Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
DETALHES DO CRIME

'Givancir atirou e matou meu filho', afirma mãe de vítima fatal em Iranduba

O presidente do Sindicato dos Rodoviários foi preso na noite dessa segunda-feira (2), suspeito pela morte de Bruno de Freitas, 24. Ele também é suspeito da tentativa de homicídio contra uma mulher trans identificada como Tchelsy



WhatsApp_Image_2020-03-03_at_12.48.14__4__7848E7FC-BD69-48F5-ADD5-C7112549375E.jpeg Foto: Jair Araújo
03/03/2020 às 09:15

Adriana de Freitas, mãe de Bruno de Freitas, 24, morto no sábado (24), no município de Iranduba, acusa o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, de ser o autor do crime, que também deixou ferida uma mulher trans identificada como 'Tchelsy', prima da vítima fatal. Ao A Crítica, Adriana detalhou como aconteceu a ação criminosa, após ter falado com a sobrevivente Tchelsy no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Defesa nega acusações e alega perseguição política.

Segundo a mulher, 'Tchelsy', que era funcionária de Givancir, demitida há poucos meses, tinha ido até a casa do suspeito efetuar uma cobrança referente à rescisão do contrato trabalhista. A ex-funcionária decidiu chamar o primo, Bruno, para que fosse levá-la de moto ao local do possível pagamento.



"Eles foram até a casa do Givancir a pedido dele e, quando chegaram lá, um funcionário da casa jogou algumas notas rasgadas por baixo da porta. Ela [Tchelsy] disse que não receberia o dinheiro daquela forma, porque nenhum comércio iria aceitar. Então, foi quando ela disse que iria à Justiça, e os dois foram embora", esclareceu a mãe e tia das vítimas, respectivamente.

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Homicídio

Ainda conforme a dona de casa, durante o trajeto feito pelas vítimas, um carro colidiu contra a parte traseira da motocicleta e, quando os dois caíram, os três ocupantes do veículo saíram e, Givancir, com o rosto coberto, entrou em luta corporal contra Tchelsy.

"Nesse momento, ele estava com uma camisa no rosto e, durante a luta, ela puxou da cara dele. Com ele, havia uma mulher e outro homem. Minha sobrinha disse para ele não atirar no primo dela, mas eles atiraram no Bruno", enfatizou.

A sobrevivente relatou aos familiares que, mesmo conseguindo correr, levou dois tiros nas costas. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus. Bruno morreu no local.

Após o crime, os suspeitos fugiram do local. À família, Tchelsy revelou que Givancir tentou pegar o aparelho celular dela, a fim de que as conversas não fossem descobertas.

"Eles mataram o Bruno. Meu filho era inocente, não fazia mal a ninguém. Ele tentou pegar o telefone dela, mas não conseguiu; porque ele queria apagar as mensagens, para não ter provas contra ele. O Givancir tinha um relacionamento com Tchelsy, mas meu filho não tinha nada a ver com isso. Ele só foi levar a prima dele lá e acabou morrendo", desabafou em prantos a mãe da vítima.

Em prantos, a mulher cobrou justiça com relação à morte do filho. “Eu nunca mais vou ver meu filho deitado no sofá. Ele era um homem de bem e não merecia ser morto por esse bandido. Meus dois filhos eram conhecidos no Iranduba todo”, afirmou. 

Indagada sobre a personalidade de Givancir, com o qual a família manteve contato desde 2019, Adriana disse que ele era um homem desrespeitoso. “Se ele visse uma mulher, já chamava de ‘gostosa’ e passava a mão na bunda”, disse.

Prisão

O presidente do Sindicato dos Rodoviários se apresentou, durante a tarde desta segunda-feira (2), na  sede da 31ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP). Acompanhado de dois advogados de defesa, o suspeito adentrou pela porta dos fundos e prestou depoimentos ao titular da DIP, delegado Geraldo Elói.

Após o procedimento, a Polícia Civil resolveu representar pela prisão do suspeito e o juiz Carlos Henrique Jardim da Silva, que responde pela 2ª Vara da Comarca de Iranduba, acatou o pedido, decretando prisão temporária de trinta dias contra Givancir.

Um dos advogados do suspeito, Orlando Bentes, destacou a apresentação espontânea de Givancir e pontuou sobre os pontos em que a defesa se embasará.

"Nós vamos trabalhar para revogar essa prisão. Já foram prestados esclarecimentos sobre onde ele [Givancir] estava no momento do crime, e que não houve qualquer participação direta ou indireta dele. Não há fundamentos necessários para a manutenção dessa prisão", destacou o advogado.

Perseguição política

Um segundo advogado, identificado como Sylvio Costa,  detalhou o cancelamento da candidatura do suspeito à disputa pela prefeitura do município, e relatou que a acusação tem cunho de perseguição política. Ele questionou ainda a ausência de indiciamento.

"Há muitas informações desencontradas. Só há indiciamento quando se tem provas e isso não aconteceu", concluiu.

O suspeito foi transferido para uma unidade prisional de Manaus, onde deverá permanecer detido durante a vigência da sua prisão temporária.

*Colaborou Filipe Távora

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