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Gratidão a uma cidade e a um fruto amazônico: o tucumã

A cor laranja do tucumã  representa, para a família de Robson, que se divide entre interior do Amazonas e a capital, Manaus, uma conexão com as raízes 23/10/2015 às 14:24
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Robson deixou as ‘idas e vindas’ do interior para fincar raízes em Manaus, onde passou a vender o tucumã colhido no sítio da família
Omar Gusmão ---

A conexão entre a capital o interior do Amazonas pode ser muito bem representada pela cor laranja do tucumã vendido diariamente por Robson Gaspar de Souza, 30, em sua banquinha no conjunto Rio Maracanã. O laranja revela sua predominância, seja nas frutas in natura em exposição, seja nas bandejas de lascas da fruta, que também podem ser compradas. O tucumã vem de Nhamundá e a conexão de Robson com o município é fundamental para que seus clientes manauaras desfrutem seus cafés da manhã e seus x-caboquinhos durante o ano todo.

“Antes eu trabalhava só vendendo o tucumã na saca, mas sempre foi da fruta o meu sustento.  Sou de Parintins, mas o sítio que a minha família tem fica mais perto da sede de Nhamundá do que de Parintins”, conta o ambulante, que veio há 13 anos para Manaus. Antes, vivia na rota Nhamundá-Manaus, sempre trazendo tucumã para vender.

Fincando raízes

O que motivou Robson a fincar bases em Manaus e deixar as constantes viagens de lado foi o nascimento de seu casal de filhos: Pamela, 7, e Ezequiel, 5. “Aí ficou difícil viajar. Parei mais por aqui. Meus irmãos tiram o tucumã e mandam pra cá”, conta.

De tão próspero, o laranja do tucumã já envolveu mais membros da família. “Lá em casa, minha esposa e uma funcionária descascam e tiram a polpa do tucumã para vender em bandejas”, diz, fazendo questão de ressaltar as normas de higiene aprendidas com “o pessoal da Anvisa e do Sebrae”. “Elas trabalham o tempo todo com luva e touca. E depois de colocar a polpa na bandeja, a gente envolve em papel filme para lacrar”, diz.

Quanto à sazonalidade da fruta, Robson diz que, para quem é do interior e conhece onde há plantações, não há esse problema. “A gente, que já é de lá, conhece. Tem época que fica pouco, perde a qualidade, mas não falta”, garante. “É uma fruta que depende muito de chuva. Se não houver chuva, não amadurece”, ensina.

Para muito além das receitas que incluem o laranja do tucumã em seus ingredientes – e que têm sem tornado cada vez mais comuns no cardápio dos restaurantes da cidade –, o que Robson deseja a Manaus e aos manauaras é mais investimentos na educação. “Eu sempre falo que não gosto muito de política, mas sou muito político na hora de questionar. Acho que, se melhorasse a educação, a cidade melhoraria. Está muito fraco. E os jovens, desamparados, acabam se envolvendo com o mundo do crime”.

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