Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
QUESTÃO FUNDIÁRIA

Grupos retirados da invasão ‘Cidade das Luzes’ invadem prédios no Centro

Prédio da Casa da Estudante, na rua Barroso, e outro pertencente à Receita Federal, na Quintino Bocaiúva, estão totalmente ocupados pelos invasores. Segundo a SPU, há um pedido de reintegração de posse



07/07/2016 às 13:34

O prédio da Casa do Estudante Universitário da Ufam (Ceu/Ufam), na rua Barroso, e um segundo pertencente à Receita Federal, na rua Quintino Bocaiúva, ambos no Centro, estão há quatro meses invadidos por remanescentes da invasão Cidade das Luzes, desarticulada no ano passado após destruir uma área de floresta equivalente a 60 campos de futebol nas margens de um dos principais cursos de água de Manaus, o igarapé do Tarumã.

No caso do prédio da Quintino, cinco andares estão totalmente ocupados. Além da guarda na portaria, há outras pessoas que ficam ao redor vigiando quem passa nas proximidades. No antigo quadro de avisos, entre portarias antigas do Ministério da Fazenda, há placas que informam contatos de mudança, quem vende pão e outros tipos de serviço para os moradores da invasão vertical.



Na portaria há uma relação de regras que os invasores precisam cumprir para manter a ordem no prédio, entre elas está a proibição da entrada de qualquer veículo de comunicação. Os ocupantes guardam as motos na portaria principal, que fica trancada com uma chave de propriedade do guarda. Quem tem carro estaciona em frente ao prédio. A CRÍTICA tentou conversar com os ocupantes, mas ninguém pode se pronunciar sem a autorização da líder dos invasores que não se encontrava no prédio. Segundo o segurança, ele estava numa consulta médica.

Sem condições

O funcionário da Receita Federal Alexandre Freitas contou que até 2008 o prédio abrigava alguns departamentos da instituição, mas a estrutura apresentava sérios riscos tanto aos funcionários como também para os contribuintes e despachantes que precisavam ir à unidade.

“Eram problemas sérios, questões de insalubridade, durante sete anos ficamos completamente sem banheiros, os elevadores eram precários e fora que havia um sério risco com as janelas. Morar naquele lugar é totalmente perigoso e inseguro. Os ocupantes estão colocando a vida em risco”, avalia Alexandre Freitas.

Além da unidade da Receita, os demais 15 andares do prédio eram ocupados por funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Escola de Administração Fazendária (Esaf) e da Advocacia Geral da União (AGU). Todas as unidades evacuaram o prédio por causa dos sérios problemas relatados por Alexandre Freitas.

A vizinhança reclama da falta de higiene e desrespeito dos invasores. Segurança de um dos prédios e de lojas vizinhas da invasão, Jorge Souza contou que há noite, além de bebedeira, os invasores colocam som alto, sujam as ruas e ainda são perigosos. “Teve uma vez que puxaram uns facões pra uma turma que passava à noite em frente ao prédio. É um desrespeito total, fora que o prédio se transformou em um perigo, eles fizeram ligações clandestinas e acredito que usam alguns andares desocupados para fazer as necessidades, tem dias que o odor domina o redor do prédio”, contou.

O prédio era responsabilidade da Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda (MF), mas quando invadido, a responsabilidade foi repassada a Secretaria do Patrimônio Público (SPU).

Reintegração de posse

A superintendente substituta da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Susie dos Santos, informou que há um pedido de reintegração de posse do prédio, mas por enquanto é aguardado uma decisão da Caixa Econômica Federal para o imóvel se readequar e se transformar em moradia popular.

Reduto

Na antiga Casa do Estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ceu/Ufam), localizado na rua Barroso, não é diferente. O imóvel também se encontra invadido por antigos ocupantes da Cidades das Luzes. Durante esses quatro meses, os três andares se transformaram em apartamentos para os invasores. Nesse caso, a situação é mais preocupante para a vizinhança que reclama do forte odor de excrementos que vem do prédio e do lixo acumulado.

“São pessoas de mau caráter, não respeitam ninguém e até ameaçam quem, por algum motivo, reclame. Não consigo entender como há ser humano que tem coragem de deixar filhos crescerem em um local como este, é só passar por frente do prédio que você percebe a falta de higiene. O prédio não tem uma estrutura e o que tinha foi acabado para guardar os entulhos dos invasores”, contou a dona de casa, Eclair Moreira


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