Sexta-feira, 27 de Novembro de 2020
APROVADO

General Pazuello será 'cidadão do Amazonas' e vai receber medalha de deputados

Ministro da Saúde escolhido por Bolsonaro para o combate à pandemia do coronavírus receberá as duas principais condecorações do Legislativo Amazonense



PAZUELLO_81C5B5DE-66CA-4F19-9BF9-D78F0E1C9FE9.jpg (Foto: EBC)
06/10/2020 às 14:13

A Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou por unanimidade na manhã desta terça-feira (6) a concessão das mais altas condecorações da Casa ao ex- comandante Militar da Amazônia e recém empossado ministro da Saúde titular, Eduardo Pazuello, por “serviços prestados à Amazônia”. 

As propostas de conceder o título de cidadão do Amazonas e medalha Ruy Araújo ao general da ativa do Exército Brasileiro - que não possui formação técnica para ocupar a pasta da saúde - são dos deputados estaduais Adjuto Afonso (PDT) e Josué Neto (PRTB).



As proposituras dos dois deputados foram criadas ainda em fevereiro, um mês antes do primeiro caso de covid-19 no Brasil, registrado em março. Adjuto Afonso apresentou o projeto de lei n° 26/2020 que pretende conceder o título de Cidadão do Amazonas ao general de divisão. Na redação do projeto, o deputado vangloria o currículo do oficial fluminense e ressalta a carreira militar do general, lembrando a conquista do prêmio Direitos Humanos 2018, por Pazuello, em função das ações de acolhimento e proteção de venezuelanos durante a operação Acolhida, em Roraima.

O presidente da ALE-AM, deputado Josué Neto, apresentou o projeto de resolução legislativa n° 05/2020 para conceder a medalha Ruy Araújo ao ministro. O deputado destaca o currículo de Pazuello na justificativa da propositura, frisando as qualificações de origem militar do general. Neto pediu o apoio dos colegas deputados para aprovação da outorga da medalha.

As iniciativas foram subscritas pelos deputados Delegado Péricles (PSL), João Luiz (Republicanos), Álvaro Campelo (Progressistas), Felipe Souza (Patriota), Joana Darc (PL) e Fausto Júnior (PRTB).

Ao celebrar a aprovação da concessão da condecoração, o presidente da Assembleia, deputado Josué Neto, disse que será uma grande alegria “fazer um evento aqui nesta Casa também ao Ministro Pazuello”.  

No dia 24 de agosto, A CRÍTICA adiantou que os projetos de lei para premiar Pazuello haviam recebido o sinal verde para prosseguirem para a Comissão de Constituição e Justiça da ALE.

Resposta à pandemia

Sob os mais de quatro meses de interinidade de Pazuello no Ministério da Saúde, os números da pandemia aceleraram. No dia da posse de Pazuello, o Brasil atingiu a marca de 133 mil mortes. Ignorando os números, o general afirmou durante evento de sua posse que o Brasil está vencendo a Covid-19.

À frente do Ministério da Saúde, o general Pazuello cumpriu, como militar, ordens polêmicas de Jair Bolsonaro, entre elas: tirou do ar dados consolidados sobre a pandemia do site do Ministério da Saúde para que jornais não pudessem repercutir os altos números de mortos e infectados, desintegrou o corpo técnico do Ministério da Saúde nomeando militares sem qualificação, além de assinar uma nota técnica que faculta o uso da cloroquina em todos os casos do novo coronavírus.

Pazuello também desprezou recomendação do Ministério da Saúde para não comprar mais cloroquina. Comitê técnico da pasta fez alertas sobre a compra de cloroquina e outro sobre a falta do "kit intubação”, como sedativos e analgésicos, estavam com os estoques críticos na maioria dos estados. Ambos foram ignorados pelo ministro interino.

Recentemente, o já empossado ministro retirou a Covid-19 da lista de doenças de trabalho, além de demitir os técnicos responsáveis por incluir a doença na lista de enfermidades ocupacionais.

Currículo

Pazuello é o nono ministro de origem militar no governo Bolsonaro, pessoas com origem na caserna já ocupam agora quase metade dos 22 postos do primeiro escalão do governo.

Diferentemente de outros integrantes militares da equipe de Bolsonaro, porém, Pazuello é um militar da ativa. Antes de ir para Brasília, o general de três estrelas comandava a 12ª Região Militar da Amazônia.

O general foi efetivado no comando da pasta porque partidos do chamado centrão, grupo de partidos políticos de centro e direita, que possui mais 200 deputados na Câmara dos Deputados, e que se aproximou de Bolsonaro nos últimos meses, assumindo cargos no governo, vê como arriscado indicar um nome neste momento que a pandemia segue registrando altos números de infectados e mortos.

 


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