Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Manaus

Golpes em ruas estão em alta em Manaus

Golpistas, estelionatários, ‘171’, as denominações são tão variadas quanto as modalidades de fraudes, que seguem fazendo vítimas



1.jpg Em abril, a operação Gaya, da Polícia Civil, resultou na prisão de 11 estelionatários que vendiam terrenos ilegalmente, entre eles a corretora imobiliária Silma Braga
18/05/2013 às 16:29

Os golpistas sempre existiram. Eles movimentam grandes somas em dinheiro e não encontram muita dificuldade para fazer suas vítimas. Nos últimos anos, os golpes têm ganhado novas versões, deixando para trás o antigo “golpe da baluda” e o “conto do vigário”, passando a utilizar a tecnologia em golpes aplicados pelo telefone, pela Internet e até pelos sistemas eletrônicos bancários, o que tem elevado o número de vítimas que diariamente procuram as delegacias para registrar o Boletim de Ocorrência (B.O.).

Segundo o titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), Orlando Amaral, apesar dos meios de comunicação divulgarem com muita frequência as modalidades mais comuns de golpes que acontecem na cidade, ainda há um grande número de pessoas que caem na “conversa” dos golpistas.

Amaral disse que não é possível calcular o número de vítimas porque os casos são registrados em todas delegacias e ainda há um grande número de pessoas que prefere não registrar, por vergonha. “A maioria das vítimas que vêm à delegacia pedir ajuda da polícia chega aqui decepcionada com elas mesmas por terem sido tão ingênuas”, disse o delegado. Ele enumerou os golpes mais comuns que vêm acontecendo em Manaus.

Segundo Amaral, uma modalidade de crime que tem crescido e assustado famílias de todo o País, conhecida como falso sequestro, ainda faz muitas vítimas em Manaus. Esse tipo de golpe é feito por criminosos que estão em presídios de outros estados, que conseguem fazer telefonemas usando celulares ou centrais telefônicas instaladas clandestinamente nas unidades.

Segundo o delegado, os golpistas convencem a vítima que estão com um familiar em poder deles e exigem um valor para liberá-lo. O delegado orienta que, ao receber uma ligação anunciando o falso sequestro, o correto é desligar imediatamente o telefone e fazer contato com a pessoa que estaria sequestrada. Caso não consiga falar com ela, o próximo passo é entrar em contato com a polícia e pedir ajuda.

Bilhete premiado

Outro golpe bastante antigo, mas que ainda faz vítimas é o golpe do bilhete premiado. O delegado orienta que, quando aparecer alguém com um bilhete premiado querendo vender, o melhor é ter cuidado, pois você pode estar sendo atraído por um golpista. Normalmente, ele diz estar precisando de um dinheiro naquele momento e, apressado, deixa o bilhete como garantia à vítima e diz que já volta com o dinheiro para resgatar o bilhete, só que não retorna, deixando a pessoa com um bilhete sem valor algum, o que ela só descobre ao tentar retirar o suposto prêmio.

Dinheiro fácil deve causar desconfiança

O empréstimo por telefone é um golpe que faz muitas vítimas. A oferta de dinheiro fácil com juros baixos está nos classificados dos jornais com vantagens que enchem os olhos de quem está precisando de dinheiro.

Os golpistas sempre exigem o pagamento de uma taxa de adesão para efetuar a transação, só que a pessoa perde o adiantamento que deu e nunca receberá o empréstimo que fez. O delegado Orlando Amaral orienta a nunca fazer empréstimos por telefone.

No dia 29 de março, Arlen Mykel Donald de Oliveira, 35, foi preso por policiais civis em uma reunião com vítimas inscritas em um falso Processo Seletivo Simplificado (PSS).

Ele prometia que os candidatos aprovados seriam contratados pela Secretaria Municipal de Saúde de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), mas, para isso, teriam que pagar R$ 80 para “segurar” a vaga. Ele prometia salários de até R$ 6 mil e outras vantagens.

Recentemente, o delegado Amaral indiciou criminalmente um estelionatário, identificado como Dirceu Graeser Alves Pedrosa, 33, acusado de ter aplicado golpe em mais de 15 locadoras de carro, com a compra e venda do veículos com cheques roubados e sem fundo. Ele fazia os negócios em nome de terceiros, e nunca pagava a dívida. Quando o comerciante desconfiava do golpe, Dirceujá havia sumido, levando o veículo. Segundo a polícia, o esquema provocou um prejuízo avaliado em aproximadamente R$ 600 mil.

Saiba mais

Ambição

Segundo o delegado Orlando Amaral, a ambição por obter vantagens sem grandes esforços, o chamado “olho grande”, é a principal motivação dos golpes. Os golpistas são hábeis, possuem boa lábia e muitas vezes aproveitam da fragilidade das vítimas para agir. “O que as pessoas precisam ter em mente é que ninguém consegue nada que seja legal de forma fácil. É necessário uma mudança de mentalidade para não cair no papo dos estelionatários”, orienta Amaral.

Profissional

Ainda segundo o delegado, muitas vezes as vantagens são tantas que as vítimas não raciocinam. Geralmente o estelionatário faz do golpe uma profissão. Ele é preso pela polícia, vai para a cadeia e, como a pena prevista é mínima, não chega ficar muito tempo preso e, quando ganha liberdade, volta a agir. 


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