis e para as casas dos clientes. Parte do dinheiro pago pelos clientes vai para os hotéis que abrigam os encontros e a duração média dos programas é de 20 minutos.

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