Terça-feira, 23 de Julho de 2019
MANIFESTAÇÃO

Greve contra reforma da Previdência continua com passeata no Centro

Com faixas e blusas temáticas, manifestantes lotaram a Praça da Saudade, de onde caminharam para a Praça do Congresso



WhatsApp_Image_2019-06-14_at_18.01.38_203819D6-FEBF-45F4-B5AD-179C528B7935.jpeg Fotos: Márcio Silva
14/06/2019 às 18:04

A greve geral iniciada em Manaus pela manhã contra a atual proposta de reforma previdenciária seguiu com uma passeata, no Centro, na tarde desta sexta-feira (14). Com faixas e blusas temáticas, centenas de trabalhadores de várias categorias lotaram a Praça da Saudade, de onde caminharam para a Praça do Congresso.

Ao som de percussão sincronizada, jovens de universidades públicas e privadas gritavam "Tsunami", "Contra a reforma", em protesto. O membro da União Nacional dos Estudantes (UNE/AM), Christopher Rocha, explicou que a onda de manifestação gerada na comunidade acadêmica foi aderida nacionalmente, daí o conceito de "Tsunami".

"Protestamos contra o conjunto de ataques que o governo faz contra o povo. Ainda não estamos inseridos no mercado de trabalho e essa proposta estende a contribuição até 65 anos. É antipopular. Temos muitos rurais trabalhando que também serão prejudicados com isso. Acreditamos que o governo fantasia uma crise e sugere a reforma da Previdência, visto os recursos destinados ao lobby, aos banqueiros", contestou.

A professora universitária Helenise Lopes aproveitou para criticar o ministro de Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, referente ao comprometimento das investigações da Operação Lava Jato. "Mesmo aqueles que entendem pouco de Direito sabem que um juiz deve ser imparcial num crime", defendeu.

Para ela, houve uma lesão no direito democrático dos eleitores esquerdistas, que pretendiam votar no Partido dos Trabalhadores (PT), principalmente. "Tentei explicar as pautas do partido à epoca [eleitoral], mas todos demonizavam o PT. Hoje, pergunto dos eleitores do presidente qual o plano de governo vigente e ninguém sabe responder", argumentou.

A classe artística também aproveitou o movimento para expressar indignação. Levantando exemplares de "A pedagogia da autonomia", de Paulo Freire, pesquisador criticado pelo Governo Bolsonaro, o movimento Levante Mãos idealizou protestar em silêncio, apenas com o corpo.

"Frente a um governo que diz não pra educação e tem a arte como inimiga, não precisamos de muito para nos opor, pois a arte fala por si só. A arte crua é viva, presente e potencial para a construção política do ser", falou a performer Francis Baiardi.

Sindicatos

Dentre outras categorias trabalhistas, os petroleiros estavam no ato, em que interromperam parcialmente durante um dia as atividades nas usinas e distribuidoras. O diretor da Federação Única dos Petroleiros, Paulo Neves, detalhou que houve um seguimento nacional desta decisão.

"A presidência nacional da Federação instituiu que em todos os estados sindicalizados houvesse o acompanhamento nas manifestações. Mobilizamos os funcionários e terminamos a paralisação hoje, às 23h. Acreditamos que 80% da categoria aderiu ao chamado", enfatizou.

Para ele, a maior reivindicação é a privatização das usinas brasileiras, ponto essencial para a soberania econômica do País. "Uma empresa pública investe bem mais que uma privada. Além disso, lutamos por uma política nacional de preços dos derivados de Petróleo. Somos autossuficientes, porém a vantagem é dos investidores internacionais, não do trabalhador brasileiro. O petróleo é o causador das guerras mundiais e a Petrobras é a indutora da economia daqui", frisou.

Para a presidente do Sindicato dos Peritos Federais Agrários, Djalmary de Souza, a reforma da Previdência prejudica o retorno social dos servidores públicos, além de impor precariedade às mulheres do campo. "Se for para ser mudada, tem que ser algo participativo, estudado, como a reforma da Previdência solidária", relatou.

A Polícia Militar e o Manaustrans estiveram presentes ao longo da passeata, em que 15 militares fizeram o policiamento ostensivo. Aproximadamente 500 pessoas estiveram presentes no ato.

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