Publicidade
Manaus
INDÚSTRIA

Coca-Cola ameaça deixar a Zona Franca de Manaus caso governo não mude incentivos

Decreto presidencial que reduziu de 20% para 4% o IPI do polo de refrigerantes ameaça ao menos sete mil empregos no Estado 21/08/2018 às 12:04 - Atualizado em 21/08/2018 às 15:00
Show show coca1 f0097d0c 55cf 4d83 a7d1 7e097efe9e67
Foto: Arquivo A Crítica
Náis Campos Manaus (AM)

O presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, confirmou ao jornal A Crítica, hoje, a veracidade da informação publicada na Folha de S.Paulo sobre a ameaça da gigante americana Coca-Cola de abandonar a Zona Franca de Manaus caso o governo federal não mude a política de incentivos.

Na opinião do empresário, desde o decreto presidencial que reduziu de 20% para 4% o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) do polo de refrigerantes da Zona Franca a ideia de deixar o Amazonas vem se consolidando ao passo que as conversas com o governo de Michael Temer não avançam.

“Vamos novamente precisar da caneta de um presidente para não perdermos as nossas prerrogativas do PIM como um todo? O capital não tem pátria, onde tiver melhores incentivos e estruturas, as empresas seguem. Todos vão embora. Serão sete mil empregos perdidos, só na Recofarma (por onde a Coca-Cola é subsidiada) em função dos desacertos do governo federal para com o modelo da Zona Franca”, lamenta.

Na opinião do empresário, ao contrário do que se propaga pelo País sobre a renúncia fiscal que o governo supostamente “perde” ao conceder os incentivos às indústrias instaladas em Manaus, quando se pesa na balança econômica existe é crédito com o governo federal. “Pois as indústrias recolhem muito mais do que se recebe como incentivos”, observa Antonio Silva.

Ainda de acordo com Silva, as perdas de emprego e renda não atingem apenas as empresas ligadas ao polo de refrigerantes, como Ambev e Pepsi, mas as chamadas empresas componentistas. “Essas terceirizadas compõem o processo produtivo das indústrias fornecendo matérias primas, como o açúcar mascavo, insumos da extração da cafeína, que estão no PIM para suprir as demandas das fábricas de concentrados. Por tabela, se as fábricas deixarem a ZFM, esses fornecedores também vão embora. Serão, no total, mais de 15 mil postos de trabalho fechados”, estima.

As perdas das indústrias de concentrados de refrigerantes, pelos cálculos de Antônio Silva, podem amargar prejuízos que podem chegar a R$ 6 bilhões por ano. “Esse fato gera uma grande insegurança jurídica. Ou seja: qual é a segurança que o modelo da ZFM pode oferecer ao mercado para atrair novas fábricas e investimentos? Fundamentado e baseado em quê? A insegurança jurídica gerada é um desrespeito a própria constituição do País”, esclarece o empresário amazonense.

Coca-Cola

Em nota, a Coca-Cola Brasil negou que tenha planos de deixar a Zona Franca de Manaus, “de onde, há 28 anos, sai o concentrado utilizado na produção de várias de nossas bebidas pelas 36 fábricas instaladas no país”. “O nosso compromisso com o Brasil é sólido e de longo prazo, numa trajetória que já soma 76 anos”.

“Nossos valores e práticas incluem diálogo e transparência com governos e com a sociedade brasileira. Não trabalhamos com ameaças. Em todo o Brasil, o Sistema Coca-Cola emprega 54 mil pessoas direta e outras 600 mil indiretamente na produção e distribuição de 213 produtos de 20 marcas. Só este ano nosso investimento no Brasil foi de R$ 3 bilhões, seguindo o mesmo patamar de 2017”, reiterou a Coca-Cola.

Publicidade
Publicidade