Domingo, 15 de Setembro de 2019
NA CONTRAMÃO

Grupo indígena manifesta apoio a políticas de Bolsonaro em Manaus

Cerca de 20 indígenas se encontraram com o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni para manifestar apoio às ações do governo



waea_3AC53F5E-B987-4929-BE45-7EA3BF82E183.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
04/09/2019 às 07:24

Um grupo de cerca de 20 índios das etnias Baré, Mura, Kokama e Munduruku manifestaram ontem apoio à política adotada pelo governo Jair Bolsonaro que prevê a possível revisão de demarcações de terras indígenas e autorização para mineração nesses territórios, na contramão da posição assumida por 30 organizações indígenas em carta de repúdio às declarações do presidente da República.

Liderados pelo representante do Instituto Raiz Amazônia, Raimundo Sobrinho Baré, o grupo se encontrou ontem com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após a reunião de governadores da Amazônia Ocidental, ocorrida em Manaus, com a comitiva interministerial que discutiu medidas para o combate às queimadas na região.

Questionado sobre a revisão dos processos de demarcação de terras indígenas, Baré declarou ser favorável a ‘tudo aquilo que é possível fazer para que haja uma construção e benefício’. “Não sei se vai haver diminuição. Às vezes a gente fala uma coisa e retrocede. Ainda está muito prematuro e de repente o presidente pode mudar de opinião. Um diálogo está sendo construído para que futuramente as coisas possam ser aparelhadas”, afirmou.

Na semana passada, a Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (DAMDDI) e o Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (FOREEIA) emitiram carta repudiando as declarações de Bolsonaro que, em reunião com os governadores da região Norte, atribuiu aos povos indígenas a ocorrência de incêndios na Amazônia.

“Na verdade, ele é o único responsável por essas tragédias ambientais, pelo seu racismo ambiental e por sua política desonesta de incitação criminosa às invasões ilegais de terras indígenas por parte de madeireiros, garimpeiros, grileiros e esvaziando os órgãos ambientais e de direitos humanos. Os brasileiros honestos e o mundo precisam saber disso e nós vamos permanentemente denunciar essas práticas criminosas contra a humanidade e contra o nosso planeta", diz trecho da carta assinada por organizações que representam os 64 povos indígenas do Amazonas.

Na última quinta-feira, em um vídeo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, defendeu a revisão das demarcações, afirmando haver erros em parte dos processos. “São demarcações forjadas”, disse o militar.

Após a repercussão da declaração do general, o Bolsonaro  decidiu suspender  demarcações e acenou com a possibilidade de rever terras já demarcadas. Segundo Bolsonaro, ‘há muita terra para pouco índio’.

Prorrogação

Após reunião com os governadores, Onyx anunciou que uma das propostas para combater as queimadas na Amazônia é prorrogar a Operação Garantia da Lei e da Ordem (GLO) até outubro. De acordo com o decreto presidencial, a presença das Forças Armadas no combate às queimadas encerra no dia 24 de setembro.

"Fizemos o primeiro enfrentamento pontual nas áreas onde tivemos incêndios, mas é muito importante que se combata as causas desses incêndios que estão ligadas ao desmatamento ilegal e ao garimpo ilegal", disse.

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