Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
SEIS ANOS E MEIO

Gestão de Artur gastou R$ 70 milhões com a retirada de entulhos em igarapés

Prefeitura mantém contrato milionário para retirar lixo dos igarapés e pouco investe para evitar o descarte nos mananciais



agora_lixo_CA1D5085-3B0B-49E7-9470-332DAD395694.JPG A CRÍTICA registrou imagens da balsa da empresa com uma retroescavadeira. Foto: Sandro Pereira/Free lancer
07/07/2019 às 05:40

A gestão do prefeito Artur Neto (PSDB)  gastou, nos últimos seis anos e meio, quase R$ 70 milhões com a retirada de mais de 47 mil toneladas de entulho dos igarapés de Manaus, e praticamente nenhum centavo para evitar o descarte de lixo doméstico nos mananciais que cortam a cidade.

No ano passado, por exemplo, a retirada de 9,6 mil toneladas de lixo correspondeu a R$ 14,9 milhões em recursos públicos, o equivalente a R$ 1.557,41 por tonelada de resíduo, segundo planilha disponível no relatório de atividades da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp).



A indústria milionária da retirada de entulho doméstico dos igarapés garantiu, no período de 2013 a junho deste ano, quase R$ 40 milhões para a Trairi Comércio de Derivados do Petróleo. A reportagem de A CRÍTICA registrou,  imagens da balsa da empresa  com uma retroescavadeira retirando lixo do igarapé do São Raimundo, que recebe as águas do igarapé da Compensa, na avenida Brasil.

A empresa possui contrato com o Executivo municipal desde 2012 ainda na gestão Amazonino Mendes. Fruto de concorrência, a contratação teve o total de oito termos aditivos até meados de 2017.

No primeiro ano da gestão Artur Neto, em 2013, a Trairi registrou R$ 8,4 milhões em empenhos (primeira fase de pagamento), porém nenhuma quantia foi repassada à empresa, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência do Município.

Nos anos de 2014 e 2015, a prefeitura de Manaus desembolsou para empresa em pagamentos R$ 7 milhões e R$ 6,2 milhões, respectivamente. O menor valor registrado em repasses à Trairi foi em 2016, na quantia de R$ 5,9 milhões. Em 2017, foi pago à Trairi R$ 6,2 milhões.

Em 2018, a Semulsp celebrou dois contratos, com dispensa de licitação, com a Trairi no valor global de R$ 4,7 milhões por 180 dias de vigência cada. Do total de R$ 8,1 milhões em empenhos, R$ 7,3 milhões foram efetivamente pagos.

O registro de uma nova licitação ocorreu somente em 2019, conforme nota de empenho à empresa datada de 18 de junho, no valor de R$ 804,2 mil, que informa a contratação oriunda de pregão presencial de nº05 para remoção de entulhos nos rios e igarapés. O contrato não está disponível no Portal da Transparência. No acumulado, a Trairi recebeu dos cofres públicos o montante de R$ 38,1 milhões até junho deste ano.

Sem contrapartida

Questionada sobre as ações de prevenção e/ou fiscalização realizadas pela administração municipal para evitar que a população jogue sacos plásticos, garrafas pet e outros resíduos domésticos nos igarapés, a Semulsp desconversou. Disse que age com lisura e que eventuais denúncias devem levadas aos órgãos de controle.

A vendedora de uma loja de móveis na Avenida Brasil, Zona Oeste, Jhenifer Sena, abordada pela reportagem, disse que nos últimos quatro anos não viu nenhuma ação de prevenção da prefeitura de Manaus sobre o  descarte de lixo em igarapés, principalmente, nas muretas ao longo da avenida.

Em números

38,1 milhões

De reais foi o valor pago pela prefeituraà Trairi  Com. de Derivados de Petróleo para remoção de entulhos nos rios e igarapés, no período de 2014 a  2019. Somente neste ano, até junho, a empresa recebeu R$ 5,3 milhões. Os serviços de 2013 só foram empenhados.

Secretaria não explica

A  Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou, por meio de nota, que todos os procedimentos da retirada de entulho dos igarapés estão corretos e as informações são regularmente apresentadas aos órgãos de controle.

“As operações ocorrem dentro da normalidade e qualquer insinuação sobre a lisura dos trabalhos da Semulsp deve ser devidamente apresentada e comprovada pelo denunciante às autoridades competentes”, diz a nota.

A Semulsp não esclareceu os serviços e atividades que integram os custos totais de limpeza dos igarapés, valores superiores repassados à Trairi Comércio de Derivados de Petróleo Ltda.

A reportagem questionou a Semulsp sobre quais igarapés recebem o serviço de limpeza, a quantidade de lixo retirada por mês e onde é depositado o resíduo, como é feito o controle deste serviço  e qual ação de prevenção a Prefeitura de Manaus realiza para evitar o descarte nos  igarapés. Essas perguntas não foram respondidas pelo órgão.

A CRÍTICA tentou contatar a empresa Trairi pelos telefones 32xx-83xx e 36xx-36xx e por e-mail, mas não recebeu resposta.

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Repórter de A Crítica

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