Publicidade
Manaus
maus hábitos

Aedes aegypti: Falta de consciência da população é principal causa de epidemia

Enquanto maus hábitos, como deixar água parada e logar lixo na rua, persistem, o mosquito faz vítimas. no bairro gilberto Mestrinho, um terreno serve de criadouro para os mosquitos: além do mato, recipientes jogados por outros moradores tornam-se foco 16/04/2016 às 10:35 - Atualizado em 16/04/2016 às 12:06
Show 2
Na rua Canadá, na comunidade Grande Vitória, Zona Leste,pelo menos mais seis pessoas contraíram a doença neste ano (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Luana Carvalho Manaus (AM)

“Estamos vivendo uma epidemia camuflada. É uma irresponsabilidade dos moradores que não tomam atitudes para evitar a proliferação do Aedes aegypt e também dos governantes, que só sabem fazer propaganda e não tomam medidas mais sérias para acabar com o problema”. 

O desabafo é do marinheiro Francisco Vasconcellos, 51, que assim como a mulher dele, Zuleide Silva, 53, foi diagnosticado com zika no início do mês. Na rua Canadá, na comunidade Grande Vitória, bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste, além do casal, pelo menos mais seis pessoas contraíram a doença neste ano. 

“Nos outros anos a gente percebia uma presença maior dos carros que borrifavam inseticida e dos próprios agentes de endemias. Que passavam em nossas casas para colocar o veneno e fazer uma fiscalização. Hoje em dia a gente não vê mais isso. As periferias, principalmente, estão esquecidas”, completa Vasconcellos. 

A vizinha dele, Paula Alves, 39, e a filha dela, Raquel Silva, de 10 anos, estão se recuperando após serem diagnosticadas com Zika. “Em mim deu muita febre, um inchaço no joelho que provocou dores horríveis e manchas pelo corpo. Comecei a melhorar depois de uma semana, mas minha filha ainda está mal”, relata. 

Focos do mosquito
Próximo à casa deles, um terreno com uma casa abandonada serve de criadouro para os mosquitos. Além do mato, recipientes usados e lixo jogados por outros moradores tornam-se foco para proliferação dos mosquitos. 

Em uma outra residência, uma caixa d’água destampada chama a  atenção. “Muita gente tem reclamado dos mesmos sintomas. Alguns procuram os médicos, outros nem procuram, porque já sabem que eles vão passar dipirona e muitas vezes não realizam nenhum exame”, comenta a autônoma Antônia Antonícia, 40, cujo filho, Felipe Silva, 18, está com suspeita de dengue. 

“Ele sente febre, dores pelo corpo e muita fraqueza. Como muitas pessoas aqui na rua também tem se queixado disso, a gente supõe que seja dengue ou Zika. Mas ainda vamos ao hospital nesta semana”, completa. 

E esses relatos em comum entre os moradores não são por acaso: o primeiro  Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) de 2016 apontou que o bairro Gilberto Mestrinho estava no nível de médio risco, assim como outros 20 bairros da capital. Em outros 17 - a maioria nas zonas Norte e Leste - o risco é alto, apontou o Liraa.  

A Semsa  informou que iniciará na segunda-feira a aplicação de biolarvicida nas zonas Norte e Leste e instalação de capas em depósitos de água.

Áreas de risco

Em Manaus, 17 bairros estão em alto risco, 25 em médico risco e 21 em baixo risco de transmissão de doenças pelo Aedes Aegypti.  As informações são  do 1º Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) de 2016. O Distrito de Saúde Leste  (Disa Leste) tem o maior índice predial, com 3,6, sendo que cinco bairros foram classificados como de alto risco de contaminação: São José, Coroado, Tancredo Neves, Armando Mendes e Zumbi. O Distrito de Saúde Norte (Disa Norte) é o segundo com maior infestação, com índice de 1,6.

O  levantamento, realizado entre 18 de janeiro e 5 de fevereiro, apontou que Manaus permanece em médio risco, com um índice predial de 1,9. Foram visitados 29.493 imóveis em todos os bairros de Manaus, envolvendo aproximadamente 300 profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Números

Até dia 12 deste mês, 2.697 casos de Zika havia sido notificados no Amazonas, sendo quase todos em Manaus (2.675).  Foram confirmados 376. De 504 casos notificados em grávidas, 81 foram confirmados. Já os casos de dengue notificados no Amazonas foi de 4.967 até dia 12 de abril, sendo 2.960 na capital. A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS)  informou, ainda, que 142 casos de Chikungunya foram registrados, sendo 134 em Manaus.

Publicidade
Publicidade