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Manaus
Perigo

Sem manutenção, pontes de bairros da Zona Sul estão em situações precárias

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que tem conhecimento da situação e que um levantamento técnico na área já foi realizado. 16/04/2016 às 10:35 - Atualizado em 16/04/2016 às 10:43
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Para atravessar a ponte do ‘Peixe’, na Betânia, João leva a neta nos ombros (Foto: Antônio Menezes)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Atravessar a ponte do ‘Peixe’, no bairro Betânia, Zona Sul, é tenso. Os vãos entre uma madeira e outra e a falta de suporte para se segurar são só parte das dificuldades que os moradores enfrentam. Na última terça-feira, com a forte chuva que atingiu Manaus, as bases da ponte entortaram, comprometendo a estrutura e deixando a travessia ainda mais perigosa.

O técnico em eletrônica Nelson Batista de Araújo, 51, precisa passar pela ponte todos os dias para cortar caminho entre os bairros Crespo e Betânia. Ele conta que a estrutura não recebe manutenção há mais de dois anos. “Está muito difícil a nossa situação. Já veio reportagem, já veio político, menos a secretária responsável pela reforma. É lamentável”, desabafa. 

João Batista, 56, e a neta Sara, de 5 anos, também enfrentam as mesmas dificuldades. Por medo que a criança caia da ponte, ele prefere levá-la nos ombros. “Não dá pra deixar as crianças sozinhas. Elas podem cair nos buracos. Como ela é a mais nova, eu ainda carrego. Mas os mais velhos, quando vão para a escola, vão sozinhos e passam pelos mesmos riscos”. 

'Principal acesso'

A autônoma Lorena Araújo, 29, conta que a ponte é o principal acesso dela para a avenida Silves, no Crespo. Se não fosse a ponte, ela teria que caminhar pelo menos 30 minutos todos os dias para atravessar a rua pelo Complexo Viário Gilberto Mestrinho. 

“Quando chove a gente precisa atravessar pelo complexo porque fica muito perigoso vir pela ponte. Eu, como tenho dois filhos e preciso levá-los e buscá-los na escola todos os dias, sofro na pele o medo de passar por esta ponte”, comenta a autônoma. 

A ponte é muito movimentada, principalmente pela manhã, quando os alunos vão para a escola. Além dos moradores do Prosamim, as famílias que ainda não foram beneficiadas pelo programa também dependem da passagem. 

'Outras pontes'

Além da ponte do ‘Peixe’, pelo menos outras três pontes do bairro estão na mesma situação. A ‘São Cristóvão, ‘do Aterro’ e a ponte da ‘Madeira, também localizadas entre o bairro da Betânia e o Crespo, estão com as estruturas deterioradas. 

 Morador da rua do Aterro, José Carlos Silva, 33, teme que a ponte caia quando o igarapé encher mais. “A ‘cheia’ deste ano está atrasada, por isso não aconteceu algo pior. Mas nosso medo é que a ponte desabe quando a água subir. Nós precisamos muito desse acesso”.

Seminf informou que ‘levantamento técnico’ foi realizado

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que tem conhecimento da situação e que um levantamento técnico na área já foi realizado. A Seminf aguarda somente a finalização dos trâmites documentais com a publicação do processo de licitação para efetuar as compras de 2016.

A pasta respondeu, ainda, que em 2015 recuperou 48 pontes de madeiras, construiu 85 novas pontes, além de 10 passarelas. Na zona Sul, o bairro Betânia foi contemplado com novas pontes nas ruas Cruzeiro e Comandante Ferraz. No bairro Raiz, os moradores da Rua Daniel Servalho também foram contemplados com uma nova ponte. Já em virtude da cheia do ano passado, a Defesa Civil e a Seminf, juntas, implantaram mais de 3 mil metros de pontes e passarelas em áreas alagadiças. 

O mapeamento de 2016 já está sendo realizado e, assim que finalizados os processos de compra de material, as pontes identificadas receberão os devidos serviços estruturais.

Denúncia

As pontes foram tema de discussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador Everaldo Farias (PV) chamou atenção para situação que vem afligindo os moradores e denunciou o problema na Tribuna. 

 Para atender a demanda, o vereador protocolou o Requerimento 1064/2016, solicitando que a Prefeitura de Manaus realize obras de reforma nos locais. “As pontes são o único acesso que os moradores possuem para trafegarem, e a situação nos locais é crítica. A estrutura por estar deteriorada corre o risco de cair, e com o período escolar o perigo é ainda maior para a integridade física dos pais, alunos e funcionários que usam as pontes para se deslocarem às escolas”, frisou.

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