Sábado, 25 de Maio de 2019
MILÍCIA

Grupo que ameaçava pessoas em invasões de Manaus fez cerca de 5 mil vítimas

Bando preso na operação Cidade das Trevas era comandado de dentro de presídios, segundo a Polícia Civil



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Foto: Divulgação
15/05/2019 às 06:22

O grupo que vendia terrenos em duas ocupações irregulares de Manaus, ameaçava vítimas e foi preso nessa terça-feira (14) durante a operação Cidade das Trevas fez cerca de 5 mil vítimas. A informação é do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil.

“Essa é só a primeira fase de várias. A gente sabe que os líderes estão nos presídios e dão ordem para esses, que são o segundo escalão. A gente que estuda o crime organizado percebe que o início das milícias é quando a gente consegue eliminar com mais vigor e é isso que estamos fazendo, para evitar que ocorra aqui como acontece no Rio de Janeiro”, afirmou o diretor do DRCO, delegado Sinval Barroso.

Integrantes do grupo criminoso suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, venda ilegal de terrenos e formação de milícia nas invasões Cidade das Luzes, no Tarumã, Zona Oeste, e Buritizal, no Nova Cidade, Zona Norte, foram presos nesta terça-feira (14) durante a operação “Cidade das Trevas”, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

A ação é fruto de investigação do DRCO e resultou na prisão de nove pessoas. Os mandados de prisão, busca e apreensão começaram a ser cumpridos por volta das 6h de ontem. Cerca de 600 policiais civis e militares participaram da operação, que também contou com apoio do Departamento Integrado de Operações Aéreas (Dioa), Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC).

Com os nove presos, os policiais apreenderam sete carros, 30 celulares, R$ 16,1 mil e diversos documentos relacionados às vendas de terrenos. Segundo a polícia, um dos líderes do grupo criminoso é Reginaldo Soriano, vulgo “Baiaca”, que foi preso logo pela manhã em uma residência no bairro Cidade Nova, Zona Norte, em cumprimento a um mandado de prisão.

Baiaca é apontado como um dos principais intermediários do grupo com detentos do sistema prisional. Acusado de liderar as invasões, ele foi preso com diversos documentos relacionados à prática, como recibos de pagamento pelos lotes.

Também foram presos em cumprimento a mandados de prisão Jocicley Mafra, Higson Seapra de Oliveira, Alex Braga Gomes, Rony Batista de Souza, Marcelo Braga de Araújo, Alex Farias de Castro, que estava com a tornozeleira eletrônica violada, e Vanessa Fernandes Soariano, filha de Baiaca e que, segundo informações da polícia, é mulher de um presidiário membro de uma organização criminosa.

Vanessa foi presa em uma residência de luxo construída no Novo Aleixo, Zona Norte. Na casa dela, a polícia apreendeu R$ 14 mil e três carros, incluindo um Corola. Outra prisão foi a de Gerlani Guimarães da Silva, que aconteceu em flagrante na Cidade das Luzes.

De acordo com o secretário de Segurança, coronel Louismar Bonates, os policiais retiraram barricadas instaladas por traficantes com o objetivo de impedir a entrada das forças de segurança. Ele disse que as investigações, que começaram em janeiro, ainda prosseguem na busca de identificar as lideranças e também a denúncia da existência de um cemitério clandestino.

“As milícias estão sendo investigadas desde o início de janeiro e hoje viemos com uma ocupação pesada para pacificar a comunidade, retirar os líderes das milícias. Mas as investigações vão continuar”, resumiu.

O delegado-geral da Polícia Civil, Lázaro Ramos, disse que, além do tráfico de drogas, a maior parte dos crimes praticados pelo grupo está relacionada à comercialização dos lotes, com casos de agressão e expulsão das casas.

“Eles alugam, obrigam a pessoa a pagar, quando falha o pagamento, eles expulsam ou ameaçam de morte. Eles também obrigam a participar de tráfico de drogas. Eles têm um grupo para fazer esse trabalho de ameaçar e matar”, disse.

As investigações que resultaram na Operação "Cidade das Trevas" começaram em janeiro pelo DRCO. Conforme o levantamento, além de vender terrenos das invasões, o grupo também comandava o tráfico de drogas na área. Com as prisões, a expectativa é que haja redução de casos de violência na região.

“Tiramos de circulação aqueles indivíduos que estavam ameaçando vítimas. O Estado entrou, e a Polícia Militar manteve o policiamento e está com as viaturas lá, saturando”, enfatizou o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Silvio Mouzinho.

Durante a operação, o Detran-AM e a Polícia Militar montaram barreiras de fiscalização na área na tentativa de evitar a fuga de suspeitos. Pela manhã, quando a ação ocorreu, foram removidos 22 veículos irregulares e aplicadas 55 multas.

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