Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
CONTRA BOMBAS

Grupo Marte comemora oito anos de atuação contra artefatos explosivos

Saiba mais sobre o Grupo Marte, que é o esquadrão antibombas da Polícia Militar do Amazonas



1521539_41E3C6D2-9937-48A9-8140-CC7017C016C7.JPG Esquadrão tem todo um aparato para salvaguardar vidas e minimizar danos (Foto: Junio Matos)
06/10/2019 às 07:00

Mantenha distância e busque abrigo. Guarde bem essa orientação do major Mesquita Feitoza, comandante do Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Grupo Marte), o esquadrão antibombas da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Isso, é claro, caso encontre algum artefato suspeito por aí, mas antes, caso isso aconteça, o major deixa outras orientações: não mexa no objeto em hipótese alguma e acione o 190 imediatamente.

Após esse procedimento inicial quem toma a frente em situações críticas envolvendo artefatos suspeitos é o Grupo Marte, uma tropa especializada que, há oito anos, atua em ocorrências policiais envolvendo explosivos e granadas para (claro) salvaguardar vidas e minimizar danos ao patrimônio. Atualmente, a tropa conta com um efetivo de 24 soldados (entre eles duas mulheres).



Todos os policiais do esquadrão antibombas passam por um treinamento especializado que dura entre 45 dias e três meses, feitos em centros de treinamento de referência localizados em outros Estados e até mesmo em outros países como Colômbia (com a Polícia Nacional colombiana), na Argentina (em Córdoba, onde a maioria dos policias amazonenses são formados) e nos Estados Unidos.

“A tropa é formada por policiais militares que são selecionados em um curso de busca e localização de artefatos explosivos. Anualmente temos essa capacitação inicial interna de 45 dias para operador auxiliar. Já para exercer a função de operador principal (o que se aproxima do artefato suspeito com uma roupa especial que pesa cerca de 45 quilos) observamos se o policial tem vocação para a função e encaminhamos para o curso de desativação de artefatos explosivos, que dura em torno de três meses e é ofertado somente fora do Amazonas”, explanou o comandante do Grupo Marte, Mesquita Feitoza.

Duas frentes

A tropa atua, basicamente, em duas frentes: nas ocorrências propriamente ditas, quando os policiais isolam uma área onde há um objeto suspeito e geralmente realizam o desmantelamento (quando ocorre aquele ruído que lembra uma explosão), e em vistorias preventivas, quando a tropa vasculha os locais onde acontecerão grandes eventos ou por onde passarão autoridades públicas.

Só nos três primeiros meses deste ano, o Grupo Marte registrou quatro ocorrências envolvendo encontro de artefatos suspeitos na capital amazonense. Um número até significativo, uma vez que foi registrado quase um caso em cada mês.

De acordo com o major Mesquita Feitoza, sem relevar o número exato de ocorrências que a tropa recebeu esse ano, houve um aumento de apreensão de artefatos explosivos e granadas nos últimos dois anos. “Isso é fruto das operações de combate ao narcotráfico que se aperfeiçoaram. Dessa forma, as forças de segurança pública têm evitado que esse material explosivo seja usado contra a população”, disse o oficial.

Mochilas, malas de viagem, caixas e pacotes abandonados em calçadas e até mesmo um carro abandonado em um local proibido podem conter explosivos. A orientação para alguém que, por acaso, encontre algum artefato suspeito é imediatamente entrar em contato com a Polícia Militar, que aciona o Grupo Marte para realizar uma investigação acerca daquele objeto, seja interrogando testemunhas ou utilizando técnicas, como o equipamento de raio-x ou a abertura remota para investigar o interior do objeto para mensurar os riscos.

Distância e abrigo

“Para as pessoas que não têm treinamento especializado só existem duas proteções eficazes contra artefatos explosivos: manter distância e buscar um abrigo. Quanto mais longe do objeto, melhor. A explosão tem diversos efeitos: incendiário, onda expansiva e fragmentação. O fragmento de um explosivo pode alcançar distâncias inimagináveis. Caso se depare com algum objeto suspeito a primeira atitude é não tocar, não remover, não mexer. Nunca tente verificar por conta própria se é ou não uma bomba. Isso cabe ao esquadrão antibombas. Essa é a orientação que damos até mesmo para os policiais militares que atendem a uma ocorrência”, orientou o major.

A regra é clara: se o material estiver abandonado em lugar inusitado e levantar suspeita, é feita interdição do local. Na dúvida, o desmantelamento deve ser realizado, porque o artefato pode ser ou não perigoso, e se for, pode ser grave, pois fatores como intensidade, alcance e poder de fogo são imprevisíveis.

Em casos assim, protocolos internacionais são cumpridos à risca pela tropa para assegurar a segurança das pessoas a qualquer custo. Por isso o lema do esquadrão antibombas é “ubi erit sacrificium iust pluribus”, frase latina que significa “sempre caberá a poucos o sacrifício pela maioria”.

News guilherme 1674 2977771b 6b49 41af 859a ef3c3b62eae8
Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.