Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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SAÚDE

Governo japonês doa R$ 69,2 mil para tratamento de hanseníase no Amazonas

Nos dois primeiros meses de 2019, Estado já registrou 49 casos da doença. O Consulado-Geral do Japão em Manaus apoia anualmente projetos na Amazônia Ocidental


08/03/2019 às 21:02

Vinte e dois mil e quinhentos e noventa e oito dólares, o equivalente a R$ 69,2 mil.  Essa foi a quantia doada pelo governo japonês, por meio do Consulado-Geral do Japão em Manaus, ao “Projeto de Aquisição de Bens Hospitalares aos Acometidos pela Doença de Hanseníase na Fundação Alfredo da Mata (Fuam)”. O principal objetivo da doação é fortalecer ainda mais o combate à hanseníase no Amazonas com a compra de novos equipamentos, estufas e instrumentos para o centro cirúrgico do hospital.

A doação do governo japonês é uma ação do programa de “Assistência a Projetos Comunitários de Segurança Humana (APC)”, que apoia financeiramente várias entidades ao redor do mundo (hospitais, estabelecimentos de ensino fundamental e outras organizações sem fins lucrativos) com a finalidade de fomentar os projetos comunitários dos países em desenvolvimento. O Consulado-Geral do Japão em Manaus apoia, por ano, dois projetos pelo APC na Amazônia Ocidental, que engloba os Estados do Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre.  

Para a cônsul-geral do Japão em Manaus, Hitomi Sekiguchi, a doação ao projeto da Fuam é uma forma de estreitar mais os laços de amizade entre Brasil e Japão, principalmente em razão da comemoração dos 90 anos da imigração japonesa na Amazônia esse ano.

“O Japão já sofreu muito com essa enfermidade. Hoje os índices, se houver, são poucos por lá. Por isso, o governo japonês tem feito vários seminários e workshops [pelo mundo] para ajudar a eliminar a doença e combater o preconceito com os pacientes, que ainda é muito grande justamente pela falta de informação a respeito. Apoiando financeiramente projetos [como o da Fuam] ao redor do mundo ajudamos a construir instalações para a melhoria das condições de trabalho nos hospitais que lidam com pacientes de hanseníase’’, disse.

Segundo o diretor-presidente da Fuam, Ronaldo Derzy, ainda vivemos uma realidade distante da eliminação total da enfermidade no Estado. “Hoje há menos de 10 pacientes para cada 100 mil habitantes e temos reduzido esse índice gradativamente, contudo, a OMS [Organização Mundial da Saúde] recomenda menos de um. Vivemos uma realidade distante da eliminação total da hanseníase no Amazonas, mas o tratamento continua eficaz. O preconceito reduziu bastante, em parte pela diminuição de pessoas com as sequelas da doença, mas ainda continua sendo ruim do ponto de vista social”, destacou.

Segundo a OMS, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos da enfermidade, ficando atrás apenas da Índia. No Amazonas, os índices de detecção da doença tiveram uma queda acentuada nos últimos 18 anos. De acordo com levantamento da Fuam, em 2000, a taxa de detecção era de 44,3 caso para cada grupo de 100 mil habitantes no Estado. Em 2018 esse índice caiu para 5,35. Uma queda de 77,1%.  Em 2019, foram registrados 49 casos em janeiro e fevereiro.

Preconceito ainda é barreira

De acordo com o presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (AADES), Ezequias dos Santos, essa doação do governo japonês é de extrema importância e relevância porque ajuda no desenvolvimento de um trabalho social com os pacientes de hanseníase no Estado.

‘’Temos buscado parceria com outras instituições para que possamos captar doações para ajudar no desenvolvimento econômico e social do Amazonas. Hoje sabemos que essa doença tem cura, mas o preconceito com os pacientes ainda é uma das grandes barreiras’’, destacou.

A hanseníase é uma doença milenar, com registros de mais de 600 anos A.C. A doença foi conhecida durante muito tempo como “lepra”. O nome foi substituído no Brasil em 1995 por criar um estigma sobre os pacientes. Em 1942 foi criado o Leprosário Colônia Antônio Aleixo, em Manaus, área para qual eram encaminhados os pacientes. O lugar foi desativado em janeiro de 1979 e se tornou em seguida o bairro Colônia Antônio Aleixo.

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