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Manaus
Operação Betume

Grupo investia em logística sofisticada para exportar drogas de alta qualidade ao exterior

Ao todo, 15 pessoas estavam envolvidas, incluindo dois advogados. Cerca de 300 quilos de cocaína foram apreendidos 13/10/2016 às 12:31 - Atualizado em 13/10/2016 às 15:28
Vinicius Leal

A organização criminosa desmantelada hoje pela Polícia Federal, durante a Operação Betume, investia pesado em logística sofisticada para exportar cocaína de alta qualidade, oriunda da tríplice fronteira, para países da Europa, Ásia, África, Oceania e América do Norte. A droga “só passava” por Manaus, segundo informou os delegados Rafael Caldeira, da Regional de Combate ao Crime Organizado, e Caio Avanço, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Ao todo 15 pessoas eram envolvidas no esquema: oito foram presas e o restante foi conduzido para prestar esclarecimentos. Cerca de 300 quilos de cocaína pura – especialidade deles – foram pegos em quatro diferentes apreensões. “As investigações tiveram início em 2015 com base em informações oriundas de apreensões ocorridas em países diversos do exterior, inclusive com remessas em Manaus, e aí conseguimos chegar aos principais líderes e demais auxiliares”, disse Avanço. A Interpol e a polícia do México também ajudaram nas investigações.

Segundo a PF, o líder do grupo é um peruano que teve a identidade reservada, e que foi capturado hoje em uma casa no bairro Parque Dez. A esposa dele também foi presa em Curitiba (PR), onde fazia viagem. Dois advogados – Ellen Wandrienny de Lima Tavares e João de Melo Cardoso Junior – também foram presos. Segundo Caio Avanço, foram feitas ao todo quatro prisões em Tabatinga, três em Manaus e uma prisão em Curitiba. Em Tomé-Açu, no Pará, foram apreendidos tambores contendo manta asfáltica e cocaína mesclada.

Modus operandi

De acordo com o delegado Caio Avanço, a cocaína era produzida em regiões da tríplice fronteira – Colômbia, Peru e Brasil, e de lá vinha para Manaus, onde era armazenada em maquinários, cilindros e tambores de metal pesado. Depois, as peças com a droga inserida seguiam em contêineres transportados por via fluvial até o Pará – Belém ou cidades do interior – ou mesmo estados do Nordeste. Daí, a droga “viajava” por via marítima para fora do País. “Era um trabalho bem sofisticado para ocultar a droga nos metais a fim de dificultar a passagem por fiscalizações de raio-x e de cães farejadores nos portos”, falou o delegado.

Para disfarçar e tornar “lícito” o transporte dos materiais, o peruano líder do grupo abria empresas de fachada ou em nomes de “laranjas” para revender os cilindros e tambores para o estrangeiro. “Ele coordenava aquisição da droga desde a origem, adquiria as mercadorias, coordenava o enxerto da droga, a logística e a arremessa. Ele tem uma empresa no nome dele, assim como a companheira dele. Mas alugava CNPJ ou criava empresas em nome de terceiros”, disse Caio Avanço. Outros “funcionários” eram especializados no trabalho de ocultar a cocaína nas peças de metal, dentro de “laboratórios”.

Apreensões

Cerca de 300 quilos de cocaína foram apreendidos em quatro diferentes apreensões, tanto no Brasil quanto no exterior. “A gente está investigando há um ano, mas ele faz isso há algum tempo”, falou o delegado Rafael Caldeira. “Houve diversas cargas que foram remetidas com sucesso, e que não foram apreendidas. Então fica difícil estimar a quantidade”, explicou. Entre os destinos finais da cocaína há países como México, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, China, Austrália e Senegal. “É um esquema de alcance global”, completou o delegado. Também foram apreendidos três carros e uma motocicleta, além dos cilindros e peças de metal.

Droga de qualidade

A cocaína traficada pelo grupo criminoso era considerada de “alta qualidade”, pois era pura na forma de cloridrato de cocaína. “Uma pessoa de confiança armazenava a droga na residência dela em Manaus, em uma invasão. Pegamos a droga já preparada, no interior dos cilindros de metal, pronta para o envio”, disse o delegado Caio Avanço. “A qualidade da droga era bem levada. O mercado estrangeiro é bastante exigente e por isso a cocaína era de altíssimo nível”. Devido à pureza do material, a PF estima que cada quilo do entorpecente daria lucro de 100 mil dólares.

Advogados

Os dois advogados presos – Ellen Wandrienny de Lima Tavares e João de Melo Cardoso Junior – trabalhavam para facilitar o esquema de tráfico internacional de drogas. “Os advogados prestavam auxílio em questões jurídicas e orientações para criação de empresas fantasmas, e no recrutamento de pessoas para serem titulares dessas empresas”, explicou o delegado Caio Avanço.

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