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Manaus
MANIFESTAÇÃO

Grupo protesta em fórum pedindo ‘retorno’ de líderes da facção criminosa FDN a Manaus

Eles exigiram que os narcotraficantes “Zé Roberto da Compensa” e “João Branco” cumpram pena na capital amazonense. Atualmente, os dois estão presos em presídios federais 09/05/2018 às 12:34 - Atualizado em 09/05/2018 às 16:22
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Foto: A Crítica
acritica.com Manaus (AM)

Cerca de 50 pessoas realizaram na manhã desta quarta-feira (9), em Manaus, uma manifestação em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, na avenida André Araújo, na Zona Centro-Sul da capital, pedindo que os narcotraficantes “Zé Roberto da Compensa” e “João Branco”, líderes da FDN, cumpram pena em Manaus. Atualmente, os dois estão presos em presídios federais.

Com apitos e segurando cartazes com as frases “Mano João Branco, Mano Zé Roberto. Estamos esperando! Sua casa é aqui!”, o grupo chegou a interditar a via de acesso ao fórum, causando retenção no trânsito na manhã desta quarta-feira (9). Eles andaram em meio aos carros na avenida e também fizeram uma caminhada pelo complexo judiciário que reúne sede de órgãos em Manaus.

A cunhada de José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, que se identificou como Carolina Câmara, de 28 anos, afirmou que amigos, familiares e conhecidos dele decidiram fazer a manifestação para chamar atenção das autoridades do Amazonas. Eles também pedem o “retorno” do outro líder da FDN, João Pinto Carioca, o “João Branco”, à Manaus.

“A gente está aqui para pedir que os dois sejam julgados em Manaus. Não entendo o motivo deles estarem presos em outros estados porque os crimes aconteceram aqui. Muitos falam que os dois são criminosos. Mas eles também merecerem o apoio das suas famílias”, disse Carolina Câmara, acrescentando que o grupo estava reivindicando também mais moradia. "A outra reivindicação que a gente tem é sobre moradia. Precisamos disso. Temos várias invasões, que agora são comunidades, e precisamos tocar para  frente. Precisamos de energia e água", acrescentou;

Por conta da interdição parcial da avenida André Araújo, condutores de veículos que vinham na via no sentido da Sefaz desceram dos carros. Com auxílio de agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), os veículos foram conduzidos para a avenida Mario Ypiranga Monteiro. A Polícia Militar também acompanhou a manifestação.

A cunhada de “Zé Roberto” afirmou que as autoridades não pensam nas famílias dos presos e pediu mais respeito. “Os filhos do Zé e João Branco estão doentes por não conseguirem verem seus pais. Faz mais de dez anos que não conseguimos vê-los. Queremos que os dois fiquem presos aqui em Manaus. Perto da família. Todos erram”, completou.

Tanto “Zé Roberto da Compensa” quanto “João Branco” cumprem pena no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Os dois já foram condenados pela Justiça do Amazonas por diversos crimes, como tráfico de drogas e homicídio. Atualmente, os dois estão em Catanduvas por ordem da Justiça Federal devido ao alto grau de periculosidade deles.

Além disso, “Zé Roberto” e “João Branco” também são réus no processo sobre massacre de detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde 56 presos foram assassinados brutalmente em janeiro de 2017. Os dois, líderes da FDN, são acusados de serem os mentores da chacina devido a uma desavença com outra facção, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“João Branco”, inclusive, foi condenado a mais 30 anos de prisão em regime fechado no último dia 14 de abril por envolvimento no assassinato do delegado Oscar Cardoso, ocorrido em 2014 em Manaus. “Branco” e outros réus foram considerados culpados de matarem o delegado. Ano passado, “Zé Roberto” foi condenado a 48 anos de prisão pela Justiça Federal pelos crimes de organização criminosa e financiamento do tráfico de drogas.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa de Tribunal de Justiça do Estado Amazonas (TJ-AM), mas o órgão informou que não iria se pronunciar sobre a manifestação do grupo em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis.

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