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Gestão de Amazonino empresta milhões da Caixa para obras que ainda não foram realizadas

Moradores do loteamento Águas Claras I e II guardam uma placa que revela que a obra deveria ter iniciado dia 4 de julho de 2012 e concluída no próximo dia 29 19/06/2013 às 09:16
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Moradores do Águas Claras I e II convivem diariamente com a lama. Em tempo de chuva é impossível trafegar pelas vias e no verão a poeira é insuportável
FLORÊNCIO MESQUITA ---

A Prefeitura de Manaus, na gestão de Amazonino Mendes, emprestou R$ 50.295.838,85 da Caixa Econômica Federal para pavimentar ruas, instalar rede de esgoto e sinalização viária, além de construir passeios públicos no loteamento Águas Claras I e II, mas os serviços não foram realizados. Uma placa instalada no local, e que foi guardada pelos moradores, revela que a obra deveria ter iniciado dia 4 de julho de 2012 e seria concluída no próximo dia 29. No entanto, a maioria dos serviços que deveriam estar prontos sequer começou a ser feito e os moradores que continuam enfrentando transtornos diários querem saber para onde foi o dinheiro e por quê a obra foi abandonada.

Há 18 anos, 4.682 famílias que moram no Águas Claras compraram os lotes cujo contrato previa pavimentação, água e energia elétrica, além de todos os serviços básicos necessários para moradia. Contundo, a promessa não foi cumprida. Desde que começaram a morar no local eles esperam que os serviços sejam realizados, principalmente pelas promessas dos últimos prefeitos que passaram pelo executivo municipal em quase duas décadas e que disseram que o problema seria solucionado.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), que tinha à frente o então secretário Américo Gorayeb, contratou uma construtora para fazer o serviço. Equipamentos e materiais que seriam usados na construção começaram a ser colocados no loteamento, além das placas da obras. Porém, em dezembro do ano passado, quando Amazonino estava prestes a deixar o cargo, a construtora retirou os materiais e equipamentos do local, segundo afirmou o morador Vivaldo Corrêa, 33, que comprova o fato com fotografias.

A empresa também tentou, conforme Vivaldo, retirar as placas que informam o valor, prazos e participantes do serviço, mas os moradores não permitiram e aguardaram o material como prova. No pacote de obras também estava inserido do bairro Novo Aleixo, que também espera pelos serviços.

Em meio à dúvida dos moradores, se o valor foi ou não repassado integralmente à construtora, pela prefeitura, a única certeza que eles têm é o fato de as ruas estarem no barro, sem rede de esgoto, água encanada, sem asfalto, posto médico e posto de saúde, além de áreas de convivência como estava previsto no convênio.

Loteamento carece de água

A tubulação de esgoto de água começou a ser colocada num trecho de, aproximadamente, 30 metros. O detalhe é que os canos foram retirados pouco antes do encerramento da última gestão da Prefeitura de Manaus, sem justificativa. A água nunca chegou às torneiras das casas, ao contrário dos hidrômetros de contas de água. Não existe água encanada no loteamento Águas Claras. A única água usada é obtida em poços artesianos construídos pelos próprios moradores. Entretanto, parte do loteamento recebeu duas contas de água sem usufruir de uma gota sequer. A dona de casa Dalva do Nascimento Lima, moradora da rua F 5, foi uma das que passou pelo problema. Ela cansou de ser cobrada por telefone e pagou duas contas sem ter o serviço. “É um absurdo não termos nem tubulação. Como cobrar uma coisa que não existe? Queria que parassem de me cobrar por uma coisa que eu não usei. Paguei as contas e agora ligam cobrando os juros do atraso no pagamento”, disse.

Imóveis são invadidos pela poeira

Mesmo sem estrutura viária, o loteamento é uma das principais rotas para chegar aos núcleos 15 e 16 na Cidade Nova, Amazonino Mendes (Mutirão), Novo Aleixo e avenida Governador José Lindoso (Torres).  Quando os carros, ônibus e caminhões passam pelo local, a poeira toma conta de casas. O problema é mais grave em dias de chuva porque o barro se transforma em lama e os veículos não conseguem passar.

Alguns moradores ficam até impossibilitados de sair da própria casa. A comerciante Rosângela Mesquita da Silva, 35, mantém, há seis anos, um comércio na rua Raimundo Salgado e todos os dias é prejudicada pela falta de pavimento. “Os produtos ficam empoeirados e toda hora tenho que fazer limpeza. Em dia chuva ninguém consegue chegar aqui de tanta lama que fica. Os fornecedores que entregam os produtos também têm dificuldade para chegar aqui. É um absurdo”, disse.

Obras foram paralisadas por falta de ‘projeto executivo’

As obras no loteamento Águas Claras não foram realizadas porque a última gestão da prefeitura firmou o convênio de mais de R$ 50 milhões com a Caixa Econômica Federal sem sequer apresentar um “projeto executivo” para o serviço. A apresentação do projeto é imprescindível para nortear o planejamento, bem como o trabalho que será feito na obra.

Segundo a atual gestão da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (Seminfh), a obra seria feita a “olhos nu” e a Caixa Econômica Federal, enquanto financiadora,  encontrou diversos problemas de execução e paralisou os serviços ainda no ano passado.

A atual gestão elaborou junto à sua equipe de engenharia o primeiro “Projeto Executivo” para obras de infraestrutura no Águas Claras. O projeto foi feito no início do ano e encaminhado para aprovação.

A secretaria prevê que a Caixa devolva o projeto indicando o parecer no início da próxima semana. A pasta ainda ressaltou que reiniciará as obras o mais breve possível após a aprovação do projeto. As obras que competem à Prefeitura de Manaus, no loteamento Águas Claras, são vias públicas e registradas em cartório no ato da aprovação do projeto do loteamento em abril de 1993.

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