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Greve dos servidores da Suframa gera desabastecimento de produtos na cidade de Manaus

A falta de insumos industriais e alimentos perecíveis já é sentida nas fábricas e no comércio em razão da paralisação 15/06/2015 às 10:18
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Servidores da Suframa estão em greve desde maio. Eles buscam equiparação salarial da Suframa em relação a outras autarquias ligadas ao Mdic
Juliana Geraldo Manaus (AM)

De insumos industriais a alimentos perecíveis. A escassez de produtos em função da greve dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) alcançou o Polo Industrial de Manaus (PIM) e o comércio local mais cedo do que o esperado.

Segundo representantes dos dois segmentos da economia, a previsão de que uma crise de desabastecimento poderia demorar até dois meses para atingir a cidade caso a paralisação prosseguisse foi antecipada por acontecimentos da última semana.

A decisão tomada pelo  juiz da 3ª Vara Federal, Ricardo Sales na semana passada, que atendeu ao mandado de segurança impetrado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e passou para a responsabilidade da Sefaz, a atividade de desembaraço de mercadorias durante a greve, gerou um impasse entre os servidores da Suframa.

Com a determinação, eles  deixaram de cumprir o contingente mínimo de 30% da equipe trabalhando para liberação das mercadorias mais urgentes como perecíveis e remédios e paralisaram integralmente as atividades por quase uma semana.

 Comércio

O comércio local foi o primeiro segmento a sentir o impacto. De acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, a paralisação já afeta bastante o setor. Na semana passada alimentos perecíveis como carne e embutidos chegaram de forma reduzida e alguns produtos não foram entregues aguardando a liberação junto à Suframa.

“Tudo o que é perecível foi prejudicado. As carretas se acumularam e alguns fornecedores passaram a deixar de enviar os produtos com medo de que eles fossem perdidos enquanto aguardavam o desembaraço”, contou.

Assayag mencionou que, para amenizar os prejuízos, alguns empresários do ramo, foram a São Paulo buscar as mercadorias mais urgentes e trouxeram por conta própria. “Se nada for resolvido essa semana, outros produtos começarão a faltar e a disparada dos preços vai ser sentida pela população”, lamentou o empresário.

Impactos

Franquias do setor de alimentos como a loja de chocolates importados  Kopenhagen e a rede de fast food Subway foram alguns dos estabelecimentos que teriam sentido dificuldade em oferecer seus produtos aos clientes devido a problemas de abastecimento causados pela greve na Suframa. Em uma das unidades da Subway, por exemplo, avisos chegaram a ser fixados informando à clientela  a falta de mercadorias devido à paralisação.

Indústria

O diretor do Cieam e presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares (Sinaees), Celso Piacentini, informou que o abastecimento das fábricas com materiais importados destinados à produção não foi afetado em razão da geração automática do sistema das empresas para liberação de cargas.

“Mas os itens de uso próprio das fábricas como solda, álcool industrial e outros produtos de manutenção comprados em grande quantidade foram prejudicados. Aliás, materiais nacionais em geral enfrentaram problemas essa semana para serem liberados”, salientou o executivo.

O efeito, segundo Piancentini, é a superlotação dos pátios com carretas para liberação de mercadorias e a adoção de parada em algumas linhas e turnos nas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM), o que é péssimo considerando o cenário de produção reduzida devido ao esfriamento da economia. “Achávamos que esse cenário fosse demorar mais tempo para se tornar realidade, mas não foi o que aconteceu”, ressaltou.

Liberaração de mercadorias

O juiz federal Rafael Leite Paulo derrubou, na última sexta-feira, a liminar  que dava à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) a obrigação de assumir funções da Suframa no que diz respeito a liberação de mercadorias. Com a nova decisão está mantido o cenário anterior em que 30% dos servidores da autarquia devem seguir trabalhando para manter o desembaraço ativo. Também foi fixado prazo máximo de dez dias para liberação das mercadorias, sob pena de multa. Com isso, a indústria espera que o cenário melhore um pouco.

A pedido do Cieam, o juiz da 3ª Vara Federal, Ricardo Sales, havia concedido, no último dia 10, uma liminar que assegurava o funcionamento da Suframa com servidores da Sefaz-AM.  A decisão gerou dois problemas. Um deles foi em relação à não especificação do percentual de servidores da Suframa  que deveriam continuar trabalhando no desembaraço. O segundo dizia respeito ao conhecimento prévio dos técnicos da Sefaz para desempenhar as atividades dos servidores da Suframa. Foi preciso realizar um treinamento para que os técnicos se habilitassem a realizar as atividades, o que gerou paralisação da liberação de cargas.

 Para derrubar o veto

A situação dos servidores da Suframa pode mudar a partir de amanhã. O Congresso se reune em Brasília, para votar, entre outras questões o veto parcial da presidente Dilma Rousseff á Medida Provisória (MP) 660/14.

A decisão atual da presidente negou aos servidores da Suframa, os pleitos solicitados em relação à reestruturação da carreira e à equiparação dos salários com as remunerações pagas as demais autarquias do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

A expectativa do presidente do Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa), Anderson Belchior, em relação à derrubada do  veto é positiva. “Passamos a semana nos articulando com os parlamentares em Brasília. Acreditamos já ter o número necessário de votos para garantir a derrubada do veto”, apostou.

Belchior considera que só a derrubada do veto da presidente é capaz de por fim à greve da autarquia iniciada em maio. A estimativa do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) é de que a paralisação possa trazer prejuízos que cheguem a R$ 300 milhões por dia.

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